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Cultura Política, Eder Silva

Thoreau, sua influência na atualidade

“Desaparecerá a cidade ou – o que seria outro modo de

desaparecimento -, transformar-se-á todo o planeta numa

enorme colméia urbana? Podem as necessidades e desejo que

impeliram os homens a morar em cidades recuperar, num nível

ainda mais elevado, tudo aquilo que Jerusalém, Atenas ou

Florença pareciam outrora prometer? Existe ainda uma

alternativa real a meio caminho entre Necrópoles e Utopia – a

possibilidade de se construir um novo tipo de cidade que, livre

das contradições interiores, enriquecerá e incentivará de

maneira positiva o desenvolvimento humano?”

(Mumford, Lewis; 1998)

Grande parte destes meus dias tenho aprendido alguma coisa sobre “o que é liberdade”, mesmo julgando não ser ainda um cidadão livre das sutilezas do sistema. Tentei, então, nessas últimas publicações, passar o que aprendi, sob o prisma de um naturalista que, ao meu ver, chegou bem mais perto de se destacar como um ser livre, tanto na esfera econômica, social, educacional, e, se não bastasse, espiritual.

Suas obras influenciaram diversas sociedades, e, modelaram o que conhecemos hoje por “Democracia”. É claro que não estou falando de Brasil, mas, do conceito do que deveria ser a democracia. Então, abaixo alguns argumentos:

A palavra “liberal” deriva do latim, liber (“livre”, ou “não-escravo”), e está associada com a palavra “liberdade”, libertário. (Wikipedia)

A história do liberalismo acha-se intimamente vinculada à história da democracia”, a tal ponto, que é difícil separar “o que existe de democrático e o que existe de liberal nas atuais democracias liberais”, porque, de fato, segundo a teoria política, o liberalismo é o critério que distingue as democracias liberais das suas outras formas não-liberais (populista, plebiscitária, totalitária);

O liberalismo manifesta-se em tempos e espaços bastante diversos, o que dificulta a possibilidade de situá-lo num plano sincrônico e pontuar “o momento liberal capaz de unificar histórias diferentes”;

E, por fim, não obstante o modelo liberal inglês ter-se sobressaído em relação ao modelo derivado da Revolução Francesa, não podemos falar de uma “história-difusão” do Liberalismo, em razão das especificidades estruturais, culturais e sociais com as quais o Liberalismo deparou-se em cada sociedade. (Wikipedia)

A obra de Thoreau trouxe diversas contribuições para os séculos XX e XXI. Fruto de seu desgosto pela escravidão e pela Guerra Mexicano-Americana. Influenciou Mohandas Gandhi, Martin Luther King Jr., Martin Buber e Leon Tolstói na defesa da Resistência não violenta.Ele foi também o principal precedente do Anarcopacifismo. A versão americana do individualismo anarquista tem uma forte ênfase no princípio de não-agressão e na soberania individual. Alguns anarco-individualistas, como Thoreau,não falam de econômia mas simplesmente do direito de “separação” de cada um do Estado, e prevê a eliminação gradual do Estado através da evolução social. (Wikipedia)

Ele não tinha intenções de que o Estado se tornasse liberal ou democrático. Esta não era sua preocupação; mas que, o homem, como cidadão, buscasse uma vida mais dedicada aos valores morais e humanitários. Ou seja, que a transformação começasse primeiramente no homem, e não na superestrutura que viria a servir, então, como aio para sua reeducação: “a lei nunca libertará os homens; são eles que têm que libertar a lei“. Nesta mesma linha de pensamento, Thoreau expressava o seu desprezo pela vida que escolhia a maioria dos homens, buscando incessantemente riquezas, fama ou qualquer outro fogo-fátuo vulgar: “Se fosse obrigado, como a maioria, à vender à sociedade minhas manhãs e tardes, estou certo de que nada mais restaria de digno em minha vida… Assim, confio que jamais precisarei vender por um prato de lentilhas minha primogenitura“. Thoreau dizia assim que as pessoas não deveriam permitir aos governos anularem ou atrofiarem suas consciências, e que as pessoas têm o dever de evitar que tal consentimento permita ao governo torná-los agentes de injustiça.

