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Comunicação Política, José Augusto Hartmann

Mídia e eleições: possibilidade de vantagens aos eleitores?

Muito temos a falar sobre os problemas das relações entre partidos e candidatos com as mídias. Isso se torna mais evidente quando se fala em grandes veículos, sejam emissoras de televisão, rádio, revistas ou jornais impressos. Nessa relação é notória a contribuição para o mau uso do dinheiro público, sendo utilizado para financiar esses veículos privados – que podem construir uma boa ou má imagem de quase qualquer um. Entretanto, será possível verificar alguma vantagem (para os eleitores) nessa relação?

Inicialmente devemos perguntar sobre o alcance e influência de que são capazes, as mídias, no comportamento eleitoral. Aqui se sustenta tudo o que se dirá depois, uma vez que se pense sobre a relevância da análise dos efeitos do alcance e/ou limites dessa influência. Esse tema preocupa e muitas vezes tem resposta positiva – no sentido de ser sensível a influência – os estudos sobre política e comunicação. Para essa linha é um objeto relevante o alcance dos meios de comunicação de massa na política democrática.

Nesse contexto, aponta-se para a mídia como fonte privilegiada de informação nos regimes democráticos, tornando-se agente privilegiado na formulação da agenda pública. Uma vez que a mídia torna-se fonte de informação sobre os debates políticos, posicionada entre os representantes eleitos e a opinião pública, passa a ocupar um espaço privilegiado para difundir discursos políticos, seja dos representantes, seja de uma demanda social. De qualquer um dos modos pode exercer pressão ao alimentar a agenda política, logo que é principal fonte de informação.

Numa argumentação possível, a mídia teria, inclusive, capacidade de selecionar temas de acordo com sua interpretação ou interesse, podendo, até mesmo, configurar a opinião pública. Por outro lado, não poderia negligenciar demandas sociais, precisando conformar-se como elemento de mediação entre a opinião pública e os representantes eleitos. Desse modo, ainda que pudesse buscar moldar o debate político, o faria como intermediadora dos anseios sociais e político-governamentais.

Portanto, ainda que dada a importância da mídia na formulação da agenda política, não se pode verificá-la como instituição capaz de moldar ao seu bel-prazer a opinião publica e a agenda. A mídia, como principal fonte de informação, torna-se fundamental na formulação da agenda enquanto fonte de informação, mas se posiciona entre os demais agentes políticos e sociais. Desse modo, caracteriza-se por ser arena de disputa entre os agentes na formulação da agenda. Eleitos e eleitores disputam o espaço da informação midiatizada para apresentarem e formularem as demandas da agenda.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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