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Carlos Evangelista, Estudos de Gênero

REALITY SHOWS: ENTRETENIMENTO, BESTIALIDADE OU SADISMO?

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O Reality Shows no Brasil é considerado um passatempo para muitos e uma porcaria decadente para milhões de brasileiros. É sempre a mesma coisa. O formato já enjoou e não mais agrada a totalidade daquele público de antes. Os adolescentes não perdem tempo com o besteirol. Os velhinhos acham um despudor. Sobram os adultos que dividem as opiniões entre os testes físicos extenuantes abobalhados, as brigas, intrigas, exibicionismo hétero, homo, bi e transexual, palavrões, orgias, bebedeiras, agressões, revanches e disputa por espaço na premiação, sempre lembrada em milhões e outros milhões arrecadados com as ligações do 0800 nas diversas emissoras que optam pelo formato importado. Exemplo disso é a casa dos artistas, casa dos desesperados, a fazenda, no limite,namoro na TV e outros.
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No exemplo brasileiro do BBB, que agora completa a edição de número treze, foram muitas as histórias, as premiações transformadas em dinheiro e lugar na seleta aldeia global, ainda que sejam para mostrar músculos, bundas, peitos e rostinhos bonitinhos. Vale até chorar para ficar mais emocionante e convincente de que tudo é real e que os bons sentimentos existem em nome da grana. Questionar o talento jornalístico de Pedro Bial em prol de um programa dessa natureza é quase envergonhar o jornalismo brasileiro. Mas por dinheiro vale quase tudo.

Os rituais de sofrimento em provas de dez ou vinte horas é fichinha para o telespectador que teima em não ser sádico, mas está aprendendo ser sinestésico. O brasileiro tem que ser forte, não pode abalar, quer superar os desafios por mais estúpidos e sem sentido que sejam. O importante é não fugir da luta.
Fernanda-BBB
A guerra começa no processo seletivo. Vence os mais bonitinhos, engraçados ou problemáticos. É preciso trabalhar muito para não ser demitido. Só a sorte não vale. É preciso mostrar garra. O sofrimento alheio atrai o público. Ai se fosse eu dava logo um murro na cara dele ou dela e acabava com tudo, a exemplo de muitos participantes nervosinhos que abandonaram e mandaram às favas os atraentes milhões em detrimento da liberdade do caráter ou da coisa combinada.

Dinheiro fácil e provas humilhantes para homens e mulheres. Não demora pais autorizarão filhos menores, inteligentes e de corpos perfeitos à participação. Aí será a degradação sexual explícita. Ou alguém espera ver um trabalhador desdentado, idoso, deficiente físico, ou pobre de marré ganhar um BBB? Objetivo é a audiência em forma de retorno dos milhões. É baratinho ligar, participe, vote para eliminar esse, aquele ou aquela e encha o bolso do diretor, do Bial, da senhora globo e de um monte de sangue suga do povo brasileiro em nome do entretenimento bestial e anticultural dum Brasil que tanto carece de educação e cultura e bem menos dessas idiotices extremamente nocivas ao conceito de família, religião e ideais concretos.
Os reality shows pioneiros
Embora boa parte dos reality shows da TV norte-americana dos anos 60 e 70 fossem games shows e programas de calouros, surgiram algumas novidades. Merv Griffin criou diversos game shows inovadores, entre os quais “Jeopardy!” e “Wheel of Fortune”. Chuck Barris também chegou ao mercado e inventou um modelo novo de game show. “The Dating Game” estreou em 1965 e era gravado diante de uma audiência. Três solteiros ou solteiras disputavam um encontro com o participante instalado do lado oposto do palco, que não podia vê-los. O programa resultou em dezenas de cópias – inclusive uma brasileira, “Namoro na TV”, comandada por Sílvio Santos. Aproveitando o sucesso de “The Dating Game”, Barris se tornou produtor de outros reality shows, entre os quais o popular programa de calouros “The Gong Show”.
Muitos consideram “An American Family” como o primeiro reality show
Outro tipo de reality show estreou em 1973 – um documentário em 12 episódios chamado “An American Family”, que acompanhava o cotidiano da família Loud ao longo de um período de sete meses. O programa era verdadeiramente inovador, mostrando os problemas conjugais dos Loud e expondo sem timidez o estilo de vida abertamente gay do filho mais velho do casal. A revista TV Guide considera que “An American Family” tenha sido o primeiro reality show.
Em 1988, os roteiristas de TV realizaram uma greve de 22 semanas de duração que prejudicou seriamente a programação das redes. Diversas redes já tinham pelo menos um reality show em sua programação, mas canais como a Fox passaram a exibir reality shows durante a greve e continuaram a fazê-lo posteriormente. Naquela temporada, a Fox estreou “Cops”, um dos mais antigos programas de TV ainda em cartaz (continua a ser exibido todas as noites de sábado). O programa acompanha policiais de diversos locais do país, gravando suas respostas reais a chamados e ameaças. “America’s Funniest Home Videos” e “America’s Most Wanted” também estrearam nessa época, e continuam firmes.
A próxima grande virada na televisão surgiu em 1992, quando a MTV lançou “The Real World”. O canal formou uma dupla que envolvia Mary-Ellis Bunim, ex-roteirista de novelas, e Jonathan Murray, cujo histórico envolvia documentários e notícias, e os encarregou de produzir uma novela de sucesso para a geração MTV. Eles fizeram o que lhes foi pedido, mas os executivos da MTV consideraram o projeto caro demais. Por isso, Bunim e Murray perguntaram se poderiam gravar seu projeto de improviso, sem roteiro ou atores. Quando a MTV aprovou a idéia, eles realizaram audições com centenas de pessoas entre 18 e 25 anos, e montaram um elenco de sete membros. Depois, encheram de câmeras, produtores e editores um loft em Nova York e filmaram a interação entre os membros do grupo por três meses. O sucesso imediato (que ainda continua) gerou um derivativo chamado “Road Rules” – e inspirou inúmeras cópias.
Oito anos mais tarde, “Survivor” mudaria o panorama das redes de TV aberta.
No Brasil
No Brasil, os reality shows surgiram com “No Limite”, em 2001, que é uma versão brasileira do “Survivor”. Naquele mesmo ano o SBT apresentou a “Casa dos Artistas”, que contou com grande audiência.

