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José Augusto Hartmann, Política e Sociedade

Greves: direito ou bagunça?

Fonte: SINTERP

O ano de 2012 também será lembrado, entre muitas outras coisas, pela eclosão de muitas greves do funcionalismo federal. As perdas salariais acumuladas com a alavancagem da inflação nos últimos anos fez com que a insatisfação, devida a perda do poder de consumo de setores da burocracia estatal, atingisse níveis críticos. Não atendidos pelo executivo, mais interessado em investir em infraestrutura, partiu-se ao enfrentamento.

Agora o governo sinaliza um reajuste mínimo de cerca de 15% para 2013 e alguns movimentos começam a abandonar o confronto. O setor privado também se organiza do mesmo modo. Bancários, metalúrgicos e outras categorias organizadas também sinalizam greves caso não sejam atendidas, entretanto as negociações parecem estar mais adiantadas. Muitos desses setores são privilegiados por uma política fiscal do governo federal, preocupado em manter aquecida a economia. Desse modo, os lucros de banqueiros e indústria automotiva deixam qualquer capitalista babando; e isso não é de hoje.

Em ambos os casos cai-se na disparidade de ganhos. Enquanto empreiteiros (privados) podem receber fortunas do governo federal, e enquanto sócios privados nadam em dinheiro, os produtores da riqueza continuam recebendo muito pouco pelo seu trabalho, seu tempo e sua força.

Como crescer, gerar riquezas e, principalmente distribuí-las parece ser a grande questão. Donos de capitais não entram para perder e esperam lucros altos, seja de entes privados seja da Viúva. Os burocratas também não aceitam pouco. Investem numa carreira no setor público e esperam ser retribuídos por isso. Reclamam seus direitos numa sociedade liberal. Oficiais das Forças Armadas, por exemplo, não aceitam que os privilégios conquistados em 100 anos de República Positivista sejam cortados.

Nesse caso, pode-se até falar em benefícios abusivos para alguns grupos, como as filhas dos generais, mas negar um plano de carreira e salários dignos, para continuar atraindo bons profissionais ao setor público, já é obscurantismo. Do mesmo modo na iniciativa privada. Pode-se desenvolver regras e mecanismos para evitar os ganhos excessivos dos empresários, mas suas empresas devem obter lucros, se considerarmos que a economia capitalista deva continuar. Num Estado de direito as greves são uma forma legítima de negociação entre agentes diversos da sociedade e da Burocracia.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

Um comentário sobre “Greves: direito ou bagunça?

  1. é isso aí meu caro… ” (…) Donos de capitais NÃO ENTRAM PRA PERDER e esperam lucros altos, SEJA DE ENTES PRIVADOS SEJA DA VIÚVA. ” em meio a Bagunça dos Depravados da Viúva Viva… temos que exercer os Direitos de Esquerda… fazendo greve e levando as urnas a sério… pois já tá sem graça tantas piadas de mal gosto!

    Publicado por anovamente | 30 de agosto de 2012, 12:22 pm

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