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Eder Silva, Violência e Cidadania

Aeroporto Internacional (?) Afonso Pena, um caso muito sério!

Ai daqueles que planejam maldade, dos que tramam o mal em suas camas! Quando alvorece, eles o executam, porque isso eles podem fazer. Cobiçam terrenos e se apoderam deles; cobiçam casas e as tomam. Fazem violência ao homem e à sua família; a ele e aos seus herdeiros…” (Livro do Profeta Miquéias, cap. 2)

Muitos de nós defendemos veementemente a idéia de que o homem evoluiu de uns tempos para cá. Há diversos estudos científicos, e há também alguns estudos religiosos que apresentam dados quase convincentes destinados à alimentar essa tese.

Mas, cada vez que tento compreender a natureza humana, me deparo com situações (fatos) que contradizem todos os argumentos que tentam colocar o homem como um ser em processo de evolução!

Algumas semanas apresentei a vocês 4 séries  de publicações a respeito da vida e obra de Henry David Thoreau, o rebelde de Concord (ve http://sociologiapolitica.com.br/2012/08/08/thoreau-sua-obra-literaria/ e http://sociologiapolitica.com.br/2012/08/15/thoreau-sua-influencia-na-atualidade/).

Nestes esboços, ficou claro que ele, após manifestar seu descontentamento com as injustiças sociais provocadas pelo governo civil aos negros, índios e mexicanos, com pretexto de “expansão territorial e progresso”, ao ver-se isolado em sua manifestação, preferiu passar algum tempo na natureza selvagem, livre das intorpecências provocadas pela sociedade alienada ao ideal expansionista. Neste tempo refletiu muito e escreveu muito. Mas, acima de tudo, viveu bem próximo à completa liberdade que um homem pode gozar nesta vida.

Nos seus primeiros parágrafos da obra entitulada “Resistência ao governo civil”, Thoreau expressa seu repúdio a uma forma de governo oligárquico. Por governo oligárquico entende-se: Forma de governo na qual um pequeno grupo de pessoas detém o poder.  Essas pessoas governam de modo ditatorial, sem o consentimento dos governados. Dizia ele:”O melhor governo é o que governa menos” ou, “o melhor governo é o que absolutamente nã governa”.

Dito isto, podemos refletir que hoje ocorre o mesmo em nossa sociedade pseudo-democrática. Ou seja, o governo que melhor governa é aquele que deixa o país progredir, é o governo que incentiva o trabalho, o lazer, o direito aos órfãos, viúvas, necessitados; que busca incentivar o pequeno trabalhador a buscar sempre a satisfação em seus negócios, enfim, procura fomentar o direito do trabalho à cada cidadão. Mas, a despeito destas últimas considerações, não é o que tem ocorrido em nosso país. Há uma tendência muito enfática ao controle social, mas sem um exemplo “moral” por parte da elite governante. Ou seja, ficamos naquele antigo lema utilizado nos tempos da ditadura: “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Não evoluímos em absolutamente nada, desde a transição da ditadura-democracia. Vivemos em uma nova espécie de ditadura, ou seja, a ditadura das elites. Só mudaram o sistema político, os donos continuam os mesmos! “O homem é fácil de ser enganado, pois confia no governo a ponto de sucumbir a ele, sem fiscalizar suas ações, crendo que desta forma estará em segurança. Os homens se submetem ao Estado e deixam de exigir por seus direitos pois temem perder sua propriedade“, assim, alimentando o grande monstro de dez cabeças que vai lhe comendo suas carnes aos poucos (Leviatã), tornando a história humana um ciclo vicioso que nunca acaba.

O que quero expressar com essas palavras é minha perplexidade com as últimas atitudes do governo municipal de São José dos Pinhais relativas a uma lei criada em maio deste ano que vem almejando monopolizar a exploração de serviços prestados aos usuários do sistema de transportes do aeroporto Afonso Pena. Esta lei (nº 1.990, de 28;05;2012) determina a todas as empresas de transporte tenham que abrir filial no município de SJP e se registrar em órgão fiscalizador (secretaria de transporte), para que possam continuar executando serviços no aeroporto ou que realizarem viagens a destinos que eventualmente tenham que passar pelo município. Ou seja, para utilizar as rodovias BR 277, BR 376 e Contorno as tranportadoras turísticas e de fretamento terão obrigatoriamente que portar em seus veículos licença emitida pela Secretaria municipal de transportes de SJP. Se você leu e entendeu o que está exposto, então não será difícil pensar na gravidade que este assunto poderá trazer para muitos usuários e setores privados do sistema de transporte público / privado. Visto que quase a totalidade das empresas curitibanas que prestam serviços no aeroporto internacional possuem registro junto à URBS (órgão fiscalizador de Curitiba), ainda se tem a necessidade de fazer registro em um órgão municipal de outro município. Ou seja, um órgão municipal exercendo fiscalização de competência estadual (intermunicipal). Há uma contradição que deve ser resolvido às pressas, pois, vejo que torna-se impraticável que estas empresas oriundas de Curitiba tenham obrigatoriamente que abrir filial em outro municipio para poder trafegar pelas rodovias e/ou ruas da cidade. Tenho conhecimento que houve em alguns municípios como Balneário Camburiú, Florianópolis e algumas cidades do litoral paulista o pedágio urbano ou, no caso do litoral paulista, uma taxa de permanência. Mas, no caso de SJP, não compreendo tais atitudes. Não nenhuma lógica…

