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Cotidiano, Eder Silva, Eli Cordeiro Jr.

Progresso e a verdadeira utopia

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Progresso!? Muitas vezes iríamos “por a mão no bolso” e não ter nada e continuarmos assim.

Muitos reclamam sobre falta de dinheiro, pouco status social, falta de sucesso profissional, permanecendo constantemente insatisfeitos com o dinheiro que nunca sobra. Essa é uma realidade que não esta presente apenas na classe C, pois as classes A e B estão no mesmo modelo de “queixas”.

Após o “boom” da revolução industrial os meios de consumo e o circulo vicioso do capital invadiram a mente da coletividade, desta forma, induzindo e moldando nossa cultura para o “Ter”, deixando-nos  mergulhados em um emaranhado de insegurança e estresse, desta forma  ocasionando a decomposição das ideologias. Não que estas eram favoráveis ou não ao desenvolvimento humano. Mas, o que já estava confuso, sucumbiu-se também à perda de “identidade”.

Pertencer à direita, esquerda ou meio tanto faz. A realidade é que estamos dentro de um sistema que consome reservas naturais que são transformadas em insumos, e que, consequentemente, satisfazem as necessidades básicas fomentadas pelo capital. Logo, grande parte da ação humana está condicionada a uma rede desenfreada de consumismo predador, canibalesco.

O conceito de sustentabilidade em tese parece bonito e adequado, mas é só mais uma justificativa para continuarmos neste “ciclo destrutivo”, a saber, fazendo-nos de vítimas quando somos, por certo, os principais causadores de toda sorte de desarranjo social, econômico e ecológico.

Assim, a questão não é apenas de por a mão no bolso e ver que sempre se está sem dinheiro ou mesmo de repensar em ostentar um novo BMW.

A questão é repensar a palavra “Progresso”, até que ponto uma nação deve progredir? – Até satisfazer a necessidade da população do país? – Como fazer isso, se a população está em uma constante de aumento? O que, verdadeiramente, significa progresso nesta contextualização?

Nesses últimos 500 anos decidimos progredir; fazendo guerras para derrubar partidos de “todos os lados”, passar por diversas epidemias e no futuro criar uma espécie de “união europeia” ou “união latino americana”, decorrente de uma ideologia ou atitude denominada “globalização”, uma vez que as próprias nações, individualmente, não dão mais conta do controle da própria economia.

O ser humano não tem o hábito de “se por” no lugar do outro, e sim de tomar iniciativas quando já é tarde, ou quando já não “aguenta nas pernas”. Ora, tão fácil seria a administração de nosso progresso tendo como exemplos clássico o dos vizinhos europeus. Isso evitaria muito derramamento de sangue. Mas o homem é por natureza duro de coração, egocêntrico e irremediavelmente orgulhoso. Culpamos o coletivo, e nunca deixamos a culpa cair individualmente.
Investir pesado em tecnologias. Então o aumento tecnológico levaria a um consumo maior para a poluição que esta crescendo dia após dia. Isso iria contra o discurso de ambientalistas (que nascem a todo o momento) que defendem a não poluição da camada de ozônio.

Nota-se hoje que a principal limitação tecnológica não está no custo de importação de “cérebros da china”, e sim em uma relação direta ao impacto desta atitude sobre o meio ambiente. Então até que ponto investir em tecnologias? Satisfazer necessidades que são, na verdade, simulacro de falsas necessidades, uma vez que o discurso no mundo todo é o do “direito a vida, ou melhores condições de vida”.

Nesta mesma linha de raciocínio podemos pensar nos investimentos em educação. Ensinar o que? A dominarem o inglês ou o mandarim, para aplicarem a formula anti-natureza de emissões brutais de gazes na atmosfera? Muitos bons feitos a escola inglesa e norte americana fizeram durante seu desenvolvimento, porém, vejo que temos que olhar para isso de forma madura e moderadamente desconfiada, aplicando o conhecimento com o respeito a vida e as gerações futuras, investir em ensino com consciência e ponderação.

O repensar da palavra progresso é de alto grau de comprometimento e responsabilidade. Muitas vezes iríamos “por a mão no bolso” e não ter nada e continuarmos assim, pois, responsabilidade não está ligada diretamente ao lucro e sim de um alto grau de cobrança pelo bem comum. É fácil olhar para o quadro caótico de educação precária e botar a culpa nos políticos, e tirar o corpo fora das responsabilidades que também são nossas para construção de uma Nação.

Eli Cordeiro Junior é bacharel em administração (UFPR) e especialista em sociologia política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

 

O problema enraizado em uma mentalidade potencialmente egolátrica.

Idéias provocadoras de sérias reflexões rolam diariamente nas redes sociais. Situações que são apontadas de maneira a descontruir tópico por tópico as “aparentes soluções apontadas pelos inúmeros movimentos, ongs, legiões de homens que se intitulam pensadores ou pacificadores”… Digo aparentes, pois, elas irão desembocar num mesmo “abismo”,  a saber: não há solução, e a palavra progresso, na verdade, sempre recai em uma verdadeira utopia quando almejado primordialmente na coletividade. Mesmo travestidas nas melhores das intenções serão fadadas ao desuso, ao descaso, permanecendo somente como discursos e não como atitudes.

