//
você está lendo...
Eder Silva, Política e Sociedade

[O outsider idiota] Para um Brasil Iconoclasta

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, pra onde?

(E agora, José, Carlos Drummond de Andrade)

Um espírito sutil e dominantemente devastador desemboca na esfera política oligárquica e opressora que temos visto e ouvido em nosso arraial. Se fosse só pelo fato de ser opressora, ainda haveria espaço para ideologias. Mas, na realidade, também é complexa, pois o problema habita na natureza de cada indivíduo, formando, assim, um coletivo insano e injusto, sobrepondo-se à importância do indivíduo como ser pensante e único. Seguindo este pressuposto, acredito não haver mais lugar para ideologias, e sim, para um ceticismo realista e, possivelmente, translúcido [ie. que ainda talvez permita a passagem de luz]. É o que temos hoje denominado de “conservadorismo realista britânico”.

Antes, quando éramos ‘democracia’ (entre aspas) ainda jovem, a ideologia pulsava bravamente em nossos corações. Agora o que nos resta é uma consciência amargamente reflexiva e nostálgica, estaticamente impotente à reformas necessárias.

Aproveitando a aproximação de mais um período de eleições, arrisco-me a sugerir que, pensar a Política em um país como o Brasil é como fazer uma reflexão sobre o inconsciente coletivo, é se lançar em um emaranhado de incongruências e não ter a noção de quando e como traçar a trajetória.

Digo isso porque não somente ouço rumores, mas também sofro as consequências da falta de personalidade daqueles que nos são impostos como candidatos a representantes dos interesses públicos.

Quando fiz a leitura do livro “Política e ciência, duas vocações”, de Max Weber, pude então compreender que quase nunca as pessoas adequadas assumem a função social por sua própria vocação, mas sim, por um discurso persuasivamente demagogo e egoísta fazendo-se chegar ao patamar almejado, às custas da ignorância ou pobreza de espírito de um povo alienado e mal acabado. Digo isto com tristeza, pois faço parte dessa massa atômica, desse coletivo natimorto e decadente. Uma sociedade “cheia de pessoas vazias”… conduzidas como gado comprado!

Estamos próximos de mais uma eleição, e, como o futebol e o carnaval, ou como um culto efervescente neopentecostal ou um grande evento da Amway, Herbalife, Forever, etc. as pessoas se agitam em um frenesi conjunto e esquisito, enquanto me reservo em minha irritação sombria e inexplicável. Não compreendo de onde vem esse espírito que nos impulsiona a refletir durante um longo período sobre as misérias oriundas de atitudes como uma gestão mal administrada ou à alienação religiosa / econômica, criticando o sistema, e, logo após, as mesmas pessoas que criticavam-no, exaltam-se sobremaneira, alienando-se a ponto de se lançar histericamente neste zurudumdum frenético e esquizofrênico propiciado por estas superestruturas culturais, que são justamente a política, o futebol , a religião ou a ambição da qual denomina-se no linguajar pós-moderno de “independência financeira”. Isso é tão pedante e falso que chega e me dar uma gastrite intensa! Temo ainda que muitos não saibam que o melhor conselho é “comprar ouro refinado no fogo”, pois este, “nem a traça e nem a ferrugem consomem”!

Mediante tais acontecimentos (eleições), o que tenho a fazer é utilizar de minha abstinência e não ir às urnas, ficar em casa, “fazendo cocô”, como diz em uma de suas letras a banda Garotos Podres [http://letras.mus.br/garotos-podres/68054/]. Pago a multa dos três reais e tantos, mas não me dou por vencido, pois não sou obrigado a comer o vômito que os partidos politicamente hipócritas lançam em meu prato cotidiano. Faço, então, meu jejum, abstendo-me dessas comidas sacrificadas aos ídolos (…) Ahh, me desculpem, hoje estou muito nervoso mesmo, hein! Mas, não vou comer dessa marmelada na lata enferrujada não, não vou fazer de conta que “o sistema é mal, mas minha turma é legal”, sei que viver é f#da, mas não quero fazer um filme (…). A minha escola não tem personagem, a minha escola tem gente de verdade (…) [http://letras.mus.br/legiao-urbana/46989/]. Utilizo-me então o termo idiota, não como o temos hoje em sua definição, mas como o exposto em uma de nossas aulas de sociologia política, evidenciando o “idiota” como era então na Grécia Antiga, a saber: Do latim idiota, originado do gregoantigo ἴδιώτης (idhiótis) , “um cidadão privado, individual”, derivado de ἴδιος (ídhios) , “o homem privado, em oposição ao homem de Estado”. Para os gregos da Antiguidade Clássica era “idiota” o sujeito que preenchendo as prerrogativas para participar da vida pública na polis, abdicava de fazê-lo (pt.wiktionary.org/wiki/idiota).

