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Comunicação Política, Eder Silva

Democracia e Eleições: alguns paradoxos

Segundo o conceito de Robert Dahl sobre o “livre mercado de idéias”, no qual propõe que seja as novas mídias como ferramentas para “o perfeito funcionamento da democracia”, de modo a restabelecer o estandarte da verdade no confronto às tendências ao erro, há, entretanto, alguns paradoxos, levando-nos a supor que a tendência da modernização das comunicações destinadas ao campo das eleições pode nos ocasionar mais alienação do que maturidade no comportamento de escolha dos governantes.

Para endossar esta posição, acrescento a visão de Bernand Manin (livro Princípios do governo representativo), que nos leva até o ideal de democracia na Grécia Antiga (V aC) de modo a caracterizar o verdadeiro espírito democrático.

Manin nos traz a idéia de “sorteio” como verdadeiro princípio de democracia, categorizando, assim, a democracia que temos hoje como democracia representativa ou “aristocrática”, pois segundo a definição de Aristóteles e mais tarde Políbio, que esta seria o “governo dos melhores cidadãos” e não o “governo de todos os cidadãos”.

Isto nos levará à conclusão de que o mecanismo utilizado hoje para apresentar os candidatos aos cargos de governo é muito diferente daqueles ocorridos na antiga “ágora”, pois lá os cidadãos eram escolhidos, primeiramente, por meio de sorteiro, de modo a conseguirem espaço para participarem como candidatos e, ao mesmo tempo, como eleitores, desde que fossem oficializados como cidadãos.

Então, o modelo que temos hoje de democracia, mais se aproxima de um governo aristocrático, pois, segundo a visão de pensadores como Stuart Mills, Edmund Burke, Hamilton, entre outros, deveríamos adotar este modelo para amenizar o risco de cidadãos “inexperientes” ocuparem cargos de responsabilidades aos quais poderia trazer a desgraça à sociedade.

Quanto às novas mídias, podemos avançar uma pouco mais, acrescentando um texto de Luis Felipe Miguel denominado: “Um Ponto Cego nas Teorias da Democracia: Os Meios de Comunicação”, onde coloca um entrave ao pensamento de que os meios de comunicação podem efetivamente levar a uma maturidade coletiva no modo de escolher seus governantes.  E este pensamento, que é justamente o fato de, quando a liberdade de imprensa partidária for inserida no ambiente eletrônico, isto poderia servir de meios para falsificar informações a serem transmitidas para os eleitores, de modo a vulgarizar os princípios democráticos, transformando a ideia de liberdade de imprensa em uma falácia, segundo sugere Giovanni Sartori entre outros pensadores.

Mas logo adiante o autor nos mostra um maior aprofundamento nesta questão, e isto por conta de ideais que apontam métodos tanto perfeccionistas , no caso das discussões e debates em redes ou ágora virtual, caracterizando uma democracia direta tecnológica (Castels, Lévy, Downing, etc) como tradicionais (no caso do raciocínio público entre iguais, tratados em mesas de bar, cafés, etc), como propõe Habermas. Mas, também há problemas na adoção destas propostas, como a inacessibilidade de muitos a estes ambientes, à falta de formação de pensamento político por parte de muitos, fazendo com que se sintam a margem do debate, excluídos portanto do processo democrático.

Ainda há também o fato de que os meios de comunicação ainda estejam limitados no processo indutivo na inserção da massa por se interessar em politica, persistindo ainda a ideia de utopia.

Na minha opinião, a mídia tem por finalidade um papel muito importante como “ferramenta” de modo a “disponibilizar” a informação de cunho político aos eleitores, mas isto não quer dizer que ela seja ou poderá exercer um papel primordial na conscientização do eleitorado.

Para tanto, ainda há que ser considerado os perigos do sufrágio universal, entre os quais está justamente o fato de que o eleitor adquire seu título de eleitor sem estar realmente habilitado para utilizá-lo para o benefício da sociedade.

Uma sugestão que pode ser apresentada como viável, seria a introdução de cursos educativos voltados à politização da sociedade para aqueles que desejam adquirir seus títulos de eleitor, ou seja, limitar o voto àqueles que estão relativamente conscientes do verdadeiro “direito de cidadania” e dos perigos que este tipo de democracia pode trazer.

Referências:

MIGUEL, Luis Felipe. in Um Ponto Cego nas Teorias da Democracia: Os Meios de Comunicação. Revista Brasileira de Informação. p. 51-75

SOUSA, Diogo Tourino de & PERLATTO, Fernando. In “Afinal, o que é a Democracia?”.  Revista Sociologia. nr. 39. p. 36-43.

Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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