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Carlos Evangelista, Filosofia

A Evolução Humana através do Conhecimento

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Nestes tempos modernos, conhecimento é quase e tão somente buscar educação e qualificação profissional. Porém, oportuno se faz neste espaço discorrer sobre alguns outros tipos de conhecimento e saberes.

Senso Comum
O senso comum é uma forma de pensar baseada na vivência espontânea (na experiência do dia-a-dia) e existe desde o surgimento do homem. É o saber adquirido através do que se vê ou ouve no cotidiano. Engloba costumes, hábitos, tradições, normas, éticas e tudo aquilo que se necessita para tentar viver bem, resolvendo os mais diversos problemas do dia-a-dia.
O senso comum não é uma maneira sistematizada de pensar, não usa de procedimentos metodológicos nem é um conhecimento aprofundado. Trata-se de uma maneira superficial de entender as coisas e fenômenos baseada no “parece que é”, sem a preocupação com alguma análise mais cuidadosa.
Esta forma de se relacionar com o conhecimento resulta em um saber que muitos chamam de saber empírico, vulgar ou, ainda, “sabedoria popular”. Para o senso comum não é necessário que haja uma explicação racional que demonstre o que é dito; é um saber informal que engloba até opiniões, estereótipos e preconceitos. É um saber imediato, vago, heterogêneo e superficial, pois se conforma com o que é dito, sem que se pense sobre as informações recebidas ou se questione a respeito da origem dessas informações.
Exemplos de senso comum podem ser conhecimento de um pescador sobre o melhor local e a melhor forma de se pescar, o de um agricultor a respeito da época e da técnica de cultivo de determinados produtos, uma cozinheira com suas receitas, um pedreiro com suas técnicas e habilidades, um indígena sobre o segredo das plantas e animais da selva. Todos esses exemplos são de conhecimentos construídos a partir da própria vivência, na experiência cotidiana, sem o emprego de técnicas ou de teorias intrincadas.
Mesmo que o senso comum seja superficial, ainda assim tem seu valor. O pescador, o agricultor, a cozinheira, o pedreiro ou o indígena mencionados, não contam com um conhecimento técnico e científico sobre suas práticas, mas mesmo assim podem desempenhar muito bem suas tarefas.
Por outro lado, os preconceitos étnico-raciais, de gênero, de religião e a homofobia, dão-se a partir de conceitos antecipados. Ou seja, é feito o julgamento de um indivíduo ou de um grupo apenas a partir de uma visão imediata e superficial, sem qualquer questionamento sobre a origem dos critérios de avaliação. Assim, constroem-se verdades sobre conceitos que muitas vezes são mentirosos ou equivocados, embora pareçam fazer sentido.
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Senso Crítico
O senso crítico é o contraponto do senso comum e de certa forma seu oposto. Trata-se de uma forma de pensar mais aprofundada, que se desenvolve a partir dos questionamentos feitos sobre as coisas ao redor. Ou seja: Enquanto o senso comum é uma superficial de se observar e entender o mundo, sem preocupação com demonstrações ou com a fundamentação lógica sobre o porquê das coisas e fenômenos, que leva a um entendimento mais aprofundado das conexões causais (conexões de causa e efeito).
Ao desenvolvermos o senso crítico, aprimoramos a capacidade de observar detalhes cruciais das verdades sobre as quais construímos nosso entendimento do mundo, superamos preconceitos e conquistamos a autonomia.
Podemos dizer então que o senso crítico é a base sobre a qual constroem-se o conhecimento filosófico e o científico. Exemplo, você é a favor ou contrário, a concessão de bolsa auxílio para as prostitutas brasileiras?
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Conhecimento mítico
Trata-se de um conhecimento que tenta explicar os fenômenos sociais ou da natureza através de representações sobrenaturais que não são raciocinadas de maneira lógica e nem são resultantes de experimentações científicas. Usa linguagem simbólica e imaginárias, baseando-se na crença em seres fantásticos e suas histórias sobrenaturais, como responsáveis pela existência de tudo.
Mas não se pode esquecer de que mesmo em nossos dias existem vários mitos sobre os quais construímos nossas verdades e nosso entendimento do mundo. Exemplos de conhecimento mítico são os amontoados de placas e panfletos pelos centros urbanos prometendo resolver problemas amorosos, etc.

