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Instituições e Processos Políticos, José Augusto Hartmann

Breve história política do Brasil (Redemocratização – II parte)

Novamente o país vivia uma crise política. Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito diretamente após o golpe de 1964 renunciara na véspera de sua cassação. Isso não impediu que o processo de Impeachment fosse levado a cabo, condenando-o. Assumia seu vice, Itamar Franco, que teria a função de terminar o mandato (1990-1994), estabilizar politicamente o país e, talvez a mais difícil das missões, controlar a economia e acalmar capitalistas e trabalhadores.

Itamar manteve os rumos econômicos iniciados, mas buscou incentivar a indústria nacional. Seu plano de criar “carros populares” fez renascer o Fusca. Para o ministério da Fazenda chamou o senador paulista Fernando Henrique Cardoso, que seria responsável por implementar um novo plano econômico – e uma nova moeda – o Real. Com o Real a inflação caiu drasticamente, o que melhorou a relação do país com o mercado.

Como “pai do Plano Real”, Fernando Henrique se elegeria presidente, derrotando o favorito Luís Inácio “Lula” da Silva. FHC, como passaria a ser chamado levou o governo para uma aliança de centro-direita, liderada por, além de seu partido, o PFL, de Antônio Carlos Magalhães. Essa aliança acelerou o processo de privatizações, atingindo, inclusive, grandes empresas como a Vale do Rio Doce. Contudo, fora a estabilidade inflacionária, tal aliança não conseguia incrementar o emprego, que , percentualmente, diminuía paulatinamente. Como “pai do Real” e consequentemente da estabilidade, FHC se reelegeu, após uma manobra no Congresso para possibilitar sua participação numa nova eleição – o que não era permitido até então. Sua popularidade, entretanto, somente diminuiria, tornando-se o presidente com menores índices de aceitação no final de seu segundo mandato.

O fracasso do modelo proposto por PSDB-PFL fez ganhar força o, muitas vezes derrotado, líder do Partido dos Trabalhadores. Luiz Inácio “Lula” da Silva ganhou as eleições de 2002 sob uma grande expectativa de que acabasse com a desigualdade social, a alarmante corrupção e, principalmente, os altos índices de desemprego. Seu maior sucesso foi no combate ao desemprego, incluindo milhares de pessoas no mercado de consumo. Essa fórmula fez com que pudesse se reeleger em 2006 e fizesse sua sucessora em 2010. O PSDB perderia com o ex-ministro da Saúde de FHC, José Serra, que encarnou, principalmente no último pleito, uma personalidade conservadora, atacando temas religiosos, e, em 2006, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Os primeiros anos do século XXI são marcados, portanto, pela ruptura com o modelo neoliberal iniciado no começo da redemocratização brasileira. Também marcam esses anos, a difusão de centros no mundo, rompendo com o modelo unipolar que se instaurou após a queda da União Soviética. Alguns países ditos emergentes começaram a se impor na cena internacional, destacando-se os BRICS. O comércio Sul-Sul ganhou mais destaque e a hegemonia ocidental  passa a ser posta em dúvidas quanto à sua perenidade.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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