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Brasil: a abundância que gera miséria

Nosso país tem um histórico de abundância em riquezas naturais desde a chegada dosreservas subsolo portugueses por aqui, a mais de 500 anos estas terras tem sido alvo de pura e simples extração destes recursos. Exemplos disto vão desde o famoso pau brasil, ouro, até o nióbio, minério raro importante para várias industrias e que o Brasil detém 98% das reservas.

Além disto, o Brasil tem um clima predominantemente tropical, equatorial e subtropical, exceto algumas exceções pontuais como o clima semiárido do nordeste, e por conta disto não temos condições climáticas extremas como frio que exija planejamento e gastos contínuos e excessivos para nos proteger ou até mesmo sobreviver. Isto contribui também de maneira decisiva no favorecimento a agricultura e pecuária, setor de grande importância que além de estratégico, representa aproximadamente 22% do PIB brasileiro. Alguns casos de enchentes (que já são previsíveis no Rio de Janeiro) e tornados no sul causam danos sem dúvida, mas os que mais sofrem por exemplo nas enchentes, são pessoas instaladas em áreas que não deveriam, portanto, totalmente evitáveis. Não temos desastres naturais como terremotos, maremotos, furacões como em tantas regiões do planeta que obrigam milhões de pessoas a começar do zero.

Diante de tanta abundância quando comparado com a maior parte dos outros países, em um primeiro momento seria fácil concluir que esta nação fosse próspera e desenvolvida, porém nós conhecemos a realidade, e está muito distante disto. E não tarda vir a mente a pergunta, porque? Com tantas vantagens e condições favoráveis deveríamos ser no mínimo uma potência mundial, ter qualidade de vida como Escandinávia, Europa e tantos outros (que sem dúvida são mais “pobres” do que nós).

A prosperidade de um indivíduo ou de uma nação depende da combinação de  inúmeros fatores que vão se construindo ao longo do tempo. São escolhas, experiências, memória, conhecimento, oportunidades… que se bem utilizadas melhoram nossas vidas. Este primeiro momento será focado apenas nas experiências coletivas, estas que parecem não ter registrado muitas dificuldades, nenhuma grave e/ou de âmbito nacional. Além da abundância em recursos naturais e clima bom, não houve guerras que assolassem o país, temos uma cultura apática, que nunca precisou de grandes sacrifícios para a sobrevivência da espécie. Toda dificuldade traz uma oportunidade  para evoluir, buscarmos alternativas, melhorarmos processos e com isto desenvolver o melhor em cada indivíduo e formar uma nação desenvolvida. Já quando o ambiente está muito favorável e é preciso pouco esforço para termos o necessário a manutenção da vida, a tendência do ser humano é de se manter no status quo, afinal de contas, “não há nada” para se preocupar, sempre haverá o necessário.

Riqueza brasilEsta idéia (e realidade) de abundância que se traz ao longo do tempo, junto com a cultura extrativista aparentemente trazida pelos portugueses, parece ser um dos fardos que esta nação carrega e impede o desenvolvimento do país. Devemos ser muito ricos mesmo para que políticos roubem tanto e a população não sinta falta a ponto de reagir, não nos falta dinheiro afinal de contas podemos dar quase metade do orçamento da nação aos bancos internacionais para pagar juros e amortizações da dívida pública. Também, podemos continuar a inchar a máquina pública e suprimir a iniciativa privada, pois a renda média do cidadão brasileiro  permite pagar todos os impostos, que chegam a quase 80% do que se ganha, sem reduzir sua qualidade de vida. Vale lembrar também que nunca houve uma crise financeira de grande amplitude como na republica de Weimar, ou a grande depressão da década de 30 nos EUA que cause um choque no padrão de vidaporém, tampouco tivemos tempos de prosperidade do povo.

Uma vez reconhecida a condição, podemos começar a refletir sobre as possibilidades para mudança deste estado. Costuma-se dizer que um indíviduo muda apenas sob duas circunstâncias; tomada de consciência, ou evento traumático, e partindo da premissa que o comportamento de um povo é formado pelo comportamento dos indivíduos, podemos seguir aqui esta linha para especular possíveis caminhos em curso ou a ser tomado.

