//
você está lendo...
Instituições e Processos Políticos, José Augusto Hartmann

Breve história política do Brasil (Era Vargas)

Dando continuação a meu pequeno projeto positivista, pra não dizer que dessa água não beberei, chegamos ao terceiro período analisado nessa “breve história”. Iniciado no Brasil Império, verificamos a consolidação das instituições políticas e de alguns vícios que seriam inseridos nas entranhas da política brasileira. Isso ficou mais visível ao chegarmos à Primeira República, num regime mais próximo ao que vivemos atualmente.

Tendo fracassado o modelo do Café-com-Leite, devido a vários fatores, como a crise internacional, o aumento da população urbana (ainda incipiente) e a ascensão de novas oligarquias regionais (talvez mais devido a fragilização dos paulistas que da força do gado gaúcho e nordestino), um novo modelo se acentava no poder com a “Revolução de 1930”. Sustentada pelas “novas” oligarquias ascendentes e também pelo apoio de setores das Forças Armadas (lembremos dos tenentes e dos marinheiros da primeira década do século XX), Júlio Prestes foi impedido de assumir a presidência. O acordo não declarado (provavelmente nem entre eles) de Minas Gerais e São Paulo foi rompido pelos paulistas. Estando Washington Luís na presidência, a próxima legislatura deveria ser de um mineiro. Entretanto o PRP não abriu mão de lançar  Prestes.

Vargas chegava ao poder para um mandato tampão até que novas eleições ocorressem, pelo menos na teoria. Posteriormente a Assembleia Constituínte o manteria por mais uma legislatura, prevendo eleições para 1938. Mas Vargas gostou do posto e em 1937 escancarava uma ditadura vislumbrada nos fascismos europeus. Não que não tivéssemos nosso próprio partido desavergonhadamente fascista, o Integralismo de Plínio Salgado. Entretanto esse nunca chegou a ter a força que Salgado desejou. Poucos tiveram a pachorra de saudar-se com o Anauê! Num golpe frustrado foram desbaratados. Vargas, por outro lado, construiu uma política ambígua. Por um lado se inspirava nos fascistas. Controle dos sindicatos, Concessões aos trabalhadores. Perseguição violenta aos opositores (principalmente integralistas e comunistas). Programa industrial e nacionalismo exacerbado. Programa de propaganda do Governo e do líder, por meio do D.I.P. e da Hora do Brasil. Por outro, alinhava-se, cada vez mais, aos estadunidenses, seu maior parceiro econômico. Tanto que lutamos lado-a-lado com os americanos na II Guerra.

Finda a II Guerra não havia mais clima para manter tal ditadura num país que lutara contra o Eixo na Europa. Eliminou-se a repressão política e os partidos puderam se reorganizar (destaque para a volta à legalidade do PCB). Eleições foram convocadas e Vargas conseguiu fazer seu sucessor, seu ex-ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra. Dutra, entretanto, não estava aberto às liberalidades do fim do governo Vargas e logo repôs o PCB na ilegalidade. Se a brutal polícia política do Estado Novo já havia praticado torturas incontáveis aos membros do Partidão, e mesmo enviado Olga Benário para a Alemanha Nazista, Dutra retomou uma política linha dura e sem diálogo.

A cama foi arrumada e em 1950 o agora senador Vargas voltava nos braços do povo, eleito  presidente. Seu governo foi mais uma vez marcado pelo fortalecimento da indústria nacional e estatal. Após C.S.N., a Petrobrás foi a grande bola da vez, botando o Brasil no caminho da industrialização. Mas esse governo não teria nenhuma tranquilidade. Vargas sofreu uma forte oposição. Atacado febrilmente pela imprensa, encarnada, principalmente, na figura de Carlos Lacerda, não conseguiu se sustentar após o atentado ao jornalista na Rua Toneleiro. Vargas viu que seu governo chegava ao fim e haviam duas possibilidades: sair de cena e voltar para a estância, ou morrer pelo seu modelo. Optou pela segunda. Morto em 1954, Vargas salvou o modelo da industrialização do Brasil. Seu vice, Nereu Ramos levaria o gocverno até o próximo ano. Quando o ex-governador Juscelino Kubitschek , aliado a João Goulart, o ministro do Trabalho de Vargas, venceu com a meta de crescer 50 anos em 5.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

Anúncios

Discussão

2 comentários sobre “Breve história política do Brasil (Era Vargas)

  1. Excelente texto, amigo. Posso estar enganado, mas tá merecendo uma parte 2, pra deleite e felicidade geral da nação! Abraços e até semana que vem.

    Publicado por Eder Silva | 13 de dezembro de 2012, 9:40 pm
  2. Valeu Eder! Estou fazendo um caminho bastante superficial. Uma parte 2 seria ótimo. Verei se volto ao assunto em outra ocasião. Abraço.

    Publicado por joseaugustohartmann | 15 de dezembro de 2012, 12:47 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: