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José Augusto Hartmann, Políticas Públicas

Para uma nova independência

Quando espanhóis e portugueses aportaram por essas terras, talvez não tivessem a noção da sua grandeza territorial. Buscando especiarias e novos produtos para as crescentes nações dividiam o que poderia haver. Para isso, recorriam à chancela de uma das mais tradicionais instituições existentes, a Igreja Católica.

Assim se puseram à frente de outros Estados emergentes, como Inglaterra e Holanda, que não tardariam a desbancar os concorrentes ibéricos. Devido a cobiça dos países do norte, Portugal e Espanha correram para a colonização, realizada as custas de muitas vidas e ferimentos. Nessa corrida pelo ouro, impuseram, junto com seus concorrentes/aliados, um novo modo de vida para o mundo inteiro. Posicionaram-se, para além disso, no cume do novo mundo, enchendo suas burras com os metais americanos.

O século XIX viu uma grande crise política nos países europeus. Isso facilitou às já estabelecidas instituições políticas criolas romperem com as amarras europeias. Uma série de independências se deu na América e instituíram-se novos países. Hoje a América Latina comporta uma grande economia e grandes e tradicionais cidades. Entre esses países, o Brasil surge como um mercado emergente, para o que precisa resolver problemas nunca antes atacados, como a desigualdade social.

Além de  uma grande desigualdade dentro das cidades, há uma profunda diferença entre suas regiões. É sabido que inicialmente se deu a ocupação portuguêsa do litoral, além de pequenas áreas na Amazônia. Mesmo dentro de regiões e estados a diferença é alarmante. O Paraná, por exemplo, abriga municípios com índices de desenvolvimento humano dos piores do mundo, com alta mortalidade infantil, pouca estrutura hospitalar e, mesmo, de ensino.

Entre todos os problemas que colaboram com a desigualdade social e sua acarretante violência, está a desigualdade da estrutura educacional. Os mercados capitalistas que se formaram após o mercantilismo têm como base a diferenciação de renda. Por outro lado, trabalhos mais especializados e complexos têm, em grande medida, uma remuneração mais alta. Nesse contexto, a exclusão de um sistema de ensino qualificado propicia a impossibilidade de uma remuneração aos excluídos.

Assim que, existência de um modelo desigual fundamenta a desigualdade social. Nesse aspecto, faz-se necessária a existência de uma regulamentação e controle estatal de todo o modelo de ensino, que vise a formação de cidadãos e pessoas letradas. Essa formação é uma das únicas saídas atuais para o problema da desigualdade. Havendo um sistema educacional desigual, saberemos de onde saem os trabalhadores de cada segmento – diga-se ricos e pobres. Isso, ao que parece, só interessa aos ricos.

A escola precisa formar cidadãos e letrados para que possam decidir seu futuro, da melhor maneira possível. Essa é ainda uma solução conservadora, que não atinge a característica mais cruel do capitalismo, isto é, a necessidade de patrões e empregados sem que se leve em conta, necessariamente, o mérito. Entretanto, creio, um sistema educacional que não privilegie a formação de mão-de-obra, diretamente, pode diminuir a característica perversa da ode à ostentação e a exclusão financeira.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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