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Cultura Política, Eder Silva

Thoreau e a Desobediência Civil [O início]

Muito se comenta sobre a desobediência civil, principalmente no campo das ciências sociais e jurídicas. Mas, pouco se enfatiza sobre a essência e a magnitude que permeiam esse conceito, tampouco é tratado no meio acadêmico ou cultuado na sociedade e cultura da pós-modernidade, onde as elites conseguiram, por fim, engessar e alienar o processo cultural-educacional das diversas sociedades.

Portanto, o que venho compartilhar nesta e em futuras publicações, são algumas das contribuições do Henry David Thoreau para o pensamento e formação do ideário democratizante na sociedade norte-americana, bem como alguns fatos que delinearam a vida e obra deste pensador, numa breve tentativa de apresentá-lo à vocês, respeitáveis leitores.

Descendente de huguenotes franceses e quakers da Escócia, nasceu na fazenda de sua avó, na estrada  velha da Virgínia, próximo à Concord, no dia 12 de junho de 1817.

Foi um individualista extremo, mesmo dentro de uma vigorosa tradição ianque; rejeitou toda compulsão exterior, numa espécie de anarquismo espiritual que o transformou em inspiração de todos aqueles que se revoltam com as pressões envolventes de nossa civilização material.

No início de sua juventude, aos seus 16 anos de idade, estudou em Harvard, tendo facilidade nos idiomas latim, grego, francês e informalmente, o alemão, além do inglês.

Mas o que mudou seriamente sua maneira de se expressar foram as leituras dos Ensaios, de Ralph Waldo Emerson. “Há em todos nós, um momento certo para a luz – para que se abra o espírito à vida”.

Em 11 de abril de 1834, o tema da primeira conferência de Thoreau, “A sociedade”, escreve no diário: “O universo de cada um é apenas uma clareira na floresta: aberta, mas cercada”.

No seu discurso feito na ocasião de sua formatura, em dezesseis de agosto de 1837 disse: “Este mundo curioso em que vivemos é mais prático do que seria conveniente; mais lindo do que seria prático; é mais para ser admirado e gozado do que usado. Deveria ser ligeiramente transformada a ordem das coisas: o sétimo dia seria o de trabalho, dia de ganhar a vida com o suor do rosto; os outros seis, Sabath da alma e dos amores, nos quais passear por esses grandes jardins e beber influências suaves e as sublimes revelações da Natureza” – sentimentos que lhe chegavam derivados da Natureza de Emerson, coloridos porém por suas próprias opiniões.

Rebelava-se contra os preconceitos da sociedade; profundamente religioso, havia entretanto, renunciado à Igreja; apesar de seu respeito à lei, apesar de seus princípios rígidos, negava a autoridade do Estado; poeta, seu meio de expressão favorito foi a prosa, uma expoente de liberdade de pensamento uma sociedade que se limitava ao espírito do tempo, e dava valor àquilo que Thoreau desprezava – o sucesso material. Sua vida não se prendeu a fatos materiais, mas a aventuras no domínio da mente. “Meu desejo é conhecer o que vivi até agora, para poder saber como viver de agora em diante.”

Conhece, por fim, Emerson, e, pouco depois do primeiro encontro, no meio de fevereiro de 1838, Emerson escreveu em seu diário: “Estou encantado com meu jovem amigo, que parece ter a mente tão firme e tão reta quanto as mais retas e firmes que já encontrei”. Mais tarde: “O bom Henry Thoreau, com sua simplicidade e clara percepção, encheu de sol a tarde, que doutro modo seria solitária… Tudo o que o rapaz diz torna-se uma companhia alegre e jovial em sociedade, embora seja dos mais sérios seus objetivos.”

Em 1841 foi morar com os Emerson, onde teve acesso ao grupo de pensadores transcendentalistas, como Nathaniel Hawtorne. Também teve acesso a biblioteca do amigo, que muito contribuiu para o aprimoramento de suas convicções.

Neste mesmo período falece seu querido irmão John, de tétano, o que lhe trouxe bastante angústia, contribuindo ainda mais para seu amadurecimento. Logo após, a pedido de Emerson, dirigiu por algum tempo a Revista The Dial. Passou um tempo em Nova Iorque,  conhecendo os ilustres escritores Henry James e Horace Greeley.

Semana que vem relatarei mais alguns fatos da vida de Thoreau, bem como o conteúdo de alguns de seus discursos em relação à guerra civil e o movimento abolicionista.

Fonte:O Rebelde de Concord, de August Derleth, 1964, 168 p.

Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

4 comentários sobre “Thoreau e a Desobediência Civil [O início]

  1. Pelo menos aqui poderei aprender e saber um pouco mais da sociedade actual e até mesmo do passado. Força amado irmão Éder!

    Publicado por Manuel Mahagaja | 25 de julho de 2012, 8:20 am
  2. Enorme prazer em tê-lo aqui conosco. Sinta-se à vontade para contribuir com suas idéias.

    Publicado por Eder Silva | 25 de julho de 2012, 5:50 pm
  3. Olá pessoal, tenho lido bastante sobre economia e politica internacional e ainda que tivesse escutado muito sobre a idéia da desobediencia civil, principalmente nos artigos atuais sobre economia, não sabia que era do Henry Thoreau até o Eder me falar dele. Logo en seguida comprei o livro e obviamente gostei muito.
    Gostaria de aproveitar para deixar o link de um Video do G. Edward Griffin, produtor de documentários e escritor. Encontrei este video ontem e achei que se encaixa perfeitamente aqui no Blog, porém, infelizmente não tem legendas. Se alguem souber como baixar o video do youtube poderiamos trabalhar para fazer a legenda deste video. Abraço,

    Publicado por fabiosandi | 26 de julho de 2012, 7:56 pm

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