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Filosofia, Lucas Coelho Baccin

A Arrogância Esquerdista

No domingo li um texto claro e explícito sobre o poder que se disputa entre esquerdas e direitas, e achei conveniente postar aqui no blog para:

pensar dissociações entre teoria e prática…

pensar como não queremos pensar em certas coisas, principalmente naquelas teorias que não nos agradam…

pensar que algumas palavras, como Democracia e Estado, (existem muitas outras que eu coleciono) aparecem em textos acadêmicos como se sempre tivessem existido no tempo, como se fossem inerentes a qualquer organização social…

pensar que se Democracia e Estado fossem um corpo, um ser vivo, provavelmente cientistas fariam um esforço para encontrar uma sequência genética que colocasse esses conceitos como inerentes à alma humana…

A Arrogância Esquerdista

Por Lucas Coelho Baccin, acadêmico do Curso de História da UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina).

Na última sexta-feira fui chamado de “rockeiro de direita” e “anarquista de direita” (como se esse último fosse possível). Fui acusado deste “direitismo” por defender em sala de aula (na matéria de Teoria da História III, do curso de História), que devemos ler todos os autores, ter noção das mais variadas vertentes historiográficas e políticas. Pois a meu ver, não adianta se definir de esquerda, direita, ou centro, sem conhecer os outros pensamentos…

Estes tais acusadores reclamaram do fato de não termos lido “O Capital”, de Karl Marx, todo na matéria de Teoria II, um livro com toda a certeza de muita importância para historiadores e qualquer estudante da área das ciências humanas (e outras, claro), porém, por escolha do professor, lemos apenas um texto do “Ideologia Alemã”, do mesmo autor, e lemos os mais variados autores, como Chateubriand, Michelet, E. Thompson, Ranke, e etc…

A meu ver, foi uma matéria muito bem executada pelo professor, ao mostrar as mais diversas vertentes da historiografia, e não se ater a um ponto de vista, ou posição política apenas. Afinal, não é para isto que serve a academia? Para nos dar o máximo embasamento possível e a partir disto escolhermos nossa vertente historiográfica, ou política?

Tomo aqui uma frase de Slavoj Zizek, “com a esquerda que está ai, quem precisa de direita?”, mesmo o autor tendo se referindo ao “fundamentalismo mulçumano, acho que se encaixa perfeitamente para o contexto. Pois, para estes colegas, que me acusaram de direitista por querer ler os mais variados autores, quem não pensa como eles está errado e ponto final.

Acabamos assim por cair num esquerdismo arrogante, um esquerdismo que só serve de piada para os demais, que não leva ninguém a nada, que só faz com que a imagem da esquerda seja deturpada, a imagem de “rebeldes sem causa que reclamam de tudo, sem ter argumentos para tal”. Não adianta criticar a estrutura de poder do capitalismo se você nem sabe como ela funciona, e é por isso que a esquerda sempre perde em debates, pela sua arrogância, por achar que são detentores do saber, que seu sistema é a resposta para tudo, que sua escrita historiográfica é a melhor. Felizmente, nem todos esquerdistas pensam desta forma…

Deixo uma questão a estes colegas que se consideram detentores do saber revolucionário: Como vocês pretendem combater e assumir o poder sem saber como ele funciona?

Para finalizar, gostaria de dizer para os comunistas e marxistas de carteirinha, que na minha opinião, opinião de um anarquista, de nada adianta substituir um poder por outro, o problema é justamente a questão do poder, enquanto a busca for pelo poder, e não para acabar com ele, tudo continuará como está… Com certeza prefiro um presidente de esquerda a um neoliberal, mas não será com meu voto, ou com minha ajuda que qualquer um chegará lá. Minha luta é pelo fim das relações de poder, sei que muito provavelmente não obterei resultado algum, porém, não vou deixar de incomodar, o mínimo que seja.

Agradeço ao Lucas por ter cedido seu texto para publicação no Blog Sociologia Política.

Vinícius Armiliato é psicólogo clínico (PUC-PR), artista (FAP) e mestrando em Filosofia (PUC-PR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

3 comentários sobre “A Arrogância Esquerdista

  1. Fala Vinicius, mais um post muito bem dirigido. “de nada adianta substituir um poder por outro, o problema é justamente a questão do poder, enquanto a busca for pelo poder, e não para acabar com ele, tudo continuará como está”. Esta é a visão do outsider, na busca da essência. Tem um livro muito interessante, do Colin Wilson (O outsider), que retrata muito bem a luta do homem. Valew mano.

    Publicado por Eder Silva | 21 de maio de 2012, 9:21 am
    • Então, Eder… Vou ler.
      Uma hora dessas você podia escrever algo sobre o outsider e o poder… o que acha? Seria interessante. Podemos pensar como o Outsider lê Michel Foucault!
      Boa semana!

      Publicado por viniciusarmiliato | 10 de junho de 2012, 11:16 pm
  2. Muito bom o post! O problema nesta situação não é apenas a teoria de Karl Marx, mas os leitores dela. Acho que essa ortodoxia ou arrogância marxista contribui para o afastamento da sociedade com as questões sociais e políticas.

    Publicado por Cléder Aparecido Santa-Fé | 29 de novembro de 2012, 8:14 am

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