Essas palavras, se traduzidas pela essência do espírito humano, levam-nos à interpretação de que, apesar de nossa natureza fraca e pecadora, a lei nunca trouxe nenhum benefício, a não ser apontar a nossa incapacidade em fazer o bem, levando-nos ao arrependimento ou a uma auto-análise. Mas, com a novidade (Evangelho), é nos mostrado um caminho “mais excelente”, a caridade, o amor, e a esperança. E, Thoreau, apesar de solitário, não havia ainda perdido a esperança de que o espírito de alguns homens encontrassem a paz real em meio a um emaranhado de sutilezas e propostas para a aquisição de poder. Para ele, o poder emanava somente do Criador, da natureza, do Espirito da Vida, enquanto que a nós caberia, assim, completar a obra da criação, e não subjugá-la, tentando reconstruir a Torre de Babel, que um dia foi confundida pela Sabedoria plena.

Nessas épocas de eleições, lembrando um pouco o que disse Ruy Barbosa, cito uma de suas reflexões: “Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma Ciência.”

A humanidade somente evoluirá mediante a força impulsionadora da Sabedoria, mediante um novo concerto, vinho novo em odres novos… Não adianta adotarmos um pensamento democrático, imaginário, mas pouco prático em nossa consciência amedrontada, sufocada pelos cuidados ininterruptos do cotidiano, da casualidade auto-gestora de nossos próprios deleites. Deve haver algo mais digno do que um estandarte a ser levantado, do que uma bandeira a ser hasteada, de uma idéia que já não mais corresponde aos fatos. Haja luz em nossas mentes ofuscadas. Haja calor em nosso coração empedrado pelas desilusões. Haja saudade daqueles dias que fomos crianças e não tínhamos medo do futuro e nem culpa do passado.

Finalizo aqui, mesmo que sofregamente, minha iniciativa de levar alguma coisa sobre liberdade e democracia à você, meu amigo leitor.

Semana que vem falaremos um pouco mais sobre o filme On the Road, de Walter Salles. Abraços fraternais.

Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Sobre Eder Silva

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Discussão

4 comentários sobre “Thoreau, sua influência na atualidade

  1. Olá Eder,
    Li seus quatro posts sobre Thoreau e gostei muito, estava precisando conhecer melhor a idéia deste gênio, ao ler pude lembrar de nossas conversar e daquele ar de “grandes expectativas” que vi nos seus olhos.
    Termos chaves como:
    Desobediência civil; Anarquismo espiritual;“O universo de cada um é apenas uma clareira na floresta: aberta, mas cercada”; Negação da autoridade do Estado; Não se prender ao sucesso material mas a aventuras no domínio da mente; e muitos outros que escreveu, nos leva a um vislumbre estático e esperança de dias melhores ou mesmo, uma chamada para o “Realismo Fantástico/Despertar dos mágicos/Louis Pauwels e Jacques Bergier”.
    Porque grandes pensadores sempre estão fazendo inimizade com as elites governantes? Sempre vão para o xadrez, pois parece que é proibido pensar hhhahaha . Thoreau como escreveu, foi para à detenção por um dia na cadeia municipal de Concord.
    Quando escreveu “Ao passo que publicava seus artigos contra o governo, se tornava cada vez mais decepcionado com a natureza dominadora dos homens.” Infelizmente parece que também me deparo com uma decepção profunda sobre os homens, é incrível como o homem se transforma quando tem um pouco de poder, chego ate a pensar que ele quer se transformar num monstro então vai atrás do poder e vira uma fera.
    “Na sociologia política, há muitos que acreditam ser o socialismo uma utopia. E há também outros que, muito bem amparados e fundamentados, arriscam a dizer que a humanidade necessita de uma forma de governo, de modo a evitar o “caos”, segundo a visão hobbesiana. De fato, nós somos intensamente dependentes da sociedade. Nascemos nela, fomos enxertados nela, e, não sabemos como viver independentes de suas tecnologias, de suas formas de requintes.” Realmente somos seres que precisamos estar em aglomerados – Raul Seixas já dizia “todos os seres humanos tem a necessidade de se agruparem para se fortalecerem”.
    Quanto ao liberalismo é interessante, como pode um termo que teria tudo para ser livre, nos prender tanto? Egoísmo, individualismo, materialismo e outros ismo(s)…Abraços meu caro. Eli

