//
você está lendo...
Instituições e Processos Políticos, José Augusto Hartmann

Breve história política do Brasil (República Velha)

[Texto de José Augusto Hartmann, Instituições e Processos Políticos] O Império ficara marcado pela formação de uma nação independente. Sua credibilidade era incerta no Primeiro Reinado. Sua unidade foi posta à prova no período regencial, mas no Segundo reinado consolidou-se o País Tropical. Seus maiores problemas também já estavam lá: desigualdade econômica e social, patrimonialismo e clientelismo, subdesenvolvimento educacional, tecnológico, de infraestrutura e científico.

Impulsionados por um sonho, ricos civis e militares, vislumbravam uma nação progressista. Os ideais de Ciência, Indústria e República do Positivismo de Auguste Comte deveriam acordar o gigante adormecido. Forjar heróis e um povo nacionalista. Criar uma nação “desenvolvida” e inovadora: empreendedora. Assim, romper com tudo que fosse “atrasado” e a ligasse ao seu passado colonial, submisso. Romper com Portugal, “religar-se” ao índio, mas ao índio romântico – o índio grego, Hércules, Prometeu, Ícaro.

Deste modo, em 1889, Dom Pedro II conhecia, abismado, o golpe que o levaria ao exílio europeu. A monarquia caía enquanto se erguia uma República positivista. Para romper com o Velho Continente, aproximava-se de uma propaganda de liberdade republicana: recebia o Noé de Estados Unidos do Brasil. Sua bandeira seria tão parecida com a dos vizinhos do norte que nem mesmo os positivistas do executivo a aguentariam.  Na sua direção um militar: Deodoro da Fonseca. Para erguer a economia convida uma das mais proeminentes figuras do país: Ruy Barbosa. Não tanto como sua carreira diplomática, o novo ministro não dará conta de um país que passaria a sofrer com a inflação. Deodoro renunciou sem nem completar um ano de governo. Seu vice, Floriano Peixoto não aceitou chamar novas eleições (como deveria fazer), e seu governo foi tido como uma ditadura até o fim.

Passada a República da Espada, iniciou-se a do Café com Leite. O patrimonialismo, o clientelismo e, agora, o coronelismo atingiriam o seu auge. As eleições foram praticamente universalizadas, até mesmo os mortos votavam. O voto de bico de pena garantia o poder dos coronéis, mandões locais que se garantiam pela força bruta e pelas benesses dos governadores. Governaram as oligarquias, principalmente a mineira e a paulista. Isso desagradava outras, que babavam pelo poder do Catete. Rio, Rio Grande e o Nordeste queriam chegar lá. Outras eram bons satélites. Como o Paraná e sua erva. Isso tudo era garantido pois os partidos eram locais, fortalecendo as figuras locais e os governadores.

Essa governabilidade sustentada na relação de coronéis e governadores seria interrompida pelo conflito entre Minas e São Paulo, pelo enfraquecimento das elites agrárioexportadoras  e pela ascensão de uma insipiente burguesia industrial. Todos contra o Café e chagava ao fim a Velha República.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

Anúncios

Discussão

Um comentário sobre “Breve história política do Brasil (República Velha)

  1. é isso aí… e o brasil segue república… não como gostariamos, mas pode melhorar… (tô num ar de Positivismo, hehe)

    Publicado por anovamente | 27 de novembro de 2012, 8:00 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: