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Cotidiano, Eder Silva

Zona de conforto ou Zona de confronto ou Zorra total?

Passados já pelo menos uns 400 anos do período feudal, e, algumas semanas desde o processo de escolha do novo representante para o “cargo” de prefeito em Curitiba. Diante dos desdobramentos aos quais alguns acreditam serem frutos de uma nova linhagem de gestão, visto que, por um lado, o então ex-prefeito não conseguiu permanecer no poder, e, por outro lado, outro candidato da oposição, mas também com características oligarquizantes, Ratinho, não conseguiu realizar o sonho de consumo seu pai, Ratão pai; assim posto, vejo uma possibilidade de expressar algumas assertivas com defesa aos estudos relacionados  à existência de uma “elite do poder” ou “oligarquia” no campo da política no Paraná, mais especificamente em Curitiba.

Sei muito bem que seria pretenção exagerada eu me ensinuar como “pesquisador da ciência política”. Embora seja uma honra aspirar nesta empreitada, ainda não tenho os gabaritos, capacitação suficiente, tampouco os lauréis. Não é essa a fonte de meu desejo que me lança nesta reflexão, escrevendo este post, mas sim, algo que me deixou perplexamente escandalizado como cidadão comum.

Então, recorro à argumentação munida de fatos ocorridos nesta ultima campanha eleitoral, cujos candidatos  utilizaram-se de diversas propagandas, entre as quais, a costumeira contratação de free lancers para agitarem as bandeirolas nas ruas, em horário de expediente. Até aí, tudo bem, mesmo não concordando com os altos “lauréis” utilizados com dinheiro publico, aplicando-o nesse cenário, enfim, é o que determina a lei (com h minúsculo mesmo)…

Por curiosidade, fiquei por diversas ocasiões observando o perfil destes free lancers, sendo que os que estavam “a serviço” do candidato que concorria à reeleição, apresentava um perfil / visual bastante diferente dos que trabalhavam para os demais candidatos. Eram pessoas muito bem trajadas, com roupas um pouco mais requintadas, e, que pareciam estar bem estabilizadas  na sociedade. Daí, partiu outra curiosidade, de perguntar a algumas pessoas que são funcionárias públicas municipais e algumas outras que possuem cargo por indicação, sobre a possiblidade de serem “convocadas” para fazer (voluntariamente) campanha, empunhando as bandeirolas do o então prefeito candidato a reeleição. Às vezes percebi que a pessoa ficava constrangida em abrir o jogo. Mas, na maioria das vezes, o que escutei foi justamente o que eu já vinha desconfiando. Por diversas gestões anteriores, sempre que havia o período eleitoral, os funcionários que se negassem a trabalhar “voluntariamente” nas campanhas, pasmem, em horário de expediente, então corriam o risco de: 1) no caso dos cargos de confiança, serem demitidas, substituídas caso o candidato (patrão) da posição levasse a melhor. 2) No caso das concursadas, serem transferidas para outro setor, para outro departamento em bairros muito distantes de suas residências, ficando de “castigo” até não suportarem mais e, voluntariamente, pedirem suas contas, chutarem o balde!

Em seguida, conversei com alguns conhecidos, profissionais e estudantes do ramo publicidade e propaganda, jornalismo e direito, sobre a legalidade de se tirar o servidor publico municipal de seu serviço, ou, no caso se estes estiverem em férias, fazê-los trabalhar “voluntariamente” na campanha, em prol do candidato a reeleição. Para tanto, as respostas que obtive claramente eram restritivas sobre este tipo de conduta. E é aí que entra minha inquietação, minha irritação referente a esse joguinho de esconde-esconde…

Mas, aí eu pergunto: Por que ninguém, até hoje, colocou a boca no trombone? Até onde eu sei, nunca ouvi nenhuma denúncia partindo destas condutas corruptivas oligárquicas, opressoras e feudais.

Oras, é claro que eu entendo que somos “conduzidos pelo medo”, somos manipulados pelo “estomago”, e somos alienados  pelas “vaidades”. Mas indago: até onde vale a pena ficar nessa “zona de conforto” e ficar na janela “pra ver a banda passar cantando coisas de amor?”

Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações

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Discussão

5 comentários sobre “Zona de conforto ou Zona de confronto ou Zorra total?

  1. Éhhh meu caro… se fuçarmos mais um pouquinho, desmorona o castelo de cartas marcadas, desbotadas mas todo dia retocadas pela maldade humana… tristemente assistimos ao velho sucesso de bilheteria pública e ocultada… poiZé “ conduzidos pelo medo, manipulados pelo estomago e alienados pelas vaidades ”… disse tudo amigo de pacifismo!

    Publicado por anovamente | 28 de novembro de 2012, 2:54 pm
    • Ahhh, nobre poeta e amigo… eu sabia que essa última parte (pelo menos essa), você iria comentar! Cara, não tenho os dons, mas, as vezes, dá uns xiliques, e então, a coisa flui! Valew mesmo.

      Publicado por Eder Silva | 30 de novembro de 2012, 8:55 pm
  2. É meu amigo, minha mãe trabalhava em um posto de saúde da rede municipal e sofreu algumas retaliações por se negar a fazer campanha política. Os “chefes” obrigam os funcionários a fazer isto…. nosso sistema de saúde está pra lá de podre, mas acho melhor não discutirmos o assunto aqui….
    Como diria o grande Gandhi, talvez não estejamos preparados para a mudança. Se afastar e não ser complacente com o sistema parece ser fácil, mas exige um grande desenvolvimento espiritual …

    Publicado por fabiosandi | 28 de novembro de 2012, 9:34 pm
    • Fala Fábio, valew pelos toques, e pelos tics! Veja, se somente o sistema de saúde tivesse pra lá de podre, ainda assim não cairia fogo do céu sobre essa sodoma e gomorra… Mas, como diz a velha e verdadeira história, não há um justo sequer, nem mesmo umzinho!!! Pra isso, vale mais nos vestirmos de pano de saco de batatas, e conclamar que todos se arrependam, que não se finjam de loucos; pois dias virão, onde não terão mais por onde se esconderem! Quem tem olhos que veja, quem tem ouvidos, que ouça!!! Desculpa a demora em responder, estava quebrando a cuca com a monografia, que mais está com cara de “mamografia” (risos) Abraços, e até a próxima mano.

      Publicado por Eder Silva | 30 de novembro de 2012, 8:51 pm
  3. Caro amigo Eder, há quanto tempo! Dando uma olhada nos meus e-mail, percebi este seu que eu ainda não havia me dignado ler. Perfeito! Suas constatações são, infelizmente, verossímeis! Essa conduta coronelista e corrupta do chefe do executivo municipal vem ocorrendo com frequencia nas últimas as eleições municipais, pelo que é de meu conhecimento. Tenho apenas um amigo (funcionário público municipal) que tem o desprazer de ser submetido a esse tipo de “convocação voluntária” para campanha em horário no qual deveriam estar prestando serviço ao cidadão curitibano. É uma incongruência mesmo! Até quando vamos permanecer nessa zona de conforto? Vamos ver o que ocorre nas próximas (daqui a 4 anos), com o Sr. Fruet, tão conhecido que é por sua reserva ética e moral… um abraço, meu amigo. E, já sabe, passando por Porto Alegre, por favor, venha me visitar!!!

    Publicado por Diogo Webler | 15 de dezembro de 2012, 7:27 am

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