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Carlos Evangelista, Ciência Política

Política e Moral (Tributo a Maquiavel)

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Hoje o poder político constituído no Brasil inclui considerações de ordem moral em seu processo de tomada de decisões? Qual a importância dessas considerações? Quais são as limitações do poder político em vigor? Você caro leitor concorda que no Brasil de hoje também a necessidade de uma cultura política sem corrupção, pautada por princípios morais e éticos, conforme sugestão de Maquiavel? De que forma você sugere que o político brasileiro poderá alcançar essa consciência, de que do outro lado da política está o homem; medida de todas as coisas e causas?
*”Na política, os aliados atuais são os inimigos de amanhã.”

*“Será preciso, contudo, (ao príncipe/político) ser cauteloso com aquilo que fizer, e no que acreditar; é necessário que não tenha medo da própria sombra, e que aja com equilíbrio, prudência e humanidade, de modo que o excesso de confiança não o torne incauto, e a desconfiança excessiva não o faça intolerante”

Para clarear tal linha de pensamento em busca de respostas, é bom lembrar que no processo de formação e consolidação dos Estados centralizados europeus, no século XVII, certos governantes sempre estavam dispostos a fazer prevalecer a “razão de Estado”, ou seja, a agir em benefício do fortalecimento do Estado, restringindo liberdades individuais, praticando o autoritarismo e até a violência. Nem por isso esse poder, tradicionalmente chamado de absolutista, era ilimitado. Entre outros exemplos, ressalte-se que o poder real não chegava a dispor das propriedades e dos súditos como bem quisesse.

*“A ambição é uma paixão tão imperiosa no coração humano, que, mesmo que galguemos as mais elevadas posições, nunca nos sentimos satisfeitos” .

Desde o momento da formação dos Estados centralizados, os reis imprimiram um caráter autoritário aos seus governos, sempre buscando construir a fidelidade à Coroa. Cada vez mais o poder real buscou a subordinação aos seus interesses e, no auge desse processo, ocorreu um afastamento maior em relação à burguesia. Antes disso, desde o início da Idade Moderna, diversos teóricos de então clamavam pela necessidade de Estados fortes, chefiados por reis cujo poder central, incontestável, estaria livre das amarras limitadoras, inclusive da Igreja.

*“Será preciso, contudo, (ao príncipe/político) ser cauteloso com aquilo que fizer, e no que acreditar; é necessário que não tenha medo da própria sombra, e que aja com equilíbrio, prudência e humanidade, de modo que o excesso de confiança não o torne incauto, e a desconfiança excessiva não o faça intolerante”

Assim como hoje o poder político brasileiro é sustentado por um forte sistema de segurança à inteira disposição e subordinação dos governantes políticos em nome da manutenção da ordem pública.

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Maquiavelismo
Um dos primeiros grandes pensadores a justificar o poder centralizado dos reis foi Nicolau Maquiavel (1469-1527), que defendia a unidade italiana, criticando a fragmentação política vigente e a rivalidade entre as diversas repúblicas.

*“Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição”

Em sua principal obra, O príncipe, propõe a separação entre moral e política, vistas como duas esferas inconciliáveis (pelo menos no que se refere à forma como a Igreja concebia o poder político, isto é, atrelado a princípios cristãos). Para Maquiavel, as razões do Estado deveriam ser superiores a tudo, e, em prol do Estado, justificava-se a utilização de artimanhas, ardis políticos e até a força e a violência, pois, nas suas palavras, “a força é justa, quando necessária”.

*“Não obstante, o príncipe/político deve fazer-se temer de modo que, mesmo que não ganhe o amor dos súditos, pelo menos evite seu ódio”

Maquiavel é autor da conhecida máxima “os fins justificam os meios”, segundo a qual ao Estado era autorizado o uso de qualquer método para atingir seus objetivos na busca da supremacia do príncipe e da indiscutível autoridade do Estado.

*“Nada faz o homem morrer tão contente quanto o recordar-se de que nunca ofendeu ninguém, mas, antes, beneficiou a todos. O homem que tenta ser bom o tempo todo está fadado à ruína entre os inúmeros outros que não são bons”.

Então, na conclusão deste texto é preciso sempre contextualizar a legitimação do poder, principalmente se considerarmos as características do solo arenoso que é a vida política mundo afora, mas aqui num olhar indelével para a prática política brasileira, (neste interesse exacerbado pelo poder por parte do PSDB, PV ou pela manutenção do poder por parte do PT/PMDB…). Sem, contudo não esquecer que do outro lado da política está o homem, que é a medida para todas as coisas e causas.

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Nicolau Maquiavel foi um importante historiador, diplomata, filósofo, estadista e político italiano da época do Renascimento. Nasceu na cidade italiana de Florença em 3 de maio de 1469 e morreu, na mesma cidade, em 21 de junho de 1527.
Vida e obras
Filho de pais pobres, Maquiavel desde cedo se interessou pelos estudos. Aos sete anos de idade começou a aprender latim. Logo depois passou a estudar ábaco e língua grega antiga.
Aos 29 anos de idade, ingressou na vida política, exercendo o cargo de secretário da Segunda Chancelaria da República de Florença. Porém, com a restauração da família Médici ao poder, Maquiavel foi afastado da vida pública. Nesta época, passou a dedicar seu tempo e conhecimentos para a produção de obras de análise política e social.
Em 1513, escreveu sua obra mais importante e famosa “O Príncipe”. Nesta obra, Maquiavel aconselha os governantes como governar e manter o poder absoluto, mesmo que tenha que usar a força militar e fazer inimigos. Esta obra, que tentava resgatar o sentimento cívico do povo italiano, situava-se dentro do contexto do ideal de unificação italiana.
Entre os anos de 1517 e 1520, escreveu “A arte da guerra”, um dos livros menos lidos do autor.
Em 1520, Maquiavel foi indicado como o principal historiador de Florença.
Nos “Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio”, de 1513 a 1521, Maquiavel defende a forma de governo republicana com uma constituição mista, de acordo com o modelo da República de Roma Antiga. Defende também a necessidade de uma cultura política sem corrupção, pautada por princípios morais e éticos.
O termo “maquiavélico”
“É necessário a um príncipe/político, para se manter no poder, que aprenda ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso segundo sua necessidade”.
Em função das ideias defendidas no livro “O Príncipe”, o termo “maquiavélico” passou a ser usado para aquelas pessoas que praticam atos desleais (até mesmo violentos) paraobter vantagens, manipulando as pessoas. Este termo é injustamento atribuído a Maquiavel, pois este sempre defendeu a ética na política.
Fontes:
*Frases de Nicolau Maquiavel
http://www.culturabrasil.pro.br/maquiavel.htm
ATALLAH, Claudia Cristina Azeredo. Revista de Humanidades. UFRN.Caicó (RN), v. 9. Nº 24, Set/out. 2008.
http://www.culturabrasil.pro.br/maquiavel.htm‎
Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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