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Convidados, Cotidiano

CUBA, VIVENDO O SOCIALISMO – PARTE 3

CIENFUEGOS

No primeiro fim de semana eu, Juliana e o Reynaldo saímos de Havana no sábado bem cedo e fomos para Cienfuegos, que é a cidade onde a Teresita e a Esperanza (outra professora) moram. Nós fomos de carro com um amigo do Reynaldo foi uma viajem tranqüila, apenas um pneu furado e nada de mais. Quando chegamos na casa da Teresita, por volta de 11:30hrs ela já começou fritar uns camarões pistola muito bons, e então almoçamos lá. Felizmente a casa da Teresita foi a mais ajeitada que eu vi em Cuba, claro que por dentro, porque por fora era a mesma precariedade, apesar de ser em um conjunto habitacional vertical. A Teresita tem dois filhos um homem de 23 e uma menina de 15, o filho da Teresita é engenheiro e ouvi falar que ele é muito bom, porém está ganhando US$12 por mês, eles estão apenas esperando a menina completar 18 para virem para o Brasil. Pela tarde fomos conhecer um pouco da cidade que não é muita coisa e acaba se resumindo em algumas praias, que na maioria esmagadora é preciso pagar como em todo o país, e uma praça central que tem uma arquitetura interessante, pois a cidade teve colonização Francesa, fato que talvez tenha ajudado pois a cidade era um pouco mais limpa.

Pela noite o filho da Teresita nos levou em um hotel que tinha no terraço um bar e um pessoal do lugar, porém tinha muitos estudantes da Colômbia e da Bolívia que estavam na universidade de Cienfuegos. Foi muito divertido, pois tinha um recreacionista do hotel lá que ficava fazendo brincadeiras, e eu e a Juliana éramos os únicos do Brasil e que não falávamos espanhol. Teve algumas brincadeiras que iam um representante de cada país, primeiro foi a Juliana que tinha que acertar uma laranja dentro de um pote com o joelho e depois cantar uma música, e ela acabou ganhado e então ganhamos um coquetel.

Praia Cienfuegos

Depois eu tive que ir e imitar uma mulher e no final eu acabei ganhado também e ganhamos mais um coquetel, foi uma fiasqueira só, durante a noite toda, porém os “brasileiros” foram o assunto por toda a noite, como os mais cara de pau e divertidos, sem contar que o Reynaldo estava junto então o assunto continua até hoje.

No domingo nós fomos para a praia e como um milagre conseguimos uma praia que não precisasse pagar, porém como nada é perfeito praticamente não existia comida e o pouco que se tinha era muito caro. Então passamos o dia lá, depois voltamos para a casa da Teresita e finalmente voltamos para Havana. Chegamos por volta de 22:30hrs, pois a viajem de carro durou aproximadamente 02:45 Horas.

VARADERO

Talvez este tenha sido o “capítulo” mais emocionante da viajem, e também claro os dias que eu comi nos lugares mais caros em minha vida até então, e o melhor de tudo “SEM PAGAR NADA”.

Quando chegamos em Varadero depois de cerca de duas horas de viajem que as coisas ficaram realmente diferentes. Nossos planos eram de chegar de manhã em Varadero, ficar na praia até a noite, comer alguma coisa, ir para uma boate para ficar até amanhecer, depois voltar à praia para dormir um pouco comer e voltar a tarde à Havana. Porém nossos planos mudaram um pouco.

Uma informação importante que é preciso saber para entender um pouco como algumas coisas aconteceram é que Varadero é um ístimo que tem o mar, areia, cerca de 50 metros de terra e um canal, ou seja Varadero é uma faixa de terra formada de praia hotel e uma rua, porém isto não acontece em toda sua extensão.

