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Eder Silva, Política e Sociedade

Ditadura Militar em questão

Tendo com pano de fundo os anos de 61 a 71, coloco aqui algumas reflexões à respeito de um período que modificou drasticamente o perfil e consciência política do povo brasileiro.

Falo sobre a Ditadura Militar, que, após um período de crise de abastecimento, crise ideológica por parte da classe dos políticos, e, consequentemente, amedrontamento da classe conservadora em meio às falácias revolucionárias em países latino americanos (que, com o pretexto de reformas políticas, tomaram o poder para a instauração do “totalitarismo comunista”). Assim, a ditadura militar aparece como uma proposta de por ordem na casa, com discursos moralistas, respaldados pela elite dominate na época. Mas, decorrente da insistência em permanecerem no poder, os militares deixam um saldo lastimável de turbulências tanto de ordem social como de ordem econômica. Esquecem de sua verdadeira missão, que é a defesa de nossas fronteiras, primordialmente.

Apesar de haver diversos livros, documentários e entrevistas tratando das particularidades da violência e abuso de poder por parte dos militares, nota-se a evidência de que estes estudos retratam somente uma das “duas faces” da complexidade que é o nosso país, deixando de lado a sugestão de que, caso se efetivasse a revolução no Brasil, a exemplo de Cuba, Argentina, Chile, entre outros países, esta não traria também graves problemas no crescimento sócio-econômico acompanhado de estagnação do processo democrático ora já desgastado decorrente dos discursos ineficientes e falaciosos dos presidentes anteriores a este período?  Talvez tivéssemos a oportunidade de atingir um alto patamar de desenvolvimento democrático, com um governo independente tanto de influências do socialismo soviético como de influências dos ianques.

Ao meu ver, acredito que havia dois perigos a se considerar. De um lado, o povo manipulado pelas idéias de revolução, influências comunistas com com interesses ambíguos, que já havia degradado vários países latinos americanos (veja o golpe de Estado em Cuba, tirando o ditador Batista e colocando um novo ditador, Fidel). De outro lado, os militares, defendendo uma classe conservadora, visando a manutenção do Estado Nação, sufocando a todo custo uma Revolução Popular.
Duas correntes que se degladiaram, mas que representava o mesmo perigo para o Brasil. Tanto uma como outra, ao se estabelecerem no poder, provavelmente iriam causar muito derramamento de sangue, com prejuízos irreparáveis.

Esta minha visão sugere o quão é perigoso viver sob o domínio dos homens no poder, sejam eles quaisquer que fossem. Sempre que uma bandeira é levantada, há a idéia de predominância, de poder, de subjugamento.
Acredito que a ditadura devesse sim tomar o poder, mas em um curto espaço de tempo, passando rapidamente ao povo o direito de escolher seus representantes.
Mas o tempo passou, e a ostentação de poder foi mais forte do que os interesses voltados para a sociedade. Isto causou uma “insanidade” egocêntrica e violenta, de modo a “legalizar” os abusos os quais conhecemos deste período obscuro de nossa história.

Lembro-me do trecho de uma canção que pode muito bem caber nesta minha limitada análise: “…toda forma de poder é uma forma de morrer por nada” (Engenheiros do Hawaii).

Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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Discussão

Um comentário sobre “Ditadura Militar em questão

  1. Eder, mais uma vez trouxe-nos uma reflexão contextualizada e humana da história política de nosso país. De fato, como é “perigoso viver sob o domínio dos homens no poder, sejam eles quaisquer que fossem. Sempre que uma bandeira é levantada, há a idéia de predominância, de poder, de subjugamento”. Lembro-me daquela famosa frase sobre o poder, salvo engado de Barão de Montesquieu, segundo o qual todo aquele que detém poder, sente-se tentado a abusar dele – ora, não há como duvidar que tenha sido diferente durante a ditadura militar.

    Publicado por Diogo | 19 de maio de 2012, 12:17 pm

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