Não solucionando, mas provocando com a idéia de que nós sempre nos rodearemos com problemas aos quais não conseguiremos superá-los ou suporta-los ou estabiliza-los sem ao menos, primeiramente, compreendermos que são, via de regra, fruto de nossa natureza hipocritamente endurecida por um pensamento no qual sempre tentaremos desviar a atenção, apontando “causadores” externos (os sistemas economicos, as instituições políticas, as culturas antropofágicas, os fundamentalismos religiosos, etc, e etc…) Sempre apontando fatores externos e nunca internos, nunca intrínsicos à nossa própria natureza miseravelmente falida de sepulcros caiados… Esse é o contexto ao qual estamos sutilmente inseridos. Uma matrix, um simulacro de falsa justiça, de falsa percepção, de uma missão que nos submetemos cegamente, mas que não trará o efeito necessário. Uma droga que não cura a ferida, mas que leva ao vício angustiante e anestesiante da dura realidade.

Minha visão é de que o problema está enraizado na consciência, numa mentalidade potencialmente egolátrica, egocêntrica… sempre recairemos nesse joguete, ao qual daremos tudo para escondê-lo, disfarçar a miserabilidade. Nunca enfrentar o problema no cerne, no âmago, no íntimo, mas sim, sempre superficialmente, externamente.

A provocação virá em forma de uma espada, que corta dos dois lados, a saber: um simulacro da solução baseada na conclamação de um coletivo voltado ao desenvolvimento humano, ou na formulação de hipótese na qual através de uma reflexão individual pode-se chegar ao primeiro e essencial passo da possibilidade em aplicar na coletividade.

Cabe a você decidir: concentrar suas energias e boas intenções de mudança através do coletivo, ou começar por você mesmo!

Eder Silva é especialista em Sociologia Política (UFPR); bacharel em Turismo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Sobre Eder Silva

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Discussão

6 comentários sobre “Progresso e a verdadeira utopia

  1. talvez, o que estamos dizendo é que é preciso (urgente) aprender os Valores Humanos (sobre o que é ser!), desenvolver a autoconsciência, o que na verdade, é um exercício prático de relações humanas (trocas) para o bem dessa existência (do convívio). O tempo das teorias ideológicas já se foram (foram importantes)… mas é agora, o momento da nova atitude de mudança, de transformação… estamos no ‘Vazio’, nesse Excesso Oco! as Instituições não dão conta, as Leis não dão conta, a Economia, a Tecnologia, Medicina, Farmacêutica não dão conta do universo de cada ser, é somente ele quem poderá criar (possibilitar) o possível bem estar coletivo… Ser o exemplo (responsabilizar-se) ainda é o caminho, rumo a uma nova Educação Universal!

    Publicado por anovamente | 26 de março de 2013, 1:11 pm
  2. Uma visão muito pessimista, pois nada é possível para “melhorar” a vida humana. Afinal, “Um coletivo voltado ao desenvolvimento humano” não seria possível pois temos uma “natureza hipocritamente endurecida” e isso seria apenas “desviar a [nossa] atenção, apontando “causadores” externos”, “apontando fatores externos e nunca internos, nunca intrínsicos à nossa própria natureza miseravelmente falida de sepulcros caiados…”, e no fim das contas, essas ideias “irão desembocar num mesmo “abismo””. Por outro lado, a “reflexão individual” também cai no mesmo problema de nossa natureza decaída. Assim que parece, caro Eder, que você não nos deixa muitas escolhas, rsrsrs.
    abraço

    Publicado por joseaugustohartmann | 26 de março de 2013, 1:12 pm
    • hehe… acho que é isso: ‘Sem Escolhas’! o Mundo (atual) é fruto da nossa (velha) plantação. Então, é inevitavelmente necessário replantar. E quem está disposto a fazer isso? quem?

      Publicado por anovamente | 26 de março de 2013, 1:38 pm
      • Fala Adriano. Parece que você sacou bem a essência da velha folha de figueira. Não quis citar no texto, mas tinha quase certeza de que você iria redesenhá-la em seu comentário.

        Publicado por Eder Silva | 26 de março de 2013, 11:22 pm
    • Pensei agora numa frase do Chico Science, na qual diz: “…e eu desorganizando posso me organizar; e eu me organizando posso desorganizar…”. Acho que é mais ou menos assim, saca. Mas, partindo primeiro do coletivo pro indivíduo, impossível. Da lama ao caos, do caos à lama, então!
      Valew pelo upgrade. Abç.

      Publicado por Eder Silva | 26 de março de 2013, 11:20 pm
  3. Olá amigos pensadores, o post é uma “intimação” ao eu e a todos, interessante o ponto de vista “natureza hipocritamente endurecida” conforme citação do Hartmann, é claro que nada poderia ser feito sem “aprender os Valores Humanos” ou reaprender estes valores. O desfecho da velha folha de figueira, fecha o assunto. É isso aí meus amigos, já estou com o gosto de café com blogagem na boca, hehehehe. Até lá.

    Publicado por elicordeirojr | 27 de março de 2013, 4:04 pm

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