Mediante esse espírito de insanidade proposital e frenético, fico a pensar aqui com meus botões: – será que somos uma coletânea humanoide de clichês, que, ao longo dos séculos, tomou formas diferentes, recebeu logomarcas e trajou-se de logotipos apropriados à doença do século, e que hoje, de tanta simulação, nos faz pensar que aprendemos alguma coisa da mother universe?

Tenho por vista que, ao passo que me estremeço de desgosto, de irritação e injúria, tento me libertar dessa teia de embromação, deixando-me ser conduzido para um deserto onde os profetas foram formados ou forjados pelas mãos do Eterno. Então, me chega um refrigério tal qual minha alma se personifica em perfeição plena e pura, almejando assim a essência do real, do intangível, do inatingível pelos esforços humanos. Em outras palavras, faz-se necessário partir do princípio da “ação da não-ação”, parar com esse frenesi desenfreado e começar uma desconstrução daquilo que, perigosamente, temos estimulado com nossos ataques de emocionalismo positivista…

Se há alguma apologia em mim, que seja a de te alertar para livrar-se das superestruturas, porque elas vão devorar a tua carne, comer os teus miolos, fazer do teu sangue o refresco e de tuas entranhas a sobremesa do dia! O grande círculo da hipocrisia está se fechando, e ele precisa de tua adesão para chegar à então Unidade insólita e perversa da Torre de Babel!

Meu veredito – Um dia a Babilônia cairá, e todos que nela estiverem montados (na besta), se decepcionarão e serão lançados no abismo dos desejos eternamente inatingíveis. E, então, alguns remanescentes que tiveram a chance de antecipar sua decepção, seu desencanto, saberão das grandezas não reveladas e escondidas do Eldorado. Da terra que mana leite e mel. Comerá do fruto do jardim reinaugurado, se fartará do banquete eterno, saciará sua sede em uma fonte de águas vivas e limpas que jorram incessantemente; haverá cântico novo em seus lábios e motivos reais de fé, esperança, e Amor…

Minha proposta àqueles senhores de engenho pós-modernos que pensam poder dominar meu intelecto, digo-lhes que podem tomar o dinheiro, pois, o vil metal lhes pertence mesmo, e enferrujará. Mas, minha liberdade de dizer não a este sistema nefasto e homicida, isto não poderão usurpar, pois, nisto consiste a essência da democracia; de dizer não quando não lhe há opção!

Enquanto isso, na sala de justiça, nossos representantes brincam de super heróis embriagando-se da raiva compulsiva e cega do triunfalismo ianque à la “vingadores”…

Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações

Anúncios

Sobre Eder Silva

I'm a outsider

Discussão

3 comentários sobre “[O outsider idiota] Para um Brasil Iconoclasta

  1. que tijolada no cranio, que injeção na testa, que dedo nos olhos, que apunhalada no peito, que grito estridente, que silencio mortal, que susurro tenebroso, que facada no buxo, que mensagem reveladora, que manifestação do teu ser meu caro amigo irmão Eder… me sinto irmão mesmo, quando leio uma coisa crua dessa… agressivo, direto, no limite entre o responsável e o brutal…

    Publicado por anovamente | 1 de outubro de 2012, 9:01 pm
    • É aquilo que o Zé Ramalho nos orienta: “… quem tem o mel, dá o mel; quem tem o fel, dá o fel; e, quem nada tem, nada dá”. Para toda a estupidez e hipocrisia, meu repúdio e minha “indignação SILENCIOSA”.
      Valew, amigo, pelo comentário. Embora tenha saído de maneira um tanto impulsiva e instantânea, mas é o que eu tentei expressar prontamente. Obrigado pelos generosos comentários.

      Publicado por edervedder | 1 de outubro de 2012, 11:40 pm
      • mas é no impulsivo e instantâneo… que se manifesta uma face do ser… o Agressivo… contrapondo o Passivo… temos essas duas faces para nos expressar e para medir… Obrigado!

        Publicado por anovamente | 2 de outubro de 2012, 12:31 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: