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Convidados, Cotidiano

Cuba, vivendo o socialismo – Parte 1

Esta será a primeira parte do relato da minha experiência em Cuba, ilusões , desilusões, mitos e fatos, além de muito aprendizado que ainda hoje me ajuda a  relacionar fatos, teorias e experiências opostas para assim aos poucos reduzir a minha inocência frente a natureza humana.

A DECISÃO

Inicialmente pensei em ir para a Espanha, porque algumas pessoas e amigas minhas tinham ido e me falaram que era muito bom, pois o meu objetivo principal era estudar Espanhol, porém estava muito caro. Então, como eu estava fazendo aulas de Espanhol aqui no Brasil com duas professoras Cubanas um dia uma delas (Teresita) comentou comigo sobre uma viagem apenas para passeio à Cuba e vi que os preços estavam muito mais convidativos do que ir para a Europa, eu também estava lendo um livro, a biografia do Che Guevara, em época de eleições e minha cabeça começou a mudar um pouco com relação a certos pensamentos.

Aconteceu que em Setembro / Outubro (quando a Teresita me falou sobre a viagem) comecei a ver a possibilidade de eu ir à Cuba também para estudar substituindo, aquela viagem à Espanha, pois imaginei que seria muito mais interessante, diferente (chega dos mesmos), e barato (bom argumento). Comecei a imaginar coisas de principiante como ficar em um hotel para estudantes, poder ir à praia quase todos os dias, conhecer pessoas de outros países, eu estava adaptando tudo o que haviam falado para mim sobre como era na Espanha na viajem à Cuba, pois afinal das contas eu estava indo para o Caribe. Porém desde o princípio estavam me falando como a vida em Cuba é difícil, complicada e outras coisas mais. Mas minha cabeça não estava conseguindo entender esta situação, pois aquela realidade é muito diferente da nossa, também porque minha expectativa estava muito grande por ser minha primeira viagem ao exterior, à maior ilha do Caribe, e todas aquelas maravilhas que o dinheiro pode nos oferecer, e o que o marketing consumista nos mostra, enfim, palavras não estavam sendo suficientes para o meu entendimento, ou seja, “cair na real”, porque eu via várias imagens muito bonitas que enganam muito bem .

Eu estava decidido a viajar sozinho para ver o que iria acontecer, e também me testar, ver como eu me sairia sozinho em um lugar tão diferente, entretanto a Teresita me contou que ela tinha uma aluna da PUC – PR (ela também faz um curso na FAP) que estava interessada em ir para Cuba também, mas não queria ir sozinha e então a Teresita deu meu telefone para esta garota (Juliana) que me ligou no final de Novembro, quando eu já estava com quase tudo certo, e também quando eu já pensava que esta garota nem iria mais à Cuba. Então quando ela me ligou ela resolveu viajar e fomos nos conhecer, somente então ela foi comprar a passagem aérea (primeiros sintomas de falta de juízo, que no decorrer do tempo se transformou em excesso de sorte). A partir daí começamos a nos comunicar e planejar algumas coisas sobre a viagem juntos, como comprar as passagens até São Paulo de ônibus, porque o bilhete aéreo saia de São Paulo.

Duas semanas antes de viajarmos conversamos com a professora para acertar tudo como era o curso de Espanhol, hospedagem e outras coisa. Como eu gostaria de ficar no hotel universitário para conhecer pessoas de outros lugares estávamos tentando acertar a hospedagem e o curso daqui, porém não estava sendo possível, e acredito que nunca seria possível, então acabei indo sem nada certo.

Já a Juliana iria ficar na casa da mãe de um amigo da Teresita, que também estava trabalhando aqui em Curitiba, ele se chamava Reynaldo, a Juliana queria apenas conhecer o cotidiano de um país comunista, ela era comunista roxa, mas o tempo, mestre dos mestres, mostraria na prática que as coisas não eram como ela pensava. O Reynaldo era uma pessoa muito legal e até falou que se eu quisesse ficar na casa da irmã dele não teria problema, só que eu teria que ajudar com comida que era uma coisa difícil lá (bem eu já não ficaria na rua), porém não era isso que eu tinha em mente pois era a vida universitária que eu estava procurando.

Para a arrumação das malas fui um pouco preparado pelos conselhos da Teresita, Reynaldo, Esperanza (minha outra professora de Espanhol, Cubana, amiga e que morava junto com a Teresita), e uma outra mulher Brasileira que já tinha ido à Cuba e que conhecemos em uma pequena reunião antes dos Cubanos viajarem pois eles saíram duas semanas antes de nós. Esta mulher também nos contou das dificuldades do país, mas eu ainda não estava entendendo direito. Mesmo assim levei um bom suprimento de sabonete, pasta de dente, café, roupas e outras coisas que eu poderia deixar lá, entretanto isto não foi o suficiente. 

