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José Augusto Hartmann, Política e Sociedade

Eleições acabaram, e agora?

[Texto de José Augusto Hartmann, Política e Sociedade] Findas as eleições a cidade volta a sua rotina habitual. Transporte público superlotado, aumento do transporte individual, principalmente motorizado, e, consequentemente, engarrafado. Saúde pública carente de aumento de sua estrutura, assim como a assistência social municipal, o saneamento, educação, cultura, lazer, etc. O que se pode esperar com o processo encerrado?

Pela primeira vez na história dessa cidade o Partido dos Trabalhadores consegue chegar ao executivo. Não com o prefeito, mas na base da nova prefeitura e com a vice-prefeita indicada. Antes mesmo do resultado, sabia-se que o PSDB local sofrera forte golpe. Seu candidato, Luciano Ducci (PSB), não conseguiu chegar no segundo turno, mesmo com o apoio da máquina municipal e do governador do estado. Não era Ducci ou o PSB os grandes derrotados, mas o PSDB e o governador Beto Richa. Isso pois, fora questão de honra a escolha do candidato. Richa havia preterido Fruet, que caiu nos braços de Osmar Dias do PDT, aliado do governo federal. Nesse bojo, o PT paranaense, de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, soube atrair para seu projeto o pouco rejeitado nome de Fruet. De brinde levava um distanciamento do mensalão. Ficou para Richa o ônus da derrota, que pode render frutos nas próximas eleições para o governo do estado.

Curitiba, com isso, ganhará em inovação. Cai um grupo estabelecido na prefeitura a décadas. Não que Fruet possa ser chamado de “novidade”, mas leva consigo aquele que foi durante esses anos oposição. Conjuntamente, o apoio do governo federal, reencarrilhando o Paraná no eco da União, como foi sua tradição. Desse modo, Beto Richa contribui com mais uma (de tantas) pás de cal no neoliberalismo. O projeto petista de país atinge um dos redutos mais tradicionais da nação.

Deste modo, na prática, espera-se a continuação daqueles projetos urbanísticos lançados para a Copa do Mundo de Futebol. Espera-se o aumento dos programas assistenciais, assim como um envolvimento maior com os ministérios (como saúde e educação). O governo federal será a pauta do que se fará no município, do mesmo modo que o PSDB havia implantado seu modelo na década de 1990. De grandes novidades somente o golpe ao grupo de Richa na capital paranaense. Um bom exemplo disso é de Marcelo Richa, que, secretário de esporte do município, terá de investir por conta própria numa eventual candidatura à Câmara de Vereadores, sem o suporte da Secretaria.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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