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Carlos Evangelista, Violência e Cidadania

Lei Seca e a crise dos bares e boates

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Com a rigidez da nova Lei Seca (12.760 de 20/12/2012, Resolução 432/2013) ditada pelo governo federal em dezembro de 2012, os donos de bares, restaurantes e casas noturnas vem sentindo no bolso a repercussão da medida. Os prejuízos são muitos, e estão relacionados a redução sistemática que chega a 50% no volume na venda de bebida s alcoólicas em relação a anos anteriores, o que para muitos comerciantes e empresários inviabiliza a manutenção do negócio. A conseqüência deste impacto são bares fechando e proprietários trabalhando no vermelho até acertarem nas opções cabíveis na exploração comercial do negócio.
Muitos comerciantes acostumados a lucrarem com a venda de bebidas alcoólicas quando ofereciam petiscos e atrativos visando o consumo de álcool, estão em apuros diante do medo dos motoristas consumidores, que sabem beber e dirigir, seja perto e pior longe, é sinônimo de pesadas multas, apreensão do veículo e prisão do condutor
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Alguns motoristas ainda arriscam e bebem muito e se acham espertos ou sortudos e ainda não caíram em nenhuma blitz, mas o abuso pode acabar em flagrante. Os mais prevenidos sumiram dos bares, boates e bailões, ou optam por água, refrigerantes e um bom estoque de álcool em casa, ou nos motéis, já que são costumeiras as blitz policiais nas proximidades das conhecidas passarelas do álcool. Brasil afora Daí meu caro, o risco de ser pego é grande, pois a polícia vem apertando o cerco no cumprimento da lei, como forma de reduzir os acidentes no trânsito e obviamente arrecadar dinheiro aos cofres públicos.
O resultado da medida é o aumento de placas de aluga ou vende-se que vão dos pequenos botecos aos grandes “bares executivos às boates”. Porém o trânsito continua violento e matando gente, talvez por causa das péssimas condições das vias e rodovias. Quem está ganhando até agora com a nova lei em vigor, convenhamos são os cofres públicos, transformados em discretas indústrias de arrecadação, a exemplo das lombadas e radares eletrônicos.

Nota: No Brasil, a violência no trânsito é uma das principais causas de mortalidade. Somente em 2010, 42.844 pessoas perderam a vida no trânsito e outras milhares ficaram com sequelas decorrentes dos acidentes. Só em 2011, foram registradas 155 mil internações no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionadas a acidentes de trânsito, o que representou um custo de mais de R$ 200 milhões.
Esse valor leva em conta apenas as internações na rede hospitalar pública, sem considerar os custos dos atendimentos imediatos às vítimas feitos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (Samu), nas Unidades de Pronto Socorro e Pronto Atendimento e na reabilitação do paciente com consultas, exames, fisioterapia, dentre outros.

Fonte:
http://www.brasil.gov.br
Ministério das Cidades
Agência Brasil
Portal Brasil
Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

Um comentário sobre “Lei Seca e a crise dos bares e boates

  1. trago dois questionamentos: é significante a queda no número de acidentes violentos após a nova regra? Há fiscalização suficiente e eficiente?

    Publicado por joseaugustohartmann | 14 de abril de 2013, 9:19 pm

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