Ainda há muitos que afirmam que aos poucos a população está tomando consciência e a situação está melhorando, principalmente pessoas que formam a camada mais desfavorecidas acreditam nisto por conta dos inúmeros programas assistencialistas criado pelos socialistas do planalto central, que apenas incentiva a improdutividade dos indivíduos, mas quando se refere a mudanças estruturais definitivas que incluam, mas não se limitem, a redução dos próprios benefícios em prol de um ambiente que proporcione oportunidades justas, bem, o caso será visto assim que possível… Também, vários grupos e indivíduos engajados na disseminação de informação e formação de opinião crítica na esperança da mudança por meio da tomada de consciência dos indivíduos, o que seria uma maneira pacífica e talvez “ideal” de evolução. Entretanto, também existe uma grande tendência para a mudança pelo evento traumático, método que fez parte do processo de mudança de vários países hoje desenvolvidos. A partir de conversas informais com amigos e conhecidos de vários níveis sociais, foi possível perceber que a noção da maior parte destes é que a sociedade necessita de um evento traumático para despertar do sono profundo da apatia coletiva perante a destruição em massa de valores como respeito, amor, responsabilidade, liberdade, honestidade.

Diante das atuais condições de inversão de valores da nossa sociedade, não apenas local mas globalmente, não fica difícil sugerir que estamos a caminho de um abismo, pois as condições estão favoráveis. Parece existir uma crescente descrença no governo que a cada dia que passa parece abraçar mais responsabilidades e arrecadações, com uma capacidade  técnica e moral menor a cada dia que passa. Ainda que não seja possível apontar apenas a abundância de recursosboiling-frog-syndrom destas terras como culpada pelas misérias da nação, ela contribui consideravelmente para isto, pois  permite o roubo de forma gradual que não cause um choque no povo a ponto de reconhecer um perigo iminente a sua sobrevivência, a possibilidade de revolta é baixa, logo a situação se mantem e cresce aos poucos até o ponto do colapso ou total servidão voluntária. Ao final, parece que nossos políticos dominaram a arte da exata quantidade de pão e circo necessário para manter um povo miserável e sob controle, longe de representar perigo a sua dominância e poder totalitário.

Publicado em Ateísmo Político

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Fabio Sandi é bacharel em turismo (Universidade Positivo) e especialista em negócios internacionais (FAE Business School). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

4 comentários sobre “Brasil: a abundância que gera miséria

  1. Boa Sandi, e uma pancada necessária a respeito da “boiling frog” o negócio é Get out while you still can!!! É nesta masmorra que o povo brasileiro descansa o orgulho de tapar o sol com a peneira. E no final, como bem escreveu, tudo se resolve com pão e circo. Abs

    Publicado por elicordeirojr | 13 de maio de 2013, 9:34 pm
    • Parece que enquanto há o suficiente para ser roubado e sobrar um pouco para a população, o suficiente para não se rebelarem a tendência e de sermos cozidos lentamente com um belo sorriso no rosto e sermos servidos como iguaria na mesa de jantar destes sociopatas.

      Publicado por fabiosandi | 13 de maio de 2013, 9:42 pm
      • Existe um causo de púlpito que vou relatar (me desculpem aqueles que já estão carecas de escutar…): Como se cozinha uma rã? Primeiro coloca-se uma panela com água morna (nem fria nem quente para não causar choque nela). Depois coloca-se a rã. Então ela se sente “aconchegante”… Para cozinhá-la, aumenta-se a temperatura gradativamente, até ela chegar a um estado de “não-retorno” (point of no return). E assim, podemos incluí-la no cardápio. (ha ha ha ha). Mas é claro, é só uma estoriazinha de púlpito viu! Nada de teorizarmos (risos).

        Publicado por Eder Silva | 14 de maio de 2013, 5:47 pm
  2. que textÓtimo Fabio… e falando em Belo sorriso no rosto, Circo, Água morna, Aconchego, Pão, Iguarias, Cozinhar, Jantar… pra que mexer, pra que retorno? eu “não-retorno” mais aqui, prefiro (infinitas vezes) ficar Boiando! hehe

    Publicado por anovamente | 14 de maio de 2013, 7:02 pm

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