Quando descemos do taxi em Varadero foi uma cena de filme, porque olhamos para um lado, olhamos para o outro e falamos “pra onde vamos?”, resolvemos ir até a praia olhamos para os dois lados e resolvemos ir para a esquerda, tomamos um suco e começamos a andar, até que chegamos em um lugar que tinham algumas cadeiras vazias, então paramos e tomamos um banho de mar meio rápido porque até aqui o tempo estava bom com sol, calor, então muito rapidamente começo a vir umas nuvens e a esfriar, resolvemos então continuar caminhando até o final da praia, e em questão de nem meia hora quando já estávamos chegando no fim da praia começou a chover, e quando voltamos à Havana ficamos sabendo que aquele fim de semana foi o mais frio em não sei quantos anos, curitibano é uma raça a parte no que se diz respeito à clima.

Quando a chuva começou entramos em um lugar que aparentava ser um barzinho ao qual todos começaram a correr, depois que entramos percebemos que se tratava do restaurante de um hotel que por sinal era, se não o maior, um dos maiores e melhores de Varadero. Primeiramente fomos ao banheiro para nos lavar e depois comecei “tentar” falar com um Canadense que estava hospedado no hotel para saber como era o sistema do hotel, mas o indivíduo não falava Espanhol nem Inglês, mas no final descobrimos que era apenas ter uma fitinha no braço o que não adiantou muita coisa, porém nos encorajou, pois eu tinha uma fita do Nosso Senhor do Bonfim que era justamente verde, a cor da fita daquele hotel. Resolvemos então sentar à mesa e perguntar quanto era a refeição caso fosse muito caro iríamos apenas pedir um água e sair, porém quando perguntamos ao garçom quanto era a refeição ele nos disse que já estava tudo pago, que nós já havíamos pago tudo em nosso país, então antes que ele mudasse de idéia pedimos o almoço, que veio um prato daqueles “tipo francês” que impressionou, e a salada era no buffet. Comemos muito bem, principalmente eu, pois a Juliana é vegetariana e eu comi toda a carne do prato dela. Também haviam uns pãezinhos e margarina que pegamos um monte para garantir para o resto do fim de semana. Quando acabamos eu vi o garçom levando sorvete para algumas pessoas e perguntei ao garçom sobre o sorvete e ele já perguntou que sabor nós queríamos, não