No entanto, foram os reality shows como Big Brother Brasil e Ídolos que caíram no gosto dos brasileiros. Em especial o primeiro, que teve sua primeira edição em 2002 (neste primeiro ano foram realizadas duas edições) e, desde então, conta com uma edição por ano. Este ano o Big Brother Brasil está na sua décima terceira temporada. O programa Ídolos já contou com duas temporadas em 2006 e 2007.

Outro reality show de destaque por aqui é “O Aprendiz”, apresentado pelo empresário Roberto Justus. “O Aprendiz” é baseado no formato do norte-americano “The Apprentice”, apresentado por Donald Trump.
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No rol dos vencedores do BBB um “vida torta” venceu e ganhou papel nos trapalhões. Uma bonitinha virou atriz. Um gay virou deputado federal, outro lá se suicidou de overdose por piração, etc, etc.

Mas o fenômeno é atual e a vida é sim um reality show diário, seja no trabalho árduo, na busca de emprego, na fila do supermercado, na fila do banco, nas repartições públicas e até na conquista de um amor. Quem não sabe, não quer, ou não sabe lutar e montar estratégias, que se dane, está fora e ninguém vai ter pena. É um fraco, demente, incapaz, feio e burro.

Agora sou mais e vou torcer para aquela gostosona. Sinceramente torço pra que dê certo e que ela vença, pois além de bonita me parece uma pessoa boa de coração. Até quando não sei.
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Enquanto isso, por um período de quase três meses, o povo brasileiro experimenta esse ópio, que curte quem quer ou vence na hora de ligar a TV na escolha livre do que quer da vida. E a justiça, em nome da liberdade de expressão apenas observa.
Fonte: http://lazer.hsw.uol.com.br/reality-show.htm

Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

3 comentários sobre “REALITY SHOWS: ENTRETENIMENTO, BESTIALIDADE OU SADISMO?

  1. é Entretenimento é Bestialidade é Sadismo é Show é Realidade. A TV de forma geral visa Audiência=Dinheiro… se é Reality Show, Novela, Programa de Auditório, de Variedades, Filme Popular, não importa… é a Moda da Novidade ‘Média’ (parafraseando Cazuza) custe o que custar. Sinceramente não sei se Realitys são piores que outras programações. A educação das pessoas não problema das Mídias, ou também é? Me interessa discutir esse assunto… um abraço.

    Publicado por anovamente | 18 de janeiro de 2013, 12:01 pm
  2. Verdade Caro Adriano, lamentavelmente a mídia está se abstendo do cunho social em decorrência da grana…

    Publicado por carlosevangelistajorLC | 20 de janeiro de 2013, 9:40 am
  3. É Adriano, como diz mesmo o Cazuza: “…na moda da Nova Idade Média”. Há quem diga que o povo gosta mesmo é de pão e circo, e não sou eu quem vai discordar dessa suposição!
    Um abraço aos grandes irmãos, e que Deus nos proteja de tanta esquizitisse!

    Publicado por Eder Silva | 21 de janeiro de 2013, 3:33 pm

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