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Eder Silva, Estudos de Gênero

As Gerações Cosmopoliticamente Corretas e seus Sucessores

Preocupados com as eleições? Sinceramente, acredito que não! Mas, o que me preocupa, a despeito de tanta politicagem, é a despoliticagem subjetiva e indiferente que passa na mente desta nossa juventude, aliás, que nem chega a passar na mente…

Neste clima, cego e tenso, vou me desintoxicar de toda acidez e ceticismo, falando alguma coisa sobre juventude.

Contrariando um pouco a Academia Internacional de Psicologia, que entende como “anti-social” o recurso de categorizar as gerações, apresentarei nesta publicação esta tendência, que tem ocorrido frequentemente nas conversas informais sobre o que chamamos de identidade de gerações.

Geração Perdida – Foram os que viveram sua juventude no período pós Primeira Guerra Mundial até o período pós Crise de 1929. Caracterizada pelo movimento literário onde, nas obras, era descrito sobre a condição sub humana na qual o indivíduo era submetido pelo Estado. Retrata uma certa crise de consciência, devido ás frustrações dos ideais revolucionários que acabaram por substituir o velho sistema. Livros como “O Sol também se Levanta”, de Hemingway, “O Doutor Jivago”, de Boris Pasternack,  “Demian” e “O lobo da estepe”, de Hermann Hesse e a poesia “The Hollow Men”, de T. S. Eliot descrevem muito bem o subconsciente desta geração. Na literatura, merece destaque: Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Ezra Pound, T. S. Eliot, Sherwood Anderson, James Joyce, Hermann Hesse, entre outros.

Geração Beatnik – Caracterizada pela necessidade de se encontrar a pureza intrínseca, a santidade, o “pio”, o “puro” e não os rótulos. São os que viveram sua juventude nos anos 50 e até meados dos 60. Suas maneiras de viver a contracultura, desconstruindo os pilares do stablishment, dos pré-estabelecidos dogmas criados por uma sociedade tecnocrática e moralmente hipócrita, foram a mola propulsora de jovens que largavam suas vidas monótonas e conservadoras e se atiravam na estrada. Alguns expoentes como Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William Burroughs, podem ser citados no campo da literatura, enquanto que o improviso frenético do jazz, das big bands, pode ser referenciado na música.

Geração “B”, de Baby Boomer – caracterizada pela juventude que viveu absorveu a cultura nos anos 60 e começo dos 70, geração “faça amor, não faça guerra”. Isto explica o termo “baby boom”, que traduz-se como explosão de “bebês”. É certo que houve explosão demográfica em diversas outras épocas, mas, neste caso, ocorre sob o efeito de um período pós Segunda Guerra, onde os soldados voltavam para casa, e, sob o instinto biológico muito comum em espécies que se encontram ameaçadas de extinção, caprichavam na luta pela perpetuação da espécie, fazendo amor, e não mais guerra. Estes jovens eram considerados filhos da Segunda Guerra.

Geração “X” – geração sem identidade, “no future”, oriunda das sub culturas da juventude britânica que viveram sua juventude na segunda metade dos anos 70 até a metade dos 80. Haviam os “mods” ou moderns, que eram os jovens de classe alta revoltados, tentando reutilizar o estilo beatnik, mas que de uma maneira mais comercial, mais pop. Na música temos bandas como The Who, início dos Beatles, e algumas bandas do estilo rock psicodélico. Seus rivais, os “rockers”, jovens de classe média, mais interessados na atitude, no visceral, na sonoridade selvagem “easy rider” de bandas como Steppenwolf, filmes como “Rumble Fish – O Selvagem da Motocicleta”, “The Outsiders – Vidas sem Rumo” de Francis Ford Coppola. E, at last but not least (por último, mas não menos importante), a sub cultura “punk”, do subúrbio, mais abertamente contestadora, com uma pitada de niilismo. Para eles, era normal manter relações sexuais antes do casamento, não acreditavam muito em Deus, não gostavam da Rainha Elizabeth II e não respeitavam os pais…

O livro, que depois se tornou filme “Geração X: contos para uma cultura acelerada”,  de 1991, do autor canadense Douglas Coupland descreve muito bem as características dessa geração. Também pode ser cidado filmes como “Sid e Nancy – Amor mata”, “Repo Men – A onda Punk”, entre outros. No Brasil, esta Geração teve sua referência na música “Geração Coca – cola”, da banda punk de Brasília, Legião Urbana, Geração caractarizada por consumir o lixo importado da moda do capitalismo americano.

Geração “Y” – Também chamada de Geração do Milênio. Viveram sua juventude no final dos 80 até o ano 2000 aproximadamente. Nascida em um período das pós-utopias, caracterizada por jovens engajados às causas sociais, preocupados com o meio ambiente, das ONGS, etc. Acostumados e terem o que querem, não se sujeitam a serem mandados, ambicionam sempre um alto posto, crescimento profissional, exercendo tarefas múltiplas.

