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Cotidiano, Eder Silva

DEVANEIOS

A vida pulsa nas veias, incompreensivelmente ágil e precariamente definível (…) São vagos os momentos que me insiro satisfatoriamente nesse contexto. A realidade à qual o meu espírito abriga é fatal e incontinente às manifestações impostas pelo cotidiano dos dias.

Porém, há ainda algo a se realizar. Até poderia dizer que a minha letargia é o manifesto contrário ao caótico ditame desta sociedade na qual me insiro.

Saio então vagando na tangente, como que um raio fulminante diante dos olhos alheios. Rumo sob os montes, tentando visualizar algum ponto de fuga. Ligeiramente chego a pensar que não há nada mais a se fazer. Então volto às condições iniciais de minha (in) consciência.

Gostaria que meus pensamentos não percorressem tão rápido essa trajetória que abrange o cotidiano. Gostaria que algo me surpreendesse como dantes. Mas não. Parece que tudo já não é mais novidade.

Será que devo utilizar-me da força para escapar dessa minha fulminante insensatez? Será que devo recorrer rumo ao entendimento? É difícil admitir, mas nem isso me encanta…

São devaneios que talvez sejam pilares para o meu progresso. Parece até que, cada vez que eu entronizo em meus pensamentos a decisão de nada interferir nas conclusões dos caminhos tomados, há também algo que me faz tomar parte desse todo processo caótico que nos envolve a cada passo. Involuntariamente faço parte desta nossa realidade social. Sou, entre tantas, mais uma voz que clama no deserto, mas ainda um clamor rouco, sombrio e melancolicamente tímido. O que realmente nos tornamos? O que nos move em direção à compreensão daquilo que fomos gerados? A resposta é um caótico “não sei”.

Não sei, pois somos uns: “não-sei”, incondicionalmente sobrepostos neste emaranhado visionário, que é esta vida.

Hoje posso entender um pouquinho melhor daquilo que o Paulo de Tarso falava em suas epístolas, sobre o bem que queria fazer e não conseguia, mas o mal no qual não gostaria de fazer, mas que já havia incontinentemente feito.

Como será o nosso desfecho? Sobrará algo de bom a realizarmos? Será que é possível algum bem que parta intrinsecamente de nós em direção a algo externo, que não seja como barganha de um prêmio futuro?

Sobre isso, eu também não sei.

Ah, as coisas são tão esquisitas, que a minha mente fica um tanto estupefata de tantos mistérios que assombram minha razão.

Creio sim que há algo sobrenaturalmente superior e capaz de compreender todo o caos em que somos inseridos. Também admito, por fé, que este Ser Superior compreende essa nossa limitação momentânea. E talvez isso se traduza num ponto de fuga para que eu não desista.

Somos parte de um sistema. Não há espaço para super-homens, mas sim para aqueles que se movem em busca de uma compreensão de como se chegar na finalidade, sem ter que desistir durante a caminhada. Muitos já desistiram, e muitos outros pensam que estão trilhando, mas não sabem que a embriaguez já tomou lugar na sua trajetória. É muito perigoso pensar, mas mais perigoso é compreender por qual razão pensamos.

Com base nisso, também posso dizer que tenho um pouquinho da compreensão do que o mesmo Paulo de Tarso afirmou, quando disse que “há, no meio de nós, muitos que dormem”.

Como é infinitamente supremo e majestoso o Espírito que o inspirou a dizer-nos essas coisas. É vital, é completamente sublime tal pensamento.

Quantos já desistiram no meio do caminho. Até pensaram na razão das causas dos acontecimentos. Até fizeram certo esforço para mudar algo, de modo a refazer os significados da nossa existência. Inventaram modelos, planejaram sistemas, guerrearam em prol de seus ideais, de modo a implantar um Novo Mundo capaz de resolver todas as nossas misérias existenciais. Até propuseram um modo de vida completamente unilateral em prol da paz universal, com idéias mirabolantes e planos acessíveis à compreensão da totalidade.

Mas não, não foi possível, e nunca será possível entendermos a grandeza da confusão que Deus assim nos condiciona. Desde a pretenciosa, mas decadente empreitada da humanidade na construção da Torre de Babel não houve mais consenso aqui neste planeta. Não há e nunca jamais haverá uma harmonia procedente de nossos esforços. Apenas “cacofonia”. Parece-me que o Criador ficou um tanto irritado com o poder que Ele mesmo nos concedeu. Que algo de nossa parte tenha saído distorcido. O que será que houve?

Muitos culpam outro ser, angelicalmente corrupto, como causa dessas agruras por nós cometidas. Mas como é realmente que isso ocorre? Qual é realmente a parcela de culpa desse ser? Onde fica nossa responsabilidade disso tudo? São outros mistérios aos quais muitos desistem de buscar entendê-los. Mas isso é outra conversa!

Eder Silva é turismólogo (UP) e gestor da informação (UFPR). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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