O COMEÇO E A PRIMEIRA IMPRESSÃO

Tudo certo” chegou dia 5 de janeiro fomos para São Paulo de ônibus, saímos ás 16Hs de Curitiba, pois nosso vôo era ás 08:46 do dia 6. Chegamos na Rodoviária do Tietê e tivemos que pegar um ônibus de linha do Tietê até Guarulhos e em Guarulhos passamos um aperto para conseguir o ônibus até o aeroporto, pois a Juliana já estava aceitando pagar R$20 para um taxi para nos levar até o aeroporto que não dava nem 10 minutos de onde nós estávamos, porque ela estava acreditando que o aeroporto era longe e que o ônibus era muito demorado e que talvez nem teria mais naquele horário (lorota de taxista), mas graças à Deus veio um ônibus e então fomos de ônibus isso já eram 22:30, sem contar que eu tive que ajudar a carregar um monte de malas pesadas da Juliana que senão ela não conseguia nem sair do lugar, sem contar com a máquina fotográfica pendurada no pescoço, faltava apenas uma plaquinha no pescoço dela dizendo “sou turista e tenho muitos dólares”.

Tudo isto porque ainda aqui em Curitiba nos tinham informado errado sobre os horários dos ônibus especiais que fazem a linha Tietê – Aeroporto. No final desta história foi até melhor o que aconteceu pois o ônibus especial do aeroporto custava R$10 e com tudo isto gastamos apenas R$2 e alguma coisa e ganhamos mais algumas linhas de história para contar.

Enfim no aeroporto ás 22:45hrs, ligamos para nossas casas e agora tínhamos que esperar até a hora do vôo, 12:30 do dia seguinte. Então ficamos acordados, tomamos muito café, conhecemos todo o aeroporto, (para ambos era a primeira viagem de avião e para o exterior), conhecemos muitas pessoas que estavam indo para Cuba também, só que todos estavam indo fazer mestrado em alguma coisa ligada a educação, conhecemos também um escritor Cubano que estava trabalhando no Rio Grande do Sul como professor, foi interessante nossa estadia no aeroporto.

Com todo este tempo que tínhamos, descobrimos mais um detalhe, que a bagagem da Juliana tinha 10 quilos a mais do permitido ( bem, está certo que era quase tudo suprimento para o povo Cubano), então tive que passar um pouco para a minha mala, porque como já contei eu estava indo para ficar em um hotel universitário e não em uma casa de família, por este motivo minha mala estava mais leve, também tivemos sorte porque a “Cubana de Aviación” não pesa a bagagem de mão, o que ajudou para não pagar excesso de bagagem. Por sorte a “Cubana de Aviación” atrasou apenas 1h e pouco, pois na no dia em que a Teresita e o pessoal tinham ido o vôo atrasou 4hs, já estávamos entrando no clima cubano de ser.

Não consegui dormir durante as 8 horas de viagem no avião (DC-10), era muito desconfortável, tudo apertado e barulhento, sem contar com aquela comida de plástico. Chegando em Havana peguei minha mala, mas tive que esperar um bom tempo para acharmos a mala da Juliana pois ela pegou duas vezes a mala errada e estava saindo, e eu tive que avisar que não eram as malas dela (novamente, ela era muito desligada porém muito sortuda). Quando saímos da imigração encontramos com o Reynaldo que estava esperando a Juliana, então o Reynaldo me fala que não tinha mais vaga no hotel universitário, aqui o plano “A” começa à ruir e entrar em ação o plano “B”, o qual até o final da experiência agregou muito mais.

O Reynaldo novamente me ofereceu para ficar na casa da irmã dele, então eu fui (ou tinha uma outra opção melhor? Devo admitir que também tive sorte). É a partir daqui que as coisa começaram a sair do normal para mim, e obviamente a aventura começou. Os carros eram 40% Lada, 40% modelo Ford e Chevrolet 55 para baixo e 20% outras categorias (que eram todos de estrangeiros morando lá), o carro que nos levou do aeroporto para a casa da mãe de Reynaldo era um Ford 51 que usava “agualina” (50% água 50% gasolina), importante notar que o motorista teve que abrir o capo do carro e com duas garrafas em mãos, uma com gasolina e outra com água, jogar os dois líquidos dentro do carburador para fazer o carro pegar.

continua…

Fabio Sandi é bacharel em turismo (Universidade Positivo) e especialista em negócios internacionais (FAE Business School). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

4 comentários sobre “Cuba, vivendo o socialismo – Parte 1

  1. Saudações Fabio, eletrizante a Parte I deste post cheio de imprevistos pelo visto. Cuba é um pais que está em meus planos para conhecer, muito legal você democratizar esta experiência. Abs Eli

    Publicado por elicordeirojr | 3 de setembro de 2012, 12:46 pm
  2. caramba Fabio… pra quem disse que ” mal sabia escrever o próprio nome… ” está se saindo um ótimo escritor hein… hehe… to ansioso pra ler a continuação, muito bom meu caro… to até pensando em fazer uma viagem sozinho, para algum lugar…

    Publicado por anovamente | 3 de setembro de 2012, 4:43 pm
  3. Espero o resto da história. Está interessante.

    Publicado por kellyheloise | 3 de setembro de 2012, 7:33 pm
  4. Esta semana começará as histórias e causos, espero que vocês gostem. A vantagem de viajar apenas com um plano básico sozinho ou com apenas uma pessoa é de ficar aberto para as possibilidades que vão aparecendo, interagir com a comunidade local e outros viajantes. Gostaria de ter feito mais viagens como estas, mas ainda que eu esteja em um período de estagnação geográfica, pretendo retomar isto com um novo estilo e mais experiência para outras vezes.

    Publicado por fabiosandi | 3 de setembro de 2012, 8:22 pm

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