Primeiro Golpe, Varadero

pensamos duas vezes e pedimos. Acabando o almoço fomos conhecer o hotel que é muito bonito. Fomos nas salas de jogos, até tirei um foto jogando video game, e depois descemos e sentamos em uma mesa de uma cafeteria do hotel e de repente o homem do balcão pergunta “querem alguma coisa?”, não hesitamos e comemos mais uma taça de sorvete, e saímos pela praia sem saber direito o que estava acontecendo, a única coisa que sabíamos era que estávamos bem satisfeitos. Voltamos caminhando pela praia e pensando sobre o ocorrido, de repente começa a chover de novo e acontece quase a mesma coisa em um outro hotel, porém este era mais singelo. Neste hotel o nosso “golpe” não deu certo e tivemos que pagar US$2,00 por um Mojito (bebida típica de Cuba) que tomamos, ficamos esperando a chuva passar e comemos os pães que havíamos pego, saímos pela frente do hotel na rua e começamos a caminhar com um pouco de pressa pois aparentava que ía começar a chover de novo, foi um bom trecho. Quando estávamos chegando perto de onde havíamos chego com o taxi de manhã resolvemos entrar em um pequeno restaurante para pedir informação e conhecemos um casal que nos explicou os sistemas dos hotéis em Varadero o qual é “All Inclused” que no valor da diária já está incluso todas as refeições e bebidas, explicando assim como conseguimos comer no hotel pois pensaram que éramos hóspedes principalmente pelo acento de estrangeiro e as fitas no pulso com cores diferentes que identificam os hóspedes. Este casal nos deu algumas dicas sobres as boates da cidade sobre preço, horários, como chegar nos lugares, e também ele nos conseguiram um lugar para tomar banho no qual o homem falou que teríamos que pagar apenas 20 Pesos o que equivale aproximadamente à U$1,00, eu já imaginava que esses 20 Pesos eram 20 Dólares, porque Peso Cubano em Cuba não se usa praticamente para nada, ainda mais em Varadero, mas a Juliana insistiu que eram Pesos Cubanos então fomos à tal casa na qual o homem já havia ligado dizendo que nós estávamos indo lá. Quando chegamos a mulher já estava nos esperando e fomos tomar banho mas na hora de sair e pagar para a mulher que foi o problema, pois quando eu tirei os 20 Pesos Cubanos da carteira a mulher falou que não eram Pesos Cubanos mas sim 20 Dólares, então eu tentei explicar para a mulher que o homem havia falado que eram 20 Pesos e como éramos estrangeiros pensamos que eram Pesos Cubanos, e também que não tínhamos condição de pagar 20 Dólares pois éramos estudantes. Felizmente ela acabou entendendo e não cobrou nada pelo banho dizendo o seguinte “hoje é por vocês, talvez amanhã seja por min” (gostei da atitude e estou tentando usar isto na minha vida), tivemos muita sorte, fomos embora e ficamos passeando um pouco para passar o tempo porque mesmo a boate, chamada “Havana Club”, sendo longe era apenas 19:30hrs, então desviamos um pouco o caminho para conhecer a cidade e entramos em um lugar onde nós tomamos um café e eu comi um cachorro-quente enquanto planejávamos o nosso café da manhã e o almoço. Enfim chegamos à boate, porém ainda estava fechada e tivemos que esperar mais um pouco mas não houve problema pois ali perto tinha um barzinho ao ar livre e demos um tempo ali e descobrimos um casal de meia idade também brasileiros. Tinha um show neste bar que até cantaram música brasileira. Finalmente quando entramos no Havana Club foi uma certa decepção, por dentro o lugar era meio tenebroso mas fazer o que nessas alturas do campeonato? Pagamos US$10,00 para entrar, e podia beber a vontade porém as bebidas eram um porcaria, queríamos ficar até uma 05:00hrs para sair e poder chegar no hotel do 1º golpe lá por umas 7:30hrs para tomar o café da manhã, mas resolvemos sair antes por volta de 3:00hrs e fomos caminhando paramos para comer em uma lanchonete, e continuamos andando, bem tem mais um detalhe nós estávamos vestidos como dois marginais, e também começou me dar uma dor de barriga muito forte, e ainda por cima um cachorro começou a nos seguir o que foi o bastante para me deixar mais irritado e com a Juliana rindo de mim, houve um momento que já não estava agüentando da dor de barriga e eu vi um hotel muito bonito que resolvi entrar para ir ao banheiro, a Juliana ficou no lobby do hotel conversando com um guardinha do hotel até que ela foi me chamar no banheiro pois eu já estava dormindo sentado na patente. Saímos do hotel e continuamos a caminhada até que já estávamos perto do hotel do café da manhã ficamos um pouco na frente de um pequeno centro comercial alí perto onde a Juliana me chamou de “menino de rua” que era mais ou menos como eu estava me sentindo naquele momento pois não tinha nem um lugar para a gente ir a não ser ficar na rua, porém para não dar pistas que nós não éramos hóspedes do hotel do golpe, pois alguém poderia nos ver lá quando começasse a amanhecer, usamos nossa cara de pau que já estava ficando gasta de tanto usar e voltamos um pouco e entramos e sentamos no sofá no lobby de um hotel ali perto e dormimos por duas horas no sofá sem ninguém nos incomodar. 8:00hrs levantamos e fomos tomar o café da manhã no hotel, entramos pela rua desta vez e combinamos o seguinte, “vamos entrar sem olhar para ninguém, normalmente como se fossemos hóspedes, se nos perguntarem alguma coisa nós estávamos apenas conhecendo o hotel pois somos estudantes de turismo no Brasil”. Entramos tranquilamente no hotel e

