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Ciência Política, José Augusto Hartmann

Capitalismo e Welfare State

A crise econômica que eclodiu em 2008, e ainda se faz sentir atualmente, tem suas origens no descontrole causado pelo livre mercado. Desde o século XIX, quando o capitalismo se consolidou, a teoria do liberalismo econômico começou a ser levada a sério por muitos empresários, que forçaram um encolhimento do Estado. Com a miragem dos baixos impostos, conseguiu barrar uma rede de proteção mais eficiente aos trabalhadores.

Entretanto, ciclicamente o capitalismo vem mostrando que essa miragem pode não levar à um oásis. Desde o século XIX são percebidas crises que levam a uma profunda recessão e, consequentemente, desemprego e problemas sociais como violência, miséria e embrutecimento. 1929 chocou um mundo em que as comunicações já conseguiam divulgar os efeitos dessa tragédia. É nesse contexto, e elevado à catástrofe que a I Guerra proporcionou que os fascismos se alimentarão. Mas, por outro lado, é também nesse contexto que uma nova proposta se consolidará, a de um Estado que promova segurança social, ainda que não rompa com o poderoso Capital.

O economista John Maynard Keynes (1883-1946) funcionário do Ministério das Finanças da Inglaterra em 1915, quando chefiava a delegação da Conferência de Paz da I Guerra Mundial, discordou profundamente das restrições impostas à Alemanha, o que o levou a desligar-se do governo. Em 1944, dirigiu a delegação britânica na Conferência de Bretton Woods, de onde surgiu o F.M.I. e o Banco Mundial.

Em 1936, enquanto a Inglaterra e mesmo a Europa passavam por uma forte crise, pós-1929, foi publicada sua mais importante obra, a “Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro”. Aí Keynes afirmava que “salários baixos acarretam insuficiência do poder aquisitivo, o que conduz à contração da demanda e, conseqüentemente, à baixa de preços, subprodução e desemprego”[1]. Assim, o desemprego só poderia ser combatido através de intervenção estatal, que deve estimular o consumo através da redistribuição de renda dirigida pelo incremento dos investimentos públicos. Entre esses investimentos destaca-se a Previdência Social, mecanismos compensatórios de desemprego e fomento à uma estrutura (física e intelectual) que permita o desenvolvimento da economia.

Para Keynes a máxima da dona de casa, defendida, por exemplo, pelos nossos neoliberais do DEM-PSDB acaba por gerar desemprego, uma vez que trava a economia. Na medida em que o Estado tira seu time de campo e deixa que o mercado regule a economia, a cobiça do empresariado, num momento de crise – criada por eles mesmos – irá retirar esse dinheiro de circulação, levando a economia ao fundo do poço. Mas, se por outro lado, o Estado, e diga-se com o dinheiro de todos, inclusive trabalhadores, investir na economia, com mecanismos como o seguro-desemprego ou outras bolsas e obras públicas, o tombo será menor, uma vez que haverá dinheiro circulando – não é a circulação a máxima do capitalismo?! Assim, Keynes defendia um controle estatal dos gastos e da demanda, através da Macroeconomia, ao invés da propriedade e oferta.

Keynes, portanto, será um dos principais teóricos do “Welfare State”, que ganhará importância no período pós-II Guerra, pelo menos até Thatcher-Reagan. O “keynesianismo” seria, então, uma defesa do capitalismo com democracia, em oposição, não somente ao laissez-faire, mas também ao socialismo stalinista soviético e aos demais fascismos.

[1] ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. Vol. 12. KEYNES. p. 6611.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

2 comentários sobre “Capitalismo e Welfare State

  1. Ótimo texto Hartmann, relembrando as aulas com o Prof. Nelson Rosário!

    Publicado por Eder Silva | 4 de março de 2013, 10:15 am
  2. Valeu Eder…boas aulas que tivemos…

    Publicado por joseaugustohartmann | 4 de março de 2013, 11:37 am

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