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Carlos Evangelista, Ciência Política

A invenção da Política

“A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas “polis”, nome do qual se derivaram palavras como “politiké” (política em geral) e “politikós” (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que estenderam-se ao latim “politicus” e chegaram às línguas européias modernas através do francês “politique” que, em 1265 já era definida nesse idioma como “ciência do governo dos Estados”.

O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία  (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana.

Por que gregos e romanos não dispunham de modelos prévios que pudessem seguir, tiveram que inventar a sua própria maneira de lidar com os conflitos e as divisões sociais. A política foi inventada quando surgiu a figura do poder público, ela surge por meio da invenção do direito e da lei, isto é, as instituições dos tribunais e da criação de instituições públicas de deliberação e decisão, isto é, as assembléias no caso dos gregos, o senado no caso dos romanos. Esse surgimento só foi possível porque o poder político nasceu graças ao momento em que o poder é separado de três autoridades tradicionais que anteriormente definiam o exercício do poder.

A Política nasceu por tanto, quando a esfera privada da economia, a esfera da guerra, a esfera do sagrado ou do saber foram separados e o poder deixou de identificar-se como o corpo místico do governante, o pai, o comandante, sacerdote, representante humano, de poderes divinos transcendentes.

A Grécia inventou a democracia, em qualquer das cidades gregas, todos os homens adultos, nascidos na polis, eram cidadãos, dotados de isonomia (igualdade perante a lei), (igualdade perante a palavra), ou seja, todo cidadão tinha direito de exprimir suas ideias na assembléia, vê-la discutida e votada.

Roma inventou a república, a república ou coisa pública e era oligárquica: os membros das famílias eram cidadãos, isto é, membros do senado, das magistraturas, comandantes militares. A peble se representava pelo tribunal da plebe”. (Marilena Chauí).

Foro Privilegiado

Nesta última semana a imprensa paranaense estampou em suas manchetes alguns pontos que certamente nortearão a política da Capital do Paraná. O Jornal Metro publicou matéria na edição Nº 283 mostrando que no Paraná foram instaurados aproximadamente dois mil processos de improbidade administrativa em conformidade com a Lei 8.429/1992 e do total 489 administradores públicos foram condenados nos últimos dez anos.

O que chama a atenção na matéria é saber que o próprio Supremo Federal blinda prefeitos, secretários, deputados e juízes com o chamado “foro privilegiado”, só podendo essas autoridades  serem  investigadas  apenas por  procuradores  gerais  do  Estado. Ou seja, as condenações acima geralmente são de “peixes pequenos” ou de desafetos políticos desse ou daquele grupo interessado que infelizmente exerce pressão política sobre os procuradores.

Enriquecimento descomunal

Na edição 284, o Jornal Metro, o atual prefeito e candidato à reeleição de Curitiba, Luciano  Ducci-PSB,  acusado  pela  revista Veja de  “enriquecimento  descomunal”, para  facilitar  a  investigação foi  até o Ministério Público para  afirmar  que  os seus bens ,  apartamentos  e  cinco  fazendas  são  de  herança da  esposa  Marry Dal Prá Ducci e  pediu  ao MP  para  ser  investigado, porém deixou  claro  que  os  demais  prefeituráveis   da  Capital serão  da mesma forma  investigados sobre suas  riquezas,  sendo  alvo  principal  Ratinho  Junior, já  que  Gustavo Fruet, Rafael Greca, Renata Bueno, “poucos bens e  dinheiro”  têm.

Orçamento do Paraná 2013 será de R$ 32 Bilhões

Esta semana os deputados estaduais aprovaram a LDO- Lei de Diretrizes Orçamentária.  Com receita estimada do Estado em R$ 32 bilhões para 2013, em projeto elaborado pela equipe do atual governador Beto Richa e aprovado com poucas emendas. A sociedade paranaense espera que o montante financeiro seja suficiente para o governo do Estado realizar as grandes obras de infraestrutura necessária e não apenas a utilização dos recursos para honrar a folha de pagamento e os prestadores de serviços.

Universidades – Visão Política

A visão política das universidades federais brasileiras, geralmente atrapalha a visão científica que as mesmas deveriam pautar. O resultado do impasse entre governo federal e professores é uma greve que já dura um mês e só na Universidade Federal do Paraná aproximadamente 25 mil alunos estão sem aula, afetando estudantes da UFPR, UTFP e ITFP. A questão salarial dos professores afeta diretamente a qualidade do ensino, retardamento na conclusão dos cursos, enfim, provoca um quiprocó lastimável entre alunos, professores, familiares e a sociedade que fica sem acesso às universidades federais; cada vez mais desacreditadas no tocante ao ensino. Talvez essa greve seja regida por interesses políticos defensores das universidades particulares em franco crescimento no Brasil, pois sabidamente filhos de ricos e  de políticos não mais estudam nas federais, assim sendo, objetivo é desmoralizá-las até serem transformadas em elefantes brancos.

Carlos Evangelista é jornalista (ESEEI) e especialista em Sociologia Política (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

Um comentário sobre “A invenção da Política

  1. Belo texto sobre a invenção da política, exatamente o que procurava, explicando diferenças entre Gregos e Romanos.

    Publicado por João Vitor | 3 de abril de 2014, 1:06 am

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