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Carlos Evangelista, Filosofia

A Humanidade e a Origem das Coisas: Mito, Verdade, Ética e Moral na Atualidade

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Mitos são narrativas utilizadas pelos povos gregos antigos para explicar fatos sociais da realidade e fenômenos da natureza. Os mitos se utilizam de muitos símbolos, personagens sobrenaturais, deuses e heróis, que se misturam a fatos reais, características humanas e pessoas que realmente existiram. Exemplos de mitos pode ser Plutão, Apolo, Frank Sinatra, Pelé, Getúlio Vargas, Elis Regina, Homem Aranha, Ayrton Senna, El Cid, Super Man, Zeus, Cleópatra entre outros.
Nem sempre soubemos tudo o que sabemos hoje sobre a natureza e o mundo. Desde que a humanidade existe, vem se perguntando sobre a origem das coisas, do que são afeitas e por que tudo é como é.
Desde que a humanidade existe, mantém vivas as perguntas pelas quais sempre procuramos respostas; “Quem somos nós?“, “de onde viemos?” e “para onde vamos?“.
Na tentativa de responder a estas questões e a tantas outras, a humanidade foi observando os fenômenos ao redor para encontrar explicações que dessem conta da curiosidade e da necessidade de respostas. Por exemplo: Não se sabia, como sabemos hoje, que o Sol é uma estrela como tantas outras no espaço. Para o homem antigo, o Sol era um deus (em algumas culturas) ou a representação de um deus (em outras) e a partir desta conclusão surgiam narrativas sobre a origem dessa entidade.
Essas histórias passavam oralmente de geração a geração e acabavam integradas às tradições de cada civilização. A partir do momento em que uma certa narrativa mítica passasse a fazer parte de uma cultura, passava também a ser um importante elemento de identificação dessa sociedade. Ou seja,os mitos, além de se constituírem fontes de explicação para as coisas ao redor, também, desempenhavam um papel muito importante de identificação cultural de um povo.
Os mitos eram geralmente acompanhados de rituais. Já que os mitos estavam normalmente vinculados às divindades, havia uma série de ritos religiosos que deveriam ser seguidos. A preservação das tradições e de toda a estrutura social. O controle sobre os dogmas e rituais também era de grande importância para a manutenção do poder.

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O Mito hoje
Atualmente, quando se fala em mito, pensamos logo nas mitologias antigas: Nos deuses gregos, romanos, nórdicos ou mesmo africanos e indígenas. Mas, será que a sociedade de nossos dias (esta em que vivemos) está livre de mitos?
A razão como única via para a compreensão do mundo. Será mesmo que a razão realmente dá conta de resolver nossas dúvidas e inquietações humanas?

A Verdade
Segundo o dicionário Aurélio, “verdade” é “Conformidade com o real”. Ou seja, é verdadeiro aquilo que corresponde com a realidade, é o que combina com o que podemos perceber ao redor.
Mas, afinal de contas, o que é real? Existe mesmo uma verdade inquestionável?
Platão (428a.C.-348a.C.) inaugurou seu pensamento sobre a verdade afirmando que “verdadeiro é o discurso que diz as coisas como são; falso é aquele que as diz como não são”. É a partir daí que acontece a problemática em torno da verdade.

Marx: a verdade como ideologia
Segundo Karl Marx (1818-1883), o pensamento e as ideias de uma sociedade devem ser entendidos sempre a partir do contexto histórico dessa coletividade, porque a construção das sociedades acontece sempre em função das relações com o trabalho.
Segundo o pensador, algumas ideias surgem como universais e são impostas como verdades a toada a sociedade. A essas verdades Marx deu o nome de ideologia.
Muito embora a ideologia pareça-se com uma verdade universal e imparcial (que vale para todos), trata-se de uma construção em torno dos ideais da classe dominante (a burguesia), que mascara os conflitos e garante o controle sobre o proletariado/operários.

Nietzsche: a verdade como ponto de vista
Para Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900), a verdade é um ponto de vista: Depende da forma como cada um percebe e entende as coisas ao redor. Nietzsche não define a verdade e nem aceita que seja definida, porque não se pode chegar à certeza do que seja o oposto da mentira.
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Ética e Moral
Antes de tudo, vale esclarecer que ética e moral são conceitos diferentes e com origens diferentes, mas que costumam ser confundidos, porque andam juntos. A palavra moral vem do latim mos (plural: mores), que significa “costumes” e ética vem do grego ethos, que significa morada do humano e refere-se ao caráter, ao modo de ser do indivíduo.

Moral é o conjunto de regras de uma sociedade, que define o comportamento dos indivíduos a partir daquilo que essa coletividade considera bom ou mal, certo ou errado. A moral é sempre uma construção coletiva e os conceitos morais não são necessariamente os mesmos entre os povos, porque podem variar de cultura para cultura, assim como mudam dentro de uma sociedade com o passar do tempo (não esqueça que a moral é sempre cultural).
Por exemplo: Se estivermos caminhando pelas ruas de Guaratuba ou Caiobá, não nos causa espanto um casal passeando de bicicleta ele vestindo apenas uma sunga e ela um minúsculo biquíni; mas, não aceitamos muito bem esse mesmo casal passeando nos mesmos trajes pelo centro de São José dos Pinhais ou Curitiba. Isto porque concordamos que a sunga e o biquíni são apropriados para a praia, mas inapropriados para uma cidade, embora as mesmas pessoas estejam envolvidas em um evento similar. Ou seja, é moralmente aceito que pessoas andem de biquíni/maiô/sunga pelas ruas dos balneários, mas não moralmente aceitáveis esses mesmos trajes no interior ou nas cidades sem praias.
Note que os conceitos morais mudam com o tempo na medida em que uma sociedade vai alterando suas relações internas e seus próprios valores. Lembre-se, por exemplo, que há não muito tempo as calças eram de uso exclusivo masculino, era inaceitável a amamentação de bebês em público, esposas e filhos eram praticamente posses dos patriarcas, etc.

Ética, por sua vez, é a reflexão que se faz sobre os conceitos e valores morais. Em outras palavras, Ética é a área de conhecimento (uma “ciência”, digamos) dedicada a estudar e refletir sobre os conceitos de certo ou errado, bom ou mal, na busca de regras e orientações que regulem as relações entre as pessoas, sempre buscando o equilíbrio e o respeito.
Tanto a moral quanto a ética relacionam-se com a busca da harmonia e da felicidade nas relações sociais; mas, a moral refere-se às regras de convivência na coletividade, enquanto a ética está ligada a uma postura individual diante dessa coletividade. Portanto, uma ação moral pressupõe também a liberdade, porque entra em jogo não apenas a imposição das regras, mas também a aceitação consciente das regras impostas (eu obedeço as leis porque escolhi obedecer). Observe que, ética (caráter) e a moral (costumes) não são comportamentos naturais humanos, mas são construídos pelo hábito, durante toda a vida.
A ética é o que separa aquilo que a natureza nos manda fazer (instinto), daquilo que nós escolhemos fazer (autonomia). Portanto, um comportamento moral é sempre racional. Os conceitos morais e éticos são adquiridos no convício e na busca por melhores relações.

Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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