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Economia e Negócios, Eder Silva

A Desobediência Civil e a crise de consciência

Com o advento do processo de desenvolvimento social e economico do Brasil, visando colocá-lo na posição no patamar de países desenvolvidos, o Governo retoma uma iniciativa já iniciada com os discursos de Getúlio Vargas, à qual, com o pretexto de trazer progresso à Região Norte, ainda pouco desenvolvida e integrada economicamente, fala-se em construção de uma usina de energia, no Estado do Pará, proposta esta contida no PAC (Programa de Aceleração e Crescimento) e intermediada pela (SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia). Esta proposta diz respeito à construção da Usina de Belo Monte no Rio Xingu. Isto, é claro, evidenciaria na remoção de pelo menos 9 comunidades indígenas da região. A escolha da localidade se deu em 1975, e passou por diversos episódios desagradáveis, entre eles o ocorrido em 1989, durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, onde uma índia encosta a lâmina de seu facão no rosto de José Antonio Muniz, o então presidente da Eletronorte. Neste evento participou também alguns ativistas internacionais, entre eles o cantor Sting.

Em 2002 houve novas manifestações, entre as quais Fernando Henrique Cardoso defende a obra, enquanto que Lula julga que sua construção afetará a Bacia Amazônica. Alguns países europeus se manifestam contrários à obra, o que faz com que sua construção seja adiada.

Em 2007, durante o Encontro Xingu para sempre, Paulo Fernando Rezende, o responsável pelos estudos de impactos ambientais, recebe um corte no braço como manifesto. A obra é adiada mais uma vez.

Em 2010 é publicada a licença, iniciando assim o processo de construção, e em 2011 o IBAMA autoriza para o desmatamento de 238,1 hectares, sendo 64,5 hectares localizados em Área de Preservação Permanente (APP).

Meditando nestes episódios, podemos sugerir que, para tirar o Brasil do seu atraso econômico, sacrifica-se mais uma vez uma minoria já em extinção, suprime-se mais uma vez uma cultura em detrimento da ostentação e exaltação do capital e do predomínio egocêntrico de uma raça, “o bicho homem”.

A humanidade continua reproduzindo comportamentos já antes praticados no passado contra as minorias étnicas ou “povos inferiores moralmente”. Inferiorização esta que passa pelos aspectos religiosos, científicos, culturais, educacionais, socieais e econômicos, visando o favorecimento material para a consolidação do sistema capitalista. (REIS, 2012, Revista Sociologia nr. 40).

Isto se dá devido às chances que o Brasil tem para integrar a elite dos países dominantes. Fato este que imita os EUA no século XIX, nas suas metas de extermínio de índios e mexicanos. Época em que o governo cobrava altas taxas e impostos com o pretexto de comprar material bélico para seus intentos genocidas, de modo a prometer aos contribuintes “mais fiéis” terras em território dos dominados / exterminados. Tudo isto visando a expansão econômica.

Um excelente pensador que retrata muito bem estes fatos do passado é Thoreau, com suas duas magníficas obras: “A Desobediência Civil” e “Walden ou a Vida nos Bosques”. É um chamado à retomada de consciência em relação às verdadeiras misérias humanas que somos.

Referências:

Revista Sociologia, edição 40 p. 24-31
Site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Belo_Monte 
 
Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.
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