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José Augusto Hartmann, Política e Sociedade

O pleito curitibano

[Texto de José Augusto Hartmann, Política e sociedade] O fim do primeiro turno em Curitiba trouxe uma surpresa. O candidato governista foi ultrapassado na última semana por Gustavo Fruet, da coligação PDT/PT/PV. Essa tendência foi se consolidando durante a semana até o, já não tão inesperado, resultado no dia da votação. Entretanto uma coisa surpreendeu até o menos cético: a derrota dos partidos ligados ao PSDB em Curitiba. A capital paranaense sempre foi conhecida pelo seu conservadorismo, assim, o que teria contribuído para a derrota do candidato do governador Beto Richa?

A questão se agrava se considerarmos que não somente o candidato apoiado pelo PT (que jamais venceu na cidade) foi ao segundo turno, mas, e principalmente, porque Ratinho Júnior, candidato do pequeno PSC e apoiado por seu pai, um apresentador de programa popular num canal que tradicionalmente se destina aos mais pobres, liderou em grande parte da campanha e consolidou a liderança. Por outro lado, mesmo com as diversas acusações de uso da máquina estatal, do estado e da prefeitura, o candidato do governador não consegue ao menos se colocar entre os dois primeiros.

Dois elementos devem ser amplamente considerados. Primeiramente, Ratinho Júnior conseguiu atrair para si os grupos mais pobres da cidade. Por uma questão de identificação, essa camada social apoiou o candidato que parece mais entender os seus anseios. Um candidato que propõe soluções para o transporte público, em um prazo menor que o atual prefeito propunha e mais realístico que o candidato pedetista. Sendo alguém que vive em um bairro mais afastado da cidade e tendo em seu pai uma figura muito carismática, Ratinho tinha tudo para se alavancar, por maiores que fossem os esforços do governador e da prefeitura.

Fruet, por outro lado, historicamente é um candidato ligado ao PSDB. Concorreu nas últimas eleições ao Senado, ficando em terceiro lugar. Após tal candidatura, foi preterido pelo grupo de Beto Richa e não conseguiu sustentação da cúpula nacional do PSDB para sair candidato do partido nas eleições municipais. Rompendo com os tucanos, Fruet foi acolhido pelo PDT de Osmar Dias e pelo PT de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo. Mesmo com o apoio petista e de Osmar, Fruet não se descolou da elite e da tradicional classe média curitibana. Isso contribuiu para que, quando perceberam as fraquezas do candidato do governador (e da gestão Richa/Ducci), migrassem para Fruet, ao verem-no crescer nessa última semana.

PSC e PT/PDT também souberam tecer um ótimo acordo. Ainda antes das eleições e da definição de todos os candidatos, acordaram em lançar dois candidatos e não se unirem naquele momento. Isso facilitaria a chegada de um dos dois ao segundo turno. Naquele momento Fruet liderava as pesquisas, enquanto Ducci era desconhecido e não se sabia muito sobre a campanha de Ratinho. Um dos primeiros atos de campanha dos dois grupos foi a ida do ex-presidente Lula ao programa do pai de Ratinho Júnior. O que talvez não se esperasse era conseguir que os dois candidatos vencessem o indicado de Beto Richa.

Agora, aparentemente, a coisa complica para Ratinho Júnior, que mantém seu apoio popular, contudo tende a ter em sua oposição muito dos mais de 200.000 eleitores de Ducci, que terão em Fruet alguém mais próximo do PSDB, ainda que, ironicamente (um castigo à Beto Richa), aliado ao PT de Lula.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

2 comentários sobre “O pleito curitibano

  1. éh… Curitiba cresceu e muito… então, a classe média encolheu… e os governantes tbm já não estavam atendendo “bem” a essa classe, e a classe pobre hoje em maioria, está de uma certa forma podendo decidir o futuro da cidade… Os candidatos em Curitiba vão logo, logo ficar mais populistas, se quiserem brigar pelo Poder… A Cidade SORRISO que enchia Os Olhos… quer Dentaduras e Comida farta pra encher a Barriga faminta…

    Publicado por anovamente | 10 de outubro de 2012, 12:17 pm
  2. Curitiba parece estar sem vergonha de se mostrar populista e popular. Muitos de seus cidadãos não querem mais o veu da moralidade que haviam-lhes imposto. Querem mostrar quem são, do que gostam…

    Publicado por joseaugustohartmann | 11 de outubro de 2012, 7:53 am

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