    Publicado por Eli | 17 de agosto de 2012, 5:00 pm
    • Caro amigo Eli, grato pelos apontamentos e sinceras considerações. Saudades das conversas reflexivas e saudáveis!
      Acredito que há uma “bipolaridade” em cada homem (risos). Uma face que necessita do agrupamento, mas outra face que não deturpa e obscurece toda e qualquer possibilidade de se viver em agrupamento, isento de ego”ísmo(s)”. O egoísmo é o reflexo do domínio perdido lá no “paradise lost” (Milton), é o paraíso perdido do gênesis. Devolvemos, mediante o lívre-arbítrio”, o domínio que ora possuímos lá em um passado muito remoto, e, até agora, tentamos reconquistá-lo à força, subjugando voluntariamente ou não, outros semelhantes.
      Acredito que é uma necessitade fisiológica da raça humana que está gravada em nossa genética, e que, naturalmente, nada podemos fazer para excluí-la, curá-la… Então, fica aí essa dualidade obscura que não conseguimos ao certo compreender, mano.
      É o meu sincero “point of view”, baseando-se nas conversas que tive com o amigo Fábio Sandi, neste último sábado, lá na Reitoria, quando do intervalo da aula do Prof. Gustavo Lacerda.
      Abraços, e até a próxima.
      Eder.

      Publicado por eder0847 | 19 de agosto de 2012, 4:12 pm
  2. Grato mesmo pelas sinceras considerações e apontamentos, amigo Eli. É sempre bom trocar idéias contigo.
    Acredito que há uma “bipolaridade” em cada homem (risos). Uma face que necessita do agrupamento, mas outra face oposta, que deturpa e obscurece toda e qualquer possibilidade de se viver em agrupamento, composta de ego”ísmo(s)”. Na precária visão que tenho, para mim, o egoísmo é o reflexo do domínio perdido lá no “paradise lost” (Milton), é o paraíso perdido do gênesis. Mediante o “lívre-arbítrio”, o domínio que ora possuíamos lá em um passado muito remoto, foi perdido, e, até agora, tentamos reconquistá-lo à força, subjugando voluntariamente ou não, outros semelhantes ou outros agrupamentos.
    Acredito que é uma necessitade fisiológica da raça humana que está gravada em nossa genética, e que, naturalmente, nada podemos fazer para excluí-la, curá-la… Então, fica aí essa dualidade obscura que não conseguimos ao certo compreender, mano.
    É o meu sincero “point of view”, baseando-se nas conversas que tive com o amigo Fábio Sandi, neste último sábado, lá na Reitoria, quando do intervalo da aula do Prof. Gustavo Lacerda.
    Abraços, e até a próxima.
    Eder.

    Publicado por Eder Silva | 19 de agosto de 2012, 4:17 pm
  3. muito inspirador e saudável este post, meu caro Eder (Papa, Imperador, Mago)… entendo isso como “Desenvolvimento Pessoal”, o que não exclui o Coletivo… ou seja, o auto-conhecimento praticado, aquele que desperta o nosso ser mais sutil, mais profundo, elevado… é aprendido com as diferenças, com o outro… tembém com o “nosso outro”… o que ainda não sabemos, o que ainda não conseguimos transpor… o que não temos coragem de ver e aprender… é a chave da Libertação… então, eu acredito que diferentes indivíduos, comprometidos com a verdade (que não metem pra sí mesmos) estão de fato libertando, exercendo este legado universal… somos libertadores sim… a caminhada é longa, aí já se vão milenios meus amigos… estamos no processo, talvez, um eterno processo de transformação, de mutação… sempre em direção ao bem comum, ao saudável, ao amor genuíno, à paz celestial…

    Publicado por anovamente | 24 de agosto de 2012, 6:51 pm

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