O que me deixou ainda mais perplexo foram comentários tecidos por emissoras de rádio que deram cobertura na carreata que houve no dia 22/08, onde aproximadamente 300 vans expuseram seu manifesto descontente com os desmandos ocasionados pela Secretaria de transportes de SJP; comentários estes onde insinuavam que os manifestantes estavam agindo com baderna e desordem, conforme apontava o noticiário. O fato é que, antes mesmo de iniciar a manifestação (09:00), a Polícia Militar já estava no local (aeroporto Afonso Pena), e, quando da chegada dos manifestantes, não houve tumulto nem violência, pois os próprios dirigentes da associação ATVPAR (da categoria), direcionava os veículos para que liberassem uma das faixas, fazendo com que não houvesse bloqueio da via. Isso durou uns 20 minutos. Acredito que uma imprensa deve servir como um dos canais de informação à sociedade, com imparcialidade, e não como um dos braços de um governo municipal ou interesses excusos de uma elite empresarial.

Levando-se em conta o ocorrido, acredita-se falta de informações mais apuradas por parte da imprensa radialística ou ingenuidade das informações ali transmitidas por parte de alguns comentaristas ou ainda, mais agravante, uma possibilidade de que a notícia tenha sido comprada, deixando os ouvintes àquem da realidade dos fatos, dando margens à estigmatização social destinada à categoria manifestante, sendo que é a primeira vez que houve em Curitiba / SJP uma manifestação destes empresários do setor de transportes (fretamento). Para estes comentaristas digo que, para o vosso conhecimento, a presente constituição federal ainda dá direito de manifestação aos diversos setores de trabalhadores insatisfeitos com a degradante tendência oligárquica.
Por fim, saliento aos leitores que não ouve baderna alguma, mas a expressão pública do descontentamento às medidas arbitrárias e impensáveis das autoridades de um município que abriga um “aeroporto internacional”, e que em muito contribui para a receita do munícípio, a despeito do que pensam uma elite que ainda pensa estar vivendo no período colonial.

Infelizmente tenho a dizer que, no entendimento da nossa cultura política, o cidadão é moldado para atender os interesses das leis (ou dos que a criam) e não ao contrário, onde as leis seriam feitas para atender os interesses da sociedade.

Uma sociedade que pensa assim nunca terá personalidade e responsabilidade social suficiente para se dizer desenvolvida. Podemos nos gabar o quanto quisermos, mais ainda vivemos sob um sistema colonial / feudal, sob as trevas, distantes da luz. É o que penso!

Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações
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Sobre Eder Silva

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Discussão

4 comentários sobre “Aeroporto Internacional (?) Afonso Pena, um caso muito sério!

  1. É necessário tomar uma ação urgente para resolver esse imbróglio! Imagine se qualquer empresa que cruzar São José dos Pinhais a caminho de Santa Catarina ou de São Paulo ou mesmo em direção ao interior do Paraná tiver que registrar-se neste município! Talvez a ganância em arrecadar mais com vans que fazem trajetos entre o aeroporto e o centro de Curitiba tenha cegado os “idealizadores” de tal lei…quantos turistas são recebidos por uma van vinda do interior do Estado? Ou de Santa Catarina? E, junto a isso, quem vai fiscalizar??? É muita incompetência, para não dizer safadeza mesmo…abraços!

    Publicado por silvioavila | 5 de setembro de 2012, 11:48 am
  2. pois bem… a verdade está dita! Os Canais de Informação (Meios de Comunicação), não Deveriam ser Imparciais… eles DEVEM SER IMPARCIAIS… o também conhecido ” 4º Poder “, Os Empresários da Reportagem, exercem profissionalmente uma atividade Econômica… ou seja, Repassa as informações que lhe convém… que lhe der Lucro e também Poder! e não pelo Bem Comum, o mensageiro de Todos os Cidadãos… enfim, além deste fato inconstitucional no ” Aeroporto InterRegional “… ocorreu também o lastimável Ocultamento (ou deturpação) das Informações por parte dos MEIOS de COMUNICAÇÃO SOCIAL!!! um abraço caro Eder… e gostei da sitação…

    Publicado por anovamente | 5 de setembro de 2012, 1:33 pm
    • Sem dúvida isto é mais um exemplo da corrupção dos seres humanos em todos os níveis, não apenas no poder, pois se o “jornalista” que por definição deveria buscar os fatos para expo-los de maneira imparcial e instigar a discussão já está se corrompendo o que podemos esperar mais? Eu estive no aeroporto durante a manifestação e sou testemunha que não houve a tal baderna que foi anunciada.

      Publicado por fabiosandi | 5 de setembro de 2012, 8:42 pm
  3. ** quis dizer: gostei da citação… hehe **

    Publicado por anovamente | 5 de setembro de 2012, 1:36 pm

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