É uma geração que se caracteriza pelo consumo veloz das novas tecnologias, das inovações, uma geração que inicia o período das “redes sociais” dos chats de conversação, do msn. O que pode traduzir bem esta geração é o clip “do the evolution”, da banda grunge de Seattle, Pearl Jam.

Geração “Z” – Esta geração caracteriza-se pelo termo “zapear”, ou seja, ter a seu dispor, ao mesmo tempo, todos os recursos possíveis como televisão, internet, video game, telefone móvel, mp3 players, contato e compartilhamento de informações e arquivos em tempo real por meio de redes sociais como msn, facebook, tweeter, bluetooth, etc. É a consolidação da World Wide Web como ferramenta.

Outra características desta geração é a de que, possivelmente não utilizará da enciclopédia ou de um dicionário para fazer suas pesquisas, tampouco manuseará uma lista telefônica, a não ser para separá-la na pilha do “lixo que não é lixo”.

É uma geração que pensa rápido, porém não muito profundamente sobre os temas; expressa demasiadamente suas subjetividades através de redes sociais, mas são pouco eficazes em escrever e refletir sobre política e economia, e muito menos dispostos a ouvir. Isto pode ser devido à enorme e incontrolável quantidade de informações geradas pelos meios de comunicação, fazendo com que se perca o foco principal do raciocínio, dispersando a percepção do real, em virtude do virtual.

Pode ser paradigmaticamente descrita como a geração “virtualmente desvirtuada”.

Com certeza há muitas outras maneiras de se caracterizar as gerações, talvez, de modo até fazer esgotar as letras do alfabeto, mas, o que eu procurei descrever foi justamente alguns dos modelos aos quais são facilmente identificáveis, generalizando pelo espírito da época, pelo contexto ao qual cada geração era submetida, influenciada, pressionada, expressando assim, como resposta, seu “uivo” manso ou raivoso. Lanço-me nesta trajetória instigando você, leitor, a rememorizar o que houve de maravilhoso ou bizarro no caminho percorrido, sem querer, é claro, encerrar o assunto por aqui.

Nesta estrada, enquanto houver fôlego, haja também excessões que devam ser reconsideradas em todas as eras!

(fonte: wikipedia e Dicionário Aurélio da Lingua Portuguesa, edição 2010)

Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

5 comentários sobre “As Gerações Cosmopoliticamente Corretas e seus Sucessores

  1. muito esclarecedora essa abordagem… que expressa de forma geral como se “deram se “dão” as gerações do século passado pra cá… só gostaria de citar as crianças Indigo (início dos anos 80) e Cristal (meados dos anos 90)… eis um outro olhar sobre as novas gerações… em meio a tantos acelerados e superficiais, há os sensíveis e profundos, não menos acelerados, hehe…

    Publicado por anovamente | 24 de outubro de 2012, 11:28 am
    • É isso mesmo Adriano, há as excessões, como eu apontei no texto, ainda bem que em toda situação há excessões… enchessões, imersões, e, injeções, só pra melhorar um pouquinho minha ansiedade em descrever essa juventude abençoada! Valew, amigo, pelo comentário.

      Publicado por Eder Silva | 24 de outubro de 2012, 3:15 pm
  2. Boa Eder, me chama a atenção para as 2 ultimas gerações “Y e Z” , o imediatismo e a superficialidade do conhecimento construindo mentes de “casca de ovo”. Esta fragilidade é preocupante, pois vem viciadas com a cultura dos excessos. Estamos bombardeados de ruídos, jornais, carros, informações… Espero que as próximas gerações, se preocupem com os fundamentos, princípios e bases, afinal “como construir algo bom, sem bases solidas?” Abraços

    Publicado por Eli | 24 de outubro de 2012, 1:11 pm
    • Realmente há uma infopoluição nas redes… pouco conteúdo crítico e aprofundado, mas muito conteúdo visual, e estéticamente raso. Olha, acredito que, na mesma medida que sofre-se o exagero de conteúdo pouco aproveitável nesta geração, sofria-se pela dificuldade de acesso a conteúdos no passado, devido ao coronelismo tupiniquin. Não sei realmente o que é pior, amigo. De qualquer jeito, em meio a esta selva informacional, essa aldeia global, há também muitos que sabem selecionar a informação e aplicá-la para a sociedade.
      Abraços e até o próximo café, amigo.

      Publicado por Eder Silva | 24 de outubro de 2012, 3:21 pm
  3. Muito bom, vou deixar para discutir o seu texto depois de terminar o que estou / estamos preparando. Acredito que vai contribuir para o tema

    Publicado por fabiosandi | 24 de outubro de 2012, 3:59 pm

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