Praia de Varadero

fomos para o prédio onde era servido o café, acredito que foi o melhor café da manhã da minha vida, porém já quase no final do café um homem do restaurante começa olhar para o meu pulso, acredito eu procurando a pulseira que identifica os hóspedes, mas eu estava com uma blusa porque estava frio, quando eu falei para a Juliana isto nós acabamos rapidamente e saímos pela areia, passamos um “cagaço que ninguém imagina” e por algum tempo ficamos imaginando o que poderia ter nos acontecido caso nos pegassem, mas alguns minutos depois começamos tudo de novo pois o estômago fala mais alto ainda mais quando os planos estão dando certo. Começamos a fazer zig-zague por Varadero entrando e saindo nos hotéis vendo o horário do almoço dos respectivos restauranter, onde eram os banheiros para despistar, e quando nós menos esperávamos entramos junto com um grupo de turistas que estavam chegando naquele mesmo momento no hotel onde eu tinha ido no banheiro de madrugada. Foi muita sorte, fizemos o mesmo plano de sempre, entramos no hotel, a Juliana foi no banheiro eu fui ver a planta baixa do hotel nos quadros que tem e vi dois restaurantes fomos conhecer o hotel conhecemos até alguns funcionários e como ainda era 10:30hrs e o café ainda estava na mesa de um dos restaurantes ao ar livre tomei mais um café e ficamos conversando e esperando o almoço, enquanto isso conhecemos todo o hotel conversamos com alguns funcionários. O almoço foi ainda melhor que no outro hotel um buffet espetacular com umas sobremesas melhores ainda, o problema começou aparecer na hora de ir embora pois lá como em todos os outros lugares 99% dos hóspedes eram meio velhos, apenas nós jovens, e na saída da praia tinham alguns guardinhas do hotel estávamos preucupados, mas quando já estávamos acabando de comer um casal jovem com cerca de 23 –25 anos foram saíndo pela praia exatamente como nós com uma mochila pequena nas costas, abraçados porém com as pulseiras originais do hotel no braço então resolvemos fazer igual e saímos abraçados e torcendo para ninguém nos chamar, porém caso acontecesse algo nós éramos um casal brasileiro de lua de mel e tínhamos acabado de chegar com a excursão, mas graças à Deus deu tudo certo e saímos dali com sucesso e ainda passamos em uma feirinha comprar algumas coisas ainda como um casal para não dar nenhuma pista pois a feira era perto do hotel. Então depois das compras fomos para a rodoviária pegar o ônibus para vir embora para Havana. 

Fabio Sandi é bacharel em turismo (Universidade Positivo) e especialista em negócios internacionais (FAE Business School). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

2 comentários sobre “CUBA, VIVENDO O SOCIALISMO – PARTE 3

  1. hehehe… no início a comida era regulada, mas desta vez até esbanjando estavam… hahah, que aventura gastronomica hein!

    Publicado por anovamente | 24 de setembro de 2012, 8:16 pm
  2. Olá Fábio.

    Somos do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz-Paraná e também da Associação Cultural José Martí-Paraná.

    Debatemos e temos ações sobre a geopolítica e conhecemos também a Tere, o Rey e a Esperanza, el@s nos ajudaram a compreender mais e melhor Cuba o povo-a história-a revolução. Visitamos Havana-Cienfuegos-Santa Clara-Trinidad-Varadero que realmente vale a pena conhecer.

    Aproveito para convidá-l@s para a XXI Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba de 6 a 8 de Junho/2013 em Foz do Iguaçu. Estamos preparando a página do evento para entrar no ar.

    Saudações Solidárias.

    Professor Kico
    CEBRAPAZ-PR
    ACJM-PR

    Publicado por Professor Kico CEBRAPAZ-PR | 4 de janeiro de 2013, 2:54 pm

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