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Economia e Negócios, Eder Silva

FNB: Uma proposta a se apresentar na Rio + 20

Com as manifestações constantes na mídia acerca da Rio + 20, fala-se muito em propostas para reavaliar a situação ambiental e qualidade de vida na atualidade. Para tanto, sempre que se fala em qualidade de vida de um país ou sociedade, associa-se a idéia de PIB (Produto Interno Bruto) como parâmetro para se medir os sucessos ou fracassos na produção de riqueza. Nessa perspectiva, admite-se que riqueza significa o acúmulo e/ou a circulação de capital, produção de bens e consumos, entre outros elementos econômicos.

Um exemplo mais apropriado para se colocar em prática esse conceito, é a China. País cujo crescimento dos últimos 20 anos sobe cerca de 10% ao ano, fazendo com que hoje ela ocupe a posição entre as 5 maiores economias do mundo. Essa porcentagem é fantástica. Mas para manter funcionando essa engrenagem, esquecemos que é necessário fontes de energia, que, no caso, são as usinas de carvão, fazendo com que o país ocupe o segundo lugar em emissão de gases com efeito estufa. Dezesseis das cidades mais poluídas do mundo estão lá. Os rios estão contaminados, a terra sofre com as chuvas ácidas, entre outros problemas alinhados à cultura e superpopulação.

Partindo dessa particularidade, como podemos avaliar a China? País em real ou falso desenvolvimento? Caso alguém queira se aprofundar mais sobre este caso, ler os livros Mao’s war agains nature (A guerra de Mao contra a natureza), de Judith Shapiro, ou The river runs black (O rio corre escuro), de Elizabeth Economy.

Outro conceito de desenvolvimento é a FNB ( Felicidade Nacional Bruta), idéia que surgiu no Butão, país muito pobre economicamente, que se localiza nas encostas da India, China e Nepal, com cerca de 1 milhão e meio de habitantes apenas.

Apesar de parecer um paradoxo a informação acima, há provas científicas de que a FNB pode ser um dos mecanismos auxiliares do PIB para se determinar mais precisamente o nível de desenvolvimento sócio – econômico.

A idéia de FNB evoluiu de princípios budistas, religião oficial do Butão, e envolve combinar prosperidade aliada à preservação do meio ambiente e tradições culturais. Por isso, foi adotada uma diretriz que determina que se mantenha 60% do território florestado. Embora seja de economia pobre, sua população aumentou de 19 anos entre os anos 1984 – 1998, ou seja, antes morria-se em média aos 47 anos de idade, hoje morre-se aos 66 anos. É uma evolução fantástica, vista sob o prisma dos estudiosos da felicidade, podendo-se tornar uma ciência séria.

Apesar de que a idéia de PIB alto esteja alinhada a mortalidade infantil baixa, expectativa de vida longa e nível educacional alto (IDH), o PIB é uma medida muito estreita na obtenção da real situação de bem estar social. Alguns países como Austrália, Nova Zelandia, Canadá e Inglaterra estão adotando outras medidas para analisar mais profundamente a situação, acrescentando intens como Fatores que poderão ser levados em conta nesses novos indicadores incluem itens como o acesso a parques, civilidade, trânsito, poluição, reciclagem, criminalidade e, até mesmo, nível de ocorrência de problemas psiquiátricos. Essas medidas, pela novidade e dificuldades de mensuração, não substituirão o PIB, mas começarão a mapear a parte submersa do iceberg da riqueza humana.

Fonte: Artigo “Felicidade Nacional Bruta”, de Eduardo Pegurier, Jornalista e mestre em economia pela universidade George Mason. Dá aulas na PUC-RJ, publicado em 21 de dezembro de 2009.

 Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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