Conhecimento teológico
O conhecimento teológico parte da compreensão e da aceitação da existência inquestionável de uma divindade criadora de tudo o que existe. Essa divindade revela-se à humanidade e concede-lhe suas verdades (a iluminação). Dessa maneira, não cabe à razão entender como, ou por que, tudo foi criado; cabe apenas explicar e justificar os dogmas, sem a necessidade de os compreender. Em outras palavras, parte-se da ideia inquestionável de que a divindade criou tudo o que existe de acordo com a própria vontade e que a razão só pode tentar entender como essa criação funciona.
Então, o conhecimento teológico (do grego teós=deus; logos=conhecimento) fundamenta-se na fé e também no uso da razão.
O conhecimento teológico preenche um vazio de explicações que a ciência não conseguiu resolver: As angústias, os medos (da morte, do desconhecido eterno, etc.), os traumas, as incertezas, o vazio existencial que leva muitos ao suicídio, a esperança em uma cura impossível, etc. Exemplos teológicos são igrejas evangélicas em cada esquina do Brasil, prometendo resolver problemas de doenças, empregos, conciliação familiar, etc, em troca, obviamente, de alguns trocados.
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Conhecimento científico
Conhecimento científico é racional e utiliza-se de experimentos, observações, comprovações e induções. Desenvolve-se a partir de observações e de experimentações que são feitas cuidadosamente e que podem ser repetidas em circunstâncias controladas (em um laboratório, por exemplo) para demonstrar a validade de alguma ideia ou teoria. Portanto, o conhecimento científico é sempre baseado na demonstração e na comprovação de teorias.
Não há uma preocupação com questões morais ou éticas. Ou seja, se o conhecimento que se desenvolve será usado para o bem ou para o mal, se vai levar sociedades inteiras à destruição ou se vai contaminar o ambiente, nada disto vem ao caso.
O conhecimento científico está em constante evolução, pois novas descobertas trazem novas verdades que anulam ou aperfeiçoam uma verdade anterior: Ex.: na medicina, alguns remédios ou tratamentos que no passado eram dados como eficazes, hoje são descartados por provocarem danos à saúde.

Conhecimento filosófico
Assim como o conhecimento científico, o conhecimento filosófico também é racional. É essencialmente teórico e tem como objetivo entender questões essenciais da existência humana e busca a verdade por trás das aparências. Ou seja, o conhecimento filosófico procura o entendimento de nossa realidade a partir da essência das coisas e fenômenos, além de tentar separar o que parece que é, daquilo que realmente é. O conhecimento filosófico (assim como o conhecimento científico) também é sistemático e procura a raiz das coisas, usando o rigor lógico. Busca os “porquês” de tudo o que existe, mas não um porquê físico ou químico (que é o caso do conhecimento científico); a busca é por explicações em torno da essência. O conhecimento científico constrói-se pela experimentação e matematização, o conhecimento filosófico apoia-se exclusivamente na observação e na teorização, por tratar-se de uma forma de conhecimento cujo objeto não se apresenta concretamente (felicidade, paz, liberdade, amor, verdade).
Mesmo assim, o conhecimento filosófico é ativo, pois coloca a humanidade em busca de resposta para as inúmeras perguntas que ela mesma formula. Assim, ética, moral, justiça, verdade, liberdade e felicidade, por exemplo, são questões tipicamente filosóficas, pois estão relacionadas à essência humana e não necessariamente ao nosso corpo físico.
O conhecimento filosófico muitas vezes torna-se inconveniente para a política, ciência e economia, por exemplo, pois desmascara suas reais intenções (que nem sempre são boas). Exemplos de conhecimento ou estratégias filosóficas e políticas são as inúmeras reuniões com técnicos dos ministérios do atual governo do PT e prefeitos do Paraná, prometendo a liberação de recursos financeiros da União, aos pequenos municípios, independentemente das ideologias partidárias, porém com forte apelo político, com olhar nas próximas eleições.

Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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