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Instituições e Processos Políticos, José Augusto Hartmann

Breve história política do Brasil (Redemocratização – I parte)

A década de 1980 é conhecida como “década perdida” para o Brasil. O país se afundava numa inflação mostruosa. A economia retraía-se, não havia industrialização significativa, os salários encolhiam e o desemprego aumentava. A desigualdade do país continuava abissal. Os militares abandonaram a condução política do país, com uma população exigindo democratização e reconhecimento de direitos civis, políticos e sociais.

O primeiro presidente civil após o longo período de ditadura, José Sarney, tentou combater os esses problemas. Criou uma nova moeda, o Cruzado, decretou moratória da dívida externa e congelou preços e salários. Buscou estimular um programa de recolhimento de impostos, com maior rigor sobre a emissão de notas fiscais. Mas o plano fracassaria. Investimentos estrangeiros diminuíram (e já eram poucos), houve desabastecimento e a inflação continuou subindo. A equipe econômica de Sarney não conseguia resolver os problemas que fragilizavam a economia subdesenvolvida.

No campo político, elegeu-se uma Assembleia Constituínte. Essa Assembleia fez promulgar a nova Constituição do país em 1988. Apresentada pelo presidente da Câmara, o deputado Ulisses Guimarães, ficou conhecida como Constituição Cidadã. O apelido se dava pois buscava romper com a restrição de direitos do período anterior. Privilegiou-se a reconhecimento da cidadania e levantou-se uma série de direitos sociais, como a moradia, educação e saúde universal. Foram convocadas eleições diretas para presidente para o ano de 1989ficando, extraordinariamente, a legislatura de Sarney, estendida a 5 anos.

Em 1989 se deu uma eleição muito ampla. Vários candidatos buscavam apresentar seus modelos de nação. Destacou-se a posição conservadora de Paulo Maluf, a candidatura mdbista de Ulisses Guimarães, a novidade dos tucanos com Mario Covas, a restituição do trabalhismo com Leonel Brizola, a união de movimentos sociais no Partido dos Trabalhadores, com Lula, a volta de socialistas e comunistas, como o PCB de Roberto Freire, e a ascensão do desconhecido PRN de Fernando Collor. No decorrer das eleições se tentou lançar a candidatura popular dede Silvio Santos, entretanto foi impugnada pelo TSE, por não ser apresentada em prazo compatível.

O início da corrida eleitoral é marcado pela força de candidatos conhecidos como Brizola e Guimarães. Contudo, ver-se-ia a força de novos movimentos. Lula ultrapassou Brizola e chegou ao segundo turno como representante da esquerda. Collor se tornou o representante da direita, propondo um programa neoliberal. Lula saía como favorito no segundo turno, com o apoio da maioria dos candidatos derrotados. Mas Collor tinha um apoio fundamental, a gigante da mídia Rede Globo. O jovem governador de Alagoas venceu por uma pequena margem de votos e tornou-se o primeiro presidente eleito desde João Goulart.

Fernando Collor de Mello abriu a economia, fez retornar o Cruzeiro, para o que confiscou as poupanças. A burguesia brasileira desconfiou. Collor foi, então, pego em um esquema de caixa 2 na campanha. Delatado pelo seu irmão, Pedro, foi investigado numa CPI. Renunciou quando se viu derrotado. O processo continuou e o ex-presidente foi condenado. Ficou inelegível por 8 anos. Seu tesoureiro, Paulo César Farias também foi condenado. Alguns anos mais tarde foi assassinado num caso sem clara solução.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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