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Eder Silva, Instituições e Processos Políticos

Idealismos utópicos e a reificação da hipocrisia dilacerante

Terror 3                                                                            (Guilhotina, representando o Terror de Robespierre)

Uma das figuras centrais da Revolução Francesa se concentra na pessoa e nos ideais de Jean Jacques Rousseau, natural de Genebra e descendente de pais burgueses medianos.

Rousseau teve uma infância e juventude conturbada, com pequenos crimes de roubo e fraudes.

Com a ambição de se tornar famoso e considerado como filósofo da vaidade, mais tarde, sob influência do amigo Diderot, lança-se na teoria política através do livro “Do contrato social”, no qual causa considerável desconforto e afronta à aristocracia dominante. Constantemente sofre de uma espécie de síndrome do pânico, pois queixava-se continuamente de estar sendo perseguido, fruto de sua facilidade e arranjar inimizades onde quer que colocasse a pranta de seus pés. Era severamente acusado por sua inescrupulosidade de enviar todos os seus 5 filhos ao orfanato sob o pretexto de não ter condições para cria-los.

É notório que nenhum pensador deva ser julgado pela sua vida privada, mas  retornando ao processo revolucionário, seus escritos, além de muito úteis como alicerce de construção ideológica na sociedade, eram transmitidos de uma maneira eloquente e fervorosa, encontrando sempre discípulos apaixonadamente anestesiados e inebriantemente convencidos de que a solução para purgar a corrupção ora reinante na França imperialista seria concentrar as ações pensando a política a partir das grandes categorias abstratas (consciente coletivo) através do velho e surrado discurso hipócrita: a igualdade, o proletariado, a raça, etc… ao invés de se pensar na desconstrução / conscientização das misérias do indivíduo (consciência individual) como ser errante, mas pensante.

Todo o aparato ideológico – trágico traduzido nas manifestações e transformações radicais às quais ocorreram na França foram evidentemente natimortos ou na melhor das hipóteses, naufragados nos eventos que sucederam aos personagens que, de perseguidores dos corruptos, tornaram-se corruptos também, e, pagaram com suas vidas com o mesmo método ao qual utilizaram para matar seus rivais.

O que ficou desta revolução foi o legado positivo, mas relativo, das liberdades individuais desde que não conflitantes com os interesses do grande Leviatã, o Estado. De resto, ficam apenas fagulhas da tentativa utópica de nos libertarmos da transitoriedade e das sutilezas de nossa natureza corruptível.

Enquanto que “os canalhas amam a Humanidade (com H maiúsculo), cabe aos grandes homens a capacidade de exercer a sua humanidade (com h minúsculo)”.

Até quando continuaremos adornando o pavão de nossa hipocrisia, coando um mosquito e engolindo um camelo?

Texto baseado em:

ROUSSEAU, Jean Jacques. Coleção os Pensadores.

COUTINHO, João Pereira. Os canalhas da humanidade

Eder Silva é especialista em Sociologia Política (UFPR); bacharel em Turismo (UP). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

4 comentários sobre “Idealismos utópicos e a reificação da hipocrisia dilacerante

  1. Essa é uma figura antiga que até os dias de hoje está diariamente nos trâmites comerciais de nosso cotidiano. “O contrato social” grande insight.. Agora sobre “libertarmos da transitoriedade e das sutilezas de nossa natureza corruptível” acho que vamos coar muitos mosquitos e engolir “camaros amarelos” eeeheheh abs

    Publicado por elicordeirojr | 12 de abril de 2013, 10:52 am
  2. A idéia foi justamente essa mesmo Eli, demonstrar que, a exemplo dos muitos movimentos do consciente coletivo, e, porque não às vezes inconsciente coletivo, essa revolução francesa também pode se enquadrar como uma tentativa utópica em melhorar nossa miserabilidade hereditária… Então, por outro lado, eu acredito que ficou algum legado positivo, que foi justamente a obra o contrato social, mesmo onde veio ao agrado de uns e desagrado de outros ao logo das eras!
    Abraços e até semana que vem, amigo.

    Publicado por Eder Silva | 12 de abril de 2013, 6:35 pm
  3. Rousseau reflete bem o modo de pensar dos iluministas, firmemente crentes num projeto para a humanidade. Parece-nos um pouco ingênua, entretanto quantas mudanças não pautaram?! Grande tema, clássico.

    Publicado por joseaugustohartmann | 14 de abril de 2013, 9:28 pm
    • Excelente consideração sobre a obra de Rousseau, Hartmann, embora o propósito do texto foi somente traçar um paralelo entre as idéias utópicas de melhorar a humanidade partindo do coletivo para individual, e, noutra linha, o paradoxo da obra do Rousseau com o seu estilo de vida (vulgar, descompromissado com família, e ambicioso na fama). Mas, quanto a sua obra, concordo que deixou realmente um legado positivo para as transformações sociais que até hoje ressoam. Abraços.

      Publicado por Eder Silva | 15 de abril de 2013, 10:45 am

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