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José Augusto Hartmann, Política e Sociedade

Legalize Marijuana!

Se fosse perguntado à Al Capone se lhe interessaria a legalização das bebidas alcoólicas provavelmente sua resposta seria negativa. Isso porque toda sua atividade, todo o comércio que sustentava a si e sua gangue, estava baseado no tráfico. Fosse dono de bar provavelmente seu poder seria muito reduzido.

Uma comissão do Senado Federal discute um novo Código Penal brasileiro. Entre os itens que estudam e já aprovaram está a descriminalização do porte e consumo de marijuana. O fato de ser aprovado por essa comissão não garante que será aprovado, pois precisará passar por Senado, Câmara dos Deputados e, por fim, Presidência da República. É nesse âmbito que a discussão ganhará apelos emocionais, religiosos, morais e até mesmo, quem diria, éticos. Serão evidenciados problemas médicos, psicológicos e sociais, que coerentemente não podem ser negligenciados. Entretanto, o que se coloca aqui é o ganho que se pode conseguir com tal descriminalização. Sabemos que o tráfico de substâncias proibidas é uma das mais eficientes formas de ganho para criminosos. Gira mais dinheiro no mundo que tantas outras atividades legalizadas. Sustenta uma indústria de lavagem de dinheiro e está no centro da corrupção policial. Não, nossos problemas não estariam resolvidos. Atividades criminosas, corrupção e consumo de substâncias nocivas não se encerrariam. Mas se retiraria um poder imenso, interrompendo uma enorme fonte de arrecadação da criminalidade, seja de pequenos crimes a crimes do colarinho branco.

Assim, antes que como indivíduos, que como familiares ou amigos, pensemos como sociedade. Temos a chance de acabar com uma fonte de financiamento do crime, apenas legalizando as chamadas “drogas”. Chance maior que essa somente o financiamento público de campanha eleitoral.

Embora, seja um grande passo, não basta pensar apenas na descriminalização da canabis sativa. A cocaína é um dos comércios mais lucrativos do mundo. E, assim, deve sustentar o crime muito mais que a maconha. Mas da cocaína, ou de sua pior parte, faz-se drogas mais nocivas, como o crack. Desse modo, outra gama de problemas se expõe. O crack está por trás de uma série de pequenos furtos, roubos, assassinatos. Como solucionar isso? Primeiramente, a definição de “drogas” mostra-se muito frágil. Já no século XVI falava-se em drogas por estas terras. Os portugueses estavam muito interessados nas “drogas do sertão”. Algumas delas perigosíssimas (para diabéticos) como o cacau! Não estou fazendo piada, mas “droga” é um conceito muito amplo. Desde o cacau, passando pelo tabaco, pelo açúcar, pela canabis, por uma série de medicamentos inibidores de dor (muitos opiáceos), estimulantes como a cafeína, cocaína, taurina e tantos outros. Muitos são liberados, descriminalizados, outros são restritos, outros proibidos. O que não podemos é chamar de “droga” somente aquilo que é ilegal, sendo substâncias muito diferentes. Sabemos que muitas substâncias permitidas são extremamante nocivas à sociedade, como o álcool etílico.

Então qual a saída? Tratar como “droga” qualquer substância, desde o cafezinho até a morfina. Analisar melhor quais devem ser restritas e quais não. Criminalizar quem vende susbstâncias restritas (até mesmo aquele seu amigo farmacêutico que vende antibiótico sem receita!). E descriminalizar algumas substâncias que culturalmente são muito consumidas e não são tão nocivas assim, como o café, o cacau, o analgésico, a maconha, a cerveja, etc. Combater apenas o mau uso dessas substâncias, como a associação entre o consumo de cerveja e a direção. Sem hipocrisia, pensando como sociedade e, novamente, não como parente ou amigo de alguém. A proibição da maconha é tão cultural quanto a liberação do whisky.

José Augusto Hartmann é filósofo (FACEL) e historiador (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

Um comentário sobre “Legalize Marijuana!

  1. tbm penso por aí: ” A proibição da maconha é tão cultural quanto a liberação do WHISKY. ” Alguém poderia postar sobre a história de cidades como Las Vegas, por exemplo, e como o “Crime” muitas e muitas VEZE$$$ “Compensa”…

    Publicado por anovamente | 29 de outubro de 2012, 12:19 pm

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