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Cultura Política, Eder Silva

O Boobus americanus, segundo H. L. Mencken

Faz alguns dias publiquei dois artigos referentes à visão que uma boa parte dos norte-americanos têm dos governos recentes. Artigo este que nos leva a redirecionar algumas indagações sobre o nosso processo democrático.

Mesmo sem possuir a capacidade de me lançar competentemente ao campo de uma pesquisa eleitoral, visto que estamos próximos de mais uma, ouso aqui mover algumas reflexões provocativas à nós, cidadãos eleitores, pegando um gancho dos recentes artigos publicados pelo nosso colega jornalista Carlos Evangelista, que nos tem privilegiado com as notícias quentes que saem do arraial dos muitos partidos políticos.

Para isso, saliento que, quando não se tem a capacitação específica de um redator jornalista, ou de um crítico bem informado no campo da política, há, portanto, dois caminhos a se seguir. Ou nos conformamos com as regras do jogo que nos são informadas, ou satirizamo-la, lançando-nos no campo da crítica ácida e despretenciosamente partidária, que, aqui, julgo ser o que me motiva.

Quando da publicação dos dois artigos anteriores, fiz algumas reflexões, e cheguei à conclusão de que, na primeira parte do artigo, publicada dia 04/07/2012 neste blog, o autor analisa a cultura do eleitorado, o comportamento da massa, no geral, caracterizando-a ao boobus americanus, segundo as crônicas provocativas de Mencken. No artigo seguinte, publicado no dia 11, é feita uma análise para dentro do campo político, contextualizando-o com as hipocrisitas de cada político, ou de cada corrente partidária norte-americana, salientando, portanto, que não há diferenciação entre a esquerda e a direita, mas há uma força ou poder maior, que envolve todo o campo da política, e que, inevitavelmente, a cultura política do país é direcionada para os interesses de uma elite composta de sociopatas que controlam a mídia, o processo decisório e até mesmo a consciência coletiva.

Neste artigo, minha proposição será colocar a definição de Mencken, e, fazer com que cada um de nós façamos uma reflexão até onde nos assemelhamos ao modelo boobus americanus. Para tal, abaixo a definição do mesmo.

A propósito de homens indiferenciados

 H. L. Mencken

O que aflige primariamente os jornais dos Estados Unidos é o fato de que o gigantesco desenvolvimento comercial destes jornais os obriga a atingir massas cada vez maiores de homens indiferenciados, e o de que a verdade é uma mercadoria que estas massas não podem ser induzidas a comprar.

As causas disto estão enraizadas na psicologia do Homo Boobus, ou homem inferior – ou seja, o cidadão normal, típico e predominante de uma sociedade democrática. Este homem, apesar de uma aparência superficial de inteligência, é, na realidade, incapaz de qualquer coisa que possa ser descrita como raciocínio.

As idéias que lhe entopem a cabeça são formuladas por um processo de pura emoção.

Como todos os outros mamíferos superiores, ele tem sentimentos muito intensos, mas, também como eles, falta-lhe capacidade de julgamento. O que o agrada mais no departamento de idéias – e, daí, o que ele tende a aceitar mais como verdadeiro – é apenas o que satisfaz os seus anseios principais.

Por exemplo, anseios por segurança física, tranqüilidade mental e subsistência farta e regular.

Em outras palavras, o que ele exige das idéias é o mesmo que exige das instituições – ou seja, que o deixem livre da dúvida, do perigo e daquilo que Nietzsche chamou de os acasos do labirinto. Acima de tudo, livre do medo, aquela emoção básica de todas as criaturas inferiores em todos os tempos e lugares.

Por isso este homem é geralmente religioso, porque a espécie de religião que conhece é apenas um vasto esquema para alivia-lo da luta vã e penosa contra os mistérios do Universo. E por isto ele é também um democrata, porque a democracia é um esquema para protegê-lo contra a exploração dos seus superiores em força e sagacidade.

E é também por isto que, na miscelânia de suas reações às idéias, ele abraça invariavelmente aquelas que lhe parecem mais simples, mais familiares, mais confortáveis – que se ajustam mais prontamente às suas emoções fundamentais e lhe exigem menos agilidade, resolução ou engenhosidade intelectuais.

Em suma, ele é uma besta.

(Do “Livro dos Insultos” de H. L. Mencken, jornalista cultural de sucesso nos anos 20 e 